Heróis da Fila: Mendonça no Botafogo

Foto: Tardes de Pacaembu
Foto: Tardes de Pacaembu

Mendonça não é o maior ídolo do Botafogo. Não foi Garrincha com seus dribles desconcertantes, não foi Zagallo com seus gols decisivos, não foi Nilton Santos com a sua técnica e sua inteligência, não foi Jairzinho com toda a sua artilharia. Mas tem um peso histórico como grande craque da fila botafoguense que durou de 1968 a 1989.

Milton da Cunha Mendonça é um entre poucos jogadores que optaram por se destacar na carreira por um clube que não vivia grande fase. Porque provavelmente acreditava que poderia ser campeão e resgatar as glórias do Botafogo, mas não ficou em Marechal Hermes* tempo o suficiente para isso.

*Quando Mendonça despontou para o profissional, o clube havia vendido a sede em General Severiano.

LEIA MAIS EM “HERÓIS DA FILA”:

Rivellino no Corinthians
Giovanni no Santos
Jorginho no Palmeiras

Estreou em 1975 como profissional do Bota, depois de passar por categorias de base no Alvinegro e do Bangu. Atravessou a transição de anos de sucesso para tempos em que o Bota não passou nem perto de títulos. Mas se alguém lembra de um nome brilhante que passou pelo elenco botafoguense naqueles 21 anos de espera por uma taça, este nome certamente foi Mendonça.

Era um jogador realmente diferenciado. Um toque de bola refinado, com precisão ímpar, excelente posicionamento em campo, bom cabeceio e claro, excelentes dribles. De todos estes dribles memoráveis, o maior deles veio em um clássico contra o Flamengo, em 1981. Na ocasião, o Bota peitou o grande Fla de Zico e fez 3-1 no Maracanã, eliminando os rivais e classificando para as semifinais do Brasileiro.

LEIA MAIS: O dia em que Mendonça tirou Júnior e o Fla para dançar

Aquele foi o momento mais marcante da carreira de Mendonça, mas não quer mesmo dizer que a sua carreira se limita a isso. Muito embora ele não tenha sido campeão até o fim de sua trajetória profissional, assim como Jorginho, do Palmeiras, as atuações do craque botafoguense guardam grande nostalgia e uma sensação de injustiça. Injustiça porque alguém deste nível não teve a oportunidade de dar uma volta olímpica.

Foto: Terceiro Tempo
Foto: Terceiro Tempo

Fez alguns bons gols de falta, graças à sua pontaria afiada. Era um grande armador, seja pelo chão ou pelo ar. E assim foi galgando seu espaço como um dos grandes nomes da história botafoguense. Somente em 2008 um pouco da injustiça foi desfeita: ele foi apontado para a Calçada da Fama do Maracanã.

Engana-se quem pensa que Mendonça era um camisa 10 como foi Gérson, como foi Pelé, Zico. Se destacou usando a 8, mas era certamente um discípulo do futebol clássico. E quanta categoria o meia ostentava. Porém, com o tempo, o talento começou a virar um fardo. Como podia alguém jogar daquele jeito e não ser campeão? A torcida passou a pressioná-lo pelos insucessos acumulados, algo natural para quem tanto espera pela glória.

LEIA MAIS: Quando o Botafogo venceu o Flamengo e o medo no Maracanã

O quase

Foto: Placar
Foto: Placar

Depois daquela partida monstruosa contra o Flamengo nas quartas do Brasileiro de 1981, a missão era eliminar o São Paulo de Serginho Chulapa. E pelo primeiro jogo, no Rio, os cariocas anotaram 1-0 no placar, com gol de Marcelo Oliveira.

Na volta, em pleno Morumbi, uma reviravolta difícil de acreditar. O Bota vencia por 2-0 o Tricolor, com gols de Jérson e Mendonça. Parecia encaminhada a vaga na final contra o Grêmio, mas o São Paulo insistiu e virou com dois de Éverton e um de Serginho. Um empate bastava para o Alvinegro, mas Mendonça, o grande jogador do time, acabou substituído sem explicação no segundo tempo. Irritado, lamentou a saída e ficou na berlinda.

Pelo Bota, Mendonça acumulou 342 jogos e 118 gols no período de 1975 a 1982, quando saiu ao fim do ano para jogar na Portuguesa. Ainda defendeu Palmeiras, Santos (os dois paulistas também atravessavam um jejum de títulos) Inter de Limeira e Bangu. Parou em 1990.

Se a torcida sofreu por não ser campeã, Mendonça sentiu o dobro, por estar torcendo e jogando, mas não conseguir dar ao clube o que ele merecia.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *