A história de Konietzka, autor do primeiro gol da Bundesliga

Foto: Rankopedia
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Friedholm Konietzka pode não ser tão relevante assim para os amantes do futebol ao redor do mundo. Mas o atacante alemão cravou para sempre o seu nome na história da Bundesliga, formada em 1963. Foi dos pés dele que saiu o primeiro gol da competição.

Antes de contar como ele fez aquilo, é preciso um pouco de contexto. O futebol alemão tentava se profissionalizar por completo e viu na criação de uma nova liga o caminho para o futuro. Em 1963, foi dado o pontapé inicial para o campeonato que conhecemos hoje como Bundesliga, dividido por vários níveis de clubes que se organizam entre torneios regionais e amadores dentro da Alemanha.

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Na fundação do campeonato, que hoje é uma das principais ligas do mundo, o formato foi radicalmente alterado para uma fórmula de pontos corridos, visando uma disputa mais justa entre os times que melhor se planejavam na temporada. Antes disso, o campeonato era baseado em um mata-mata, com modelo semelhante ao que tínhamos no Brasileirão da década de 1990.

Uma reunião de 16 clubes oficializou o início da nova era na Alemanha. Foram eles: Eintracht Braunschweig, Werder Bremen, Hamburgo, Borussia Dortmund, Colônia, Duisburg, Preussen Münster, Schalke, Kaiserslautern, Saarbrücken, Eintracht Frankfurt, Karlsruher, Nuremberg, 1860 Munique, Stuttgart e Hertha Berlim. Assim, a Bundesliga teve início no dia 24 de agosto de 1963, com término marcado para 11 de maio de 1964.

Na primeira rodada, iniciada às 17 horas locais, os 16 clubes se enfrentaram em oito partidas simultâneas, não televisionadas. Entre elas, estavam Borussia Dortmund, o campeão da temporada anterior, e o Werder Bremen, que por sua vez seria vencedor em 1964-65.

Um pouco mais sobre Konietzka

Foto: Kicker
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Friedholm Konietzka nasceu em 1938 na cidade de Lünen, na região da Westfália, que tinha como principal time o Borussia Dortmund, que lhe deu a primeira chance profissional, em 1958. Antes disso ele tinha jogado pelo modesto Lünen em campeonatos locais. Era atacante, com bom faro de gols e com alto número de assistências.

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A sua primeira temporada na Bundesliga foi espetacular, facilitando a vida do Dortmund, que terminou em quarto na tabela, bem longe do Colônia de Wolfgang Overath, campeão nacional ao fim da competição.

Na tarde de 24 de agosto de 1963, a bola mal tinha rolado a primeira vez no Weserstadion, casa do Werder. O relógio marcava 58 segundos quando Konietzka balançou as redes pela primeira vez pelo Dortmund. Ali, uma história extremamente bem sucedida começava a dar frutos. Eventualmente, o Werder conseguiu virar e venceu a partida por 3-2. Soya, Schütz e Klöckner marcaram os três gols dos alviverdes, enquanto Konietzka ainda achou tempo para fazer o segundo do Dortmund, no último minuto. Um homem que gostava de ser pontual.

A Liga, como já foi dito anteriormente, foi vencida pelo Colônia. E Konietzka brilhou bem mais ao longo da disputa, marcando 22 gols ao todo. No entanto, a marca ainda estava distante de Uwe Seeler, grande goleador da época e que levou o prêmio de artilheiro por marcar incríveis 30 tentos pelo Hamburgo.

E depois?

Foto: Kicker
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Friedholm jogou no Dortmund até 1965, conquistando o Campeonato Alemão em 1962-63 e a Copa da Alemanha em 1964-65. Seguiu para o Munique 1860, onde venceu logo de cara a Liga em 1965-66. Marcou ao todo 161 gols na elite alemã, em 210 partidas. Atuou nove vezes pela seleção da Alemanha, com três gols.

Também defendeu o Winterthur, na Suíça, onde se aposentou em 1971 para depois se tornar treinador. Já como técnico, comandou o Zurique e foi tricampeão suíço entre 1974 e 1976. O último clube que treinou foi o Luzern, em 1994.

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A eutanásia

Foto: Welt
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Distante do futebol, Konietzka ainda era saudado por seus feitos pelo Dortmund e 1860 Munique quando apareceu nos noticiários pela última vez, em março de 2012. Ele sofria de câncer e conseguiu ter o direito de praticar eutanásia, graças à ajuda de uma organização chamada Exit International.

Aos jornais, Friedholm deixou uma nota de despedida dizendo que estava feliz por poder ser libertado de seu sofrimento. Morreu aos 73 anos, em Brunnen, região próxima ao Lago Lucerna, na Suíça.

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