Heróis da Fila: Rivellino no Corinthians

Foto: R7
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A história de Rivellino no Corinthians é repleta de saudade, de gols incríveis e amor à camisa. Considerado por muitos como o grande ídolo alvinegro, o meia saiu de uma forma melancólica, sem conquistar nenhum título. Mas isso está longe de ser um fator para diminuir o que ele fez pela identidade corintiana.

Tudo começa em meados dos anos 1960, quando um jovem Roberto tenta fazer testes nas categorias de base do Palmeiras. Torcedor do clube alviverde desde menino, Rivellino é recusado e como forma de se vingar do Verdão, foi para o Parque São Jorge. Não só agradou aos treinadores, como estreou em 1965, aos 19 anos, como profissional. O talento era tão evidente que o garoto foi para a Seleção Brasileira em sua primeira temporada.

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Rivellino tinha algumas características marcantes em seu jogo, que o colocaram no grupo dos grandes atletas brasileiros da época. Habilidoso, com excelente visão para passes e dono de um chute fortíssimo, que lhe rendeu o apelido de “Patada Atômica”, o craque acertava alvos dificílimos e acumulou gols de longa distância ou em pancadas violentas na bola.

Foto: ESPN
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Fez 144 gols pelo Corinthians de 1965 a 1974, data em que defendeu o time que se tornou a sua grande paixão. Riva tinha especial apreço em enfrentar o Palmeiras, que lhe negou uma oportunidade na década anterior. Sempre que encarava o Verdão, fazia grandes partidas, gols exuberantes e demonstrações de raça, empenho.

O problema é que o Corinthians estava atravessando um jejum de títulos. Não vencia nada desde o Paulista de 1954, com Baltazar, o Cabecinha de Ouro. Bateu na trave algumas vezes e a espera foi ficando ainda mais dolorosa. É verdade que o Corinthians foi campeão do Rio-São Paulo de 1966, mas o torneio acabou dividido entre Botafogo, Timão, Santos e Vasco. Ou seja…

Para Rivellino, a seca era só um detalhe. Ele era simplesmente fantástico e destoava dos demais. Naqueles nove anos em que esteve no Timão, quase sempre foi prejudicado por não ter um time competitivo ao seu redor. O que claramente influenciou para que as vitórias não viessem.

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Foram quase 500 jogos com a camisa alvinegra. Certamente muitas delas foram memoráveis do ponto de vista individual. O Corinthians sonhou de fato com uma taça que não vinha e aparentava ficar por mais um século longe do seu salão nobre. Até que o gol de Basílio em 1977 redimisse toda uma torcida, campeonatos amistosos e festivais internacionais fizeram por premiar o Timão em suas excursões, como pode ser visto aqui neste link do site Meu Timão.

Há uma certa controvérsia a respeito desta espera de 23 anos. Mas não existe dúvida para o corintiano em torno do quanto Rivellino foi importante em um período de baixa estima, frustrações e insucessos. É importante dizer que Riva não fracassou no Corinthians. Afinal, seria impossível ganhar sozinho os títulos que o coletivo falhou em conquistar ao longo de sua estadia no clube.

A despedida

Foto: GloboEsporte.com
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Saiu em 1974 em uma amargura que poucos jogadores merecem. O Corinthians era favorito para bater o Palmeiras na final do Paulista. Mesmo diante da Segunda Academia, de Ademir da Guia, Luis Pereira, Leivinha, Dudu e Ronaldo, o Timão era cotado pela imprensa como virtual campeão estadual, livrando assim a alma corintiana da agonia.

No entanto, quando a bola rolou no Morumbi para mais de 100 mil pessoas, o Palmeiras dominou e venceu por 1-0, com gol de Ronaldo. O Corinthians sentiu demais o peso do jogo e não conseguiu reagir. Logo após a partida, o sentimento de revolta da torcida caiu na cabeça de Riva.

O próprio jogador conta que voltou do andando do Morumbi até a sua casa, tamanha desolação. A diretoria não demorou muito tempo para vendê-lo ao Fluminense, já que a situação teria ficado insustentável para que ele permanecesse no Coringão.

A saída de Rivellino como aconteceu é uma das maiores injustiças com um craque em toda a história. Tudo o que ele tentou fazer pelo Corinthians foi pago em 1974 em uma negociação rápida e ingrata. Riva poderia ter feito muito mais, disso ninguém duvida. E acabou ficando como a maior prova de que analisar uma situação puramente por resultados é uma burrice sem tamanho.

Quase 40 anos depois, o meia foi homenageado com um busto na sede do Corinthians. Chorou ao ver a sua imagem ali, renovada, com o clássico bigode e cabelos no mesmo lugar daquele longínquo 1974. Ter Rivellino nomeado como maior ídolo da história e eternizado em um busto é não só o reconhecimento de um mito, mas uma reparação tardia pelo trauma que quase manchou a sua brilhante carreira.

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