Pacaembu, casa de grandes memórias para os clubes paulistas

Foto: Prefeitura de São Paulo
Foto: Prefeitura de São Paulo

Hoje a cidade de São Paulo faz 462 anos e como não poderia ser diferente, tivemos decisão da Copa São Paulo de Juniores naquela que é a maior casa neutra para os clubes da capital. O Pacaembu, inaugurado em 1940, já recebeu grandes títulos do trio de ferro e até mesmo do Santos, que tem seu caldeirão na Vila Belmiro. Que tal relembrar alguns deles?

Bem localizado, o estádio fica no coração do bairro Pacaembu, próximo às Clínicas e à Avenida Paulista, maior marco da identidade paulistana. Foi durante muitos anos o lar do Corinthians, que inaugurou em 2014 a Arena Corinthians, em Itaquera.

Quando não era colorido com o alvinegro do Timão, o Pacaembu também recebia espetáculos dos outros dois gigantes locais, Palmeiras e São Paulo. Em tempos de reforma ou mesmo para finais em “campo neutro”, o local foi palco de partidas memoráveis.

São Paulo 3×1 Corinthians, Paulista 1957

O São Paulo inaugurou o Morumbi apenas em 1960. Antes de usar apenas a sua casa para os jogos da temporada, o Tricolor conquistou um último título no Pacaembu. Foi no Paulistão de 1957, contra o Corinthians, em um jogo conhecido como “A tarde das garrafadas”, no dia 20 de dezembro. O contexto é o seguinte: para ser campeão da Série Azul do Estadual, o time do Morumbi precisava bater os corintianos se quisesse levantar a taça. Amaury fez o primeiro dos tricolores e Canhoteiro ampliou.

O Corinthians reagiu e foi tentar a virada com um golaço de bicicleta de Rafael. Mas Maurinho anotou o terceiro tento tricolor e resolveu a parada. Como o gol decisivo foi controverso em virtude da posição do atacante do São Paulo, a torcida corintiana começou a atirar garrafas em campo como protesto, originando a referência do apelido da final. Era o oitavo título paulista do São Paulo.

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Santos 2×1 Peñarol, Libertadores 2011

A consagração do Grande Santos de Neymar aconteceu no Pacaembu na final da Libertadores de 2011, em 22 de julho daquele ano. Em campanha invejável, os comandados de Muricy Ramalho passaram em segundo no grupo, depois deixaram América do México, Once Caldas, Cerro Porteño e o Peñarol no caminho. No primeiro jogo da decisão, em Montevidéu, o Santos só empatou em 0-0 com o Peñarol. Só que aí, diante de sua torcida, o Peixe fez o que sabia melhor e detonou os uruguaios com um bom futebol. Neymar e Danilo marcaram e o Peixe levantou a sua terceira taça da Libertadores, para a festa dos que vieram para São Paulo naquele dia.

Durval ainda marcou contra, mas o jogo dificilmente terminaria favorável para o fraco time treinado por Diego Aguirre. Quem tem saudade do título de 2011 é o meia Ganso, que nunca mais conseguiu repetir as atuações pelo Peixe e pelo São Paulo.

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Corinthians 2×0 Boca Juniors, Libertadores 2012

O Corinthians acabou com a espera que tanto incomodava. Em 4 de julho de 2012, o time de Parque São Jorge matou a piada dos rivais, encerrou uma agonia que durava décadas e entrou para o grupo dos campeões da América, ao vencer o Boca Juniors de Riquelme por 2×0. Curiosamente, o goleiro dos argentinos era Sosa, o mesmo que defendeu o Peñarol na final contra o Santos em 2011, já que o titular Orión se machucou ainda no primeiro tempo.

Emerson aproveitou um toque genial de Danilo, de calcanhar, para abrir o placar e provocar uma gritaria generalizada no Pacaembu. O mesmo Emerson interceptou uma saída da zaga boquense e arrancou até a área para marcar o que seria o maior gol do ano alvinegro. Quer dizer, até o fim do ano, no Japão…

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Palmeiras 1×1 Corinthians, Brasileiro 1994

O Palmeiras vivia a sua grande fase dos anos 1990, com a força da Parmalat e dos grandes craques que defenderam o time naquela época. Para consolidar a sua hegemonia dentro do Estado e do país, o Verdão ergueu o segundo título consecutivo no Brasileirão, diante de seu maior rival. Em 18 de dezembro, o Pacaembu tremeu com o jogo de volta do dérbi paulistano: o Palmeiras tinha a vantagem depois de fazer 3×1 na ida, três dias antes.

Com certa dificuldade e tomando vários ataques perigosos, os alviverdes empataram a partida e neutralizaram as principais ameaças corintianas. Marques abriu o placar em rebote da falta cobrada por Marcelinho e cutucou o primeiro da tarde. O Corinthians precisava de muito mais do que aquilo. Rivaldo, que trocou o Timão pelo Verdão no início do ano, trouxe à tona a Lei do Ex e marcou o gol do título, em grande assistência de Edmundo.

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Portuguesa 2×0 Palmeiras, Rio-São Paulo 1955

Foto: Federação Paulista
Foto: Federação Paulista

A Portuguesa também foi feliz no Pacaembu, como os quatro grandes da capital. Em 5 de junho de 1955, a Lusa levou a taça do Torneio Rio-São Paulo em cima do Palmeiras. Aquele time era marcante para a turma lusitana, já que Djalma Santos e Julinho Botelho faziam parte da escalação que peitou o Verdão de Valdemar Carabina.

O técnico da Portuguesa era Délio Neves e na partida decisiva em questão, 40 mil torcedores testemunharam a carismática equipe da Lusa fazer 2×0 no Palmeiras, com gols de Julinho Botelho e Ipojucan. Curiosamente, Djalma e Julinho, ídolos nacionais, jogaram pelo Palmeiras anos depois, onde fizeram história.

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