O dia em que Mendonça tirou Júnior e o Fla para dançar

Foto: O Globo
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O Botafogo não vivia seus melhores anos. Alijado das disputas principais no Rio e fora do estado desde os tempos de Gérson, Jairzinho e Paulo César Caju, o clube de General Severiano ousou derrubar o Flamengo de Zico nas quartas de final do Brasileirão de 1981. Naquele dia, Mendonça encarnou o carrasco e castigou o Fla dentro do Maracanã.

O jogo era no primeiro semestre e o Flamengo ainda se preparava para vencer a Copa Libertadores daquele ano, em toda a saga que terminou com o título incrível diante do Liverpool. Mas o Botafogo, pelo menos na Taça de Ouro do Brasileirão, quis jogar água no chope dos atuais campeões.

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O Maracanã testemunhou uma grande surpresa. O azarão Botafogo peitou o Flamengo e jogou de igual para igual. A noite do dia 19 de abril marcou uma grande atuação de Perivaldo, Edson, Rocha, Mendonça e Marcelo Oliveira e Jérson. Três dias antes, os rivais empataram em 0 a 0.

Mas o jogo não foi exatamente fácil para nenhum dos lados. No começo, o Fla fez valer a superioridade e grande fase do seu elenco. Zico abriu o placar ainda no primeiro tempo. O Rubro-negro passou a marretar a defesa botafoguense e por pouco não ampliou a vantagem e consolidou a vitória. Mas o Fogão não estava morto.

Articulando bem as suas saídas, o alvinegro achou uma mina de ouro pela direita da defesa flamenguista. Ziza acionou o volante Rocha, que voltou para Perivaldo, no canto da área. O cruzamento foi preciso para o meio da área e Mendonça subiu para cabecear. Atrasado, o goleiro Raul Plassmann não pôde evitar o empate do Bota.

E a reação não parou ali. No segundo tempo, o Botafogo tomou conta e deu as cartas. O capitão Mendonça estava impossível e correu para a área em uma grande jogada iniciada por Mirandinha. O atacante inverteu uma bola de trivela para Edson, na direita, o ponta disparou e cruzou na cabeça de Mendonça, que testou para o meio da área. A bola ia entrando e Jérson empurrou para as redes, já facilitando a classificação botafoguense, 2-1. O relógio marcava 40 minutos do segundo tempo.

Foto: Tardes de Pacaembu
Foto: Tardes de Pacaembu

Não satisfeito em participar diretamente da virada do Bota, que por si já resultava em uma vaga nas semifinais contra o São Paulo, Mendonça protagonizou o lance que ficou marcado como a grande afronta ao esquadrão do Fla naquele ano. O jogo até ganhou um apelido em virtude disso: Baila Comigo, uma clara alusão à novela que fazia sucesso pela Globo naquela época.

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Três minutos depois do gol de Jérson, o Botafogo deu a punhalada final nas ambições do Fla na competição. Mendonça recebeu um belo cruzamento da direita, matou no peito e puxou para o pé esquerdo, parando a bola no gingado para já ensaiar uma finta. Júnior vinha acompanhando e tinha de tomar uma atitude antes que fosse tarde demais.

O problema é que com o bote, o lateral ficou exposto e levou um drible rápido, quase que como um elástico para fora, saindo do lance. Mendonça ainda achou tempo para dar alguns passos e saiu na cara de Raul, batendo no alto. Um golaço épico que explodiu a torcida alvinegra presente. O Flamengo estava eliminado em grande estilo e Mendonça era alçado ao heroísmo.

Aquele foi o ponto alto da década botafoguense: eliminar um rival, que era o detentor do título e mais tarde conquistaria a Libertadores e o Mundial. A torcida do Glorioso teve de esperar até 1989 para comemorar um título. Mas a demora compensou totalmente, como você pode ver neste relato aqui. Ser Botafogo é mais ou menos isso…

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