O ano em que Amoroso dominou a artilharia da Itália

Foto: Gazzetta Dello Sport
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Amoroso saiu do Brasil em 1996 para jogar na Itália, pela Udinese. A contratação, que impactou bastante a vida da equipe friulana no fim da década, também impulsionou a carreira bem sucedida do atacante, que tinha brilhado pelo Guarani. Com a camisa alvinegra, Amoroso se tornou o artilheiro da liga, em 1999, com um time modesto ao seu redor.

A história de Márcio Amoroso dos Santos começou no Guarani, no início da década de 1990. Rápido, de dribles curtos e grande poder de finalização, o menino se destacou no Bugre e em pouco tempo acabou contratado pelo Verdy Kawasaki, clube pelo qual foi campeão japonês.

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De volta ao Brasil, esteve num time ofensivo do Guarani e atuou ao lado de Djalminha e Luizão, fazendo excelente Campeonato Brasileiro em 1994. E ainda ganhou a Bola de Ouro do torneio, pela Revista Placar.

Dois anos depois, ainda com uma passagem ligeira pelo Flamengo, Amoroso desembarcou em Udine, terra que guardava boas lembranças de brasileiros como Edinho e Zico. O jovem tinha 22 anos e toda uma carreira pela frente. Logo em sua primeira temporada, alinhou com Oliver Bierhoff para a dupla de ataque e teve grande atuação. Marcou 12 gols em 28 partidas, surpreendendo os mais céticos. Bierhoff, referência na pequena área, fez 14.

O ano seguinte não reservou grandes números para Amoroso. Mesmo porque Bierhoff roubou a cena e acabou com a artilharia do campeonato, anotando 27 gols e deixando Ronaldo, com 25, para trás. O brasileiro, um pouco de lado, não impressionou e marcou apenas cinco vezes. O time, no entanto, estava em grande fase e acabou a Serie A em terceiro lugar.

Lugar ao sol

Foto: Quattro Tratti
Foto: Quattro Tratti

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Com a venda de Bierhoff, Amoroso ganhou carta branca e moral para fazer o que sabia. E assim assumiu o posto de principal jogador da Udinese. Pelas três primeiras rodadas da Serie A de 1998-99, meteu cinco gols contra Sampdoria, Bologna (2x) e Salernitana (2x).

Deslanchou e começou a marcar regularmente, carregando a Udinese em uma campanha decente. Já valendo pelo segundo turno, atravessou a melhor sequência: na rodada 29, fez o único gol dos friulanos no Milan em uma goleada sofrida por 5-1. Se recuperou diante da Inter, no jogo seguinte, com um doblete. A Udinese venceu por 3-1. Contra a Lazio, um duro golpe: derrota por 3-0, mas contra Vicenza, Perugia e Empoli, Amoroso deixou mais cinco, colaborando bastante para a conquista seis pontos. Só não foi perfeito porque o Perugia venceu um destes encontros por 2-1.

Ao contrário de Amoroso, a Udinese desta ocasião era irregular. A melhor sequência de vitórias foi entre a rodada 19 e a 22, com quatro triunfos contra Bologna, Fiorentina, Salernitana e Bari. O time era treinado por Francesco Guidolin e não conseguiu repor as saídas de Helveg, Bierhoff e do treinador Zaccheroni. Apesar disso, o resultado final foi animador, mediante as expectativas criadas.

Ao fim da temporada, a Udinese precisou batalhar com a Juventus para ficar com a vaga na Copa Uefa. Como as duas equipes terminaram empatadas em sexto, dois jogos extras foram realizados após a disputa da Serie A. Em dois empates, os friulanos levaram a melhor por terem marcado um gol fora de casa, em Turim. O gol salvador, no entanto, não saiu dos pés de Amoroso. Paolo Poggi foi o responsável pelo placar de 1-1 que classificou a Udinese.

Se estivesse em um dos grandes, Amoroso teria sido não só artilheiro, mas campeão nacional. Algo que ele não conseguiu até a década seguinte, na Alemanha. O gol contra o Empoli encerrou a série goleadora de Amoroso na Serie A de 1998-99, deixando-o na artilharia com 22 tentos, na frente de Batistuta, com 21 e Bierhoff, antigo companheiro, com 20. O Milan levou o scudetto.

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A Udinese conseguiu uma vaga na Copa Uefa graças aos gols do matador Amoroso. Na campanha europeia, os italianos foram eliminados nas oitavas de final, pelo Slavia Praga. Mas o goleador já estava em outra cidade, atuando (ou tentando) pelo Parma. Foi negociado antes da temporada 1999-00 por 30 milhões de dólares, mas foi atormentado por contusões graves e mal teve tempo para mostrar seu futebol, em dois anos.

Fica a marca do atacante oportunista que fez gols de cabeça, de pênalti, punindo defensores por erros grotescos e aproveitando espaços e intervalos de tempo curtíssimo para balançar as redes. Naquele ano e em outros até o fim de sua carreira, Amoroso se especializou em fazer aquilo que todo mundo paga ingresso e espera a semana inteira para ver: gols.

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