Como Palermo sofreu para se firmar no Estudiantes

Foto: Terra Argentina
Palermo, ainda como juvenil do Estudiantes /Foto: Terra Argentina

A pior coisa que pode acontecer para um atacante é ficar sem fazer gols. E é ainda pior quando as partidas de seca se ampliam e viram uma fase horrorosa, ameaçando até o segmento da carreira. O argentino Martín Palermo pode falar com propriedade sobre isso, afinal, viveu uma série de 770 minutos sem marcar quando atuava pelo Estudiantes.

Hoje Palermo é respeitado, cultuado e até mesmo endeusado por grande parte da torcida do Boca Juniors, cinco anos após sua aposentadoria. Mas não foi sempre assim. Revelado para o time profissional do Estudiantes em 1992, o goleador demorou para engrenar e se tornar uma realidade no futebol argentino. Precisou percorrer um longo caminho e trabalhar duro para convencer que servia como atleta profissional.

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O platense atravessou todas as equipes juvenis dos Pincharratas, mas por alguma razão o seu jogo não agradava os treinadores do profissional. Só foi ter as primeiras chances de verdade como titular em 1993-94, mas foi abalado por uma seca incrível. Sem confiança e respaldo dos treinadores e da torcida, sofreu com a queda do Estudiantes para a segunda divisão.

Dos 18 jogos que Martín fez em 1994, ano do descenso, fez apenas um gol, o segundo de sua carreira. Mas o mais alarmante para um centroavante que viria a ser espetacular e até mesmo apelidado de “Titán” foi a sequência de 770 minutos sem marcar. É verdade que Palermo não era titular absoluto e que demorou muito tempo para acumular esses minutos em campo. Mas isso mostra a dificuldade que ele teve para evoluir seu jogo. Anos depois, pelo Boca, superou a marca negativa e amargou 953 minutos sem fazer gols, o equivalente a nove jogos e meio, em 2011.

Miguel Ángel Russo e Eduardo Luján Manera, os dois técnicos que tiraram o Pincha da segundona, não queriam contar com Palermo para a temporada seguinte, logo no ano seguinte ao rebaixamento. Quase emprestaram o jogador ao San Martín de Tucumán.

O acesso veio de forma invicta dentro de casa, com 80% de aproveitamento e decidido com cinco rodadas de antecedência. O time tinha, entre outros jogadores promissores, o meia Juan Sebastián Verón, conhecido por “La Brujita”, apelido carinhoso dado como homenagem ao seu pai, Juan Ramón, ídolo pincharrata.

Palermo comendo banco no Estudiantes. Também, com esse cabelo... /Foto: Impedimento
Palermo comendo banco no Estudiantes. Também, com esse cabelo… /Foto: Impedimento

A draga foi enorme para Palermo, que destoava do elenco. Em dado momento, chegou a ouvir de Russo que “só servia para cortar grama”, o que agravou a sua crise profissional. Durante a campanha na segunda divisão, só fez duas partidas e quase sempre atuou como reserva. Só conseguiu espaço de verdade em 1996, quando a dupla Manera-Russo foi sacada do comando do Estudiantes para dar lugar a Daniel Córdoba, o preparador físico.

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O time estava novamente em frangalhos e se continuasse mal, poderia acabar rebaixado outra vez. Como o novo chefe Córdoba gostava do seu futebol, deu mais um voto de confiança ao rapaz, que eventualmente marcou muitos gols e permitiu que os Pincharratas reagissem na competição.

Palermo anotou 17 gols em 27 jogos no ano de 1996, impulsionando de vez a sua carreira na Argentina. O cenário havia mudado demais em relação ao ano anterior. Não que tenha feito alguma diferença, mas logo que começou 1997, Martín abandonou os cabelos longos e ficou loiro, o que chocou os colegas de início. A estratégia era para chamar a atenção dos grandes clubes. E deu certo, já que ele emplacou de vez como camisa 9.

Foto: Taringa
Foto: Taringa

Em 1996 e 97 o centroavante mostrou muito serviço. Foi artilheiro do Clausura 1996, com 11 gols em 19 partidas, conseguindo ali o espaço desejado como promessa local. A temporada 1997 reservou mais alegrias individuais: os gols aumentaram e ele passou a ser cobiçado pelas maiores forças do país. Com 38 partidas válidas pelo Apertura e Clausura de 1997, o atacante balançou as redes 17 vezes.

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O Estudiantes então entrou em nova crise financeira e se viu obrigado a negociar seus principais jogadores. Com a sua explosão, Palermo aceitou o convite do Boca Juniors e se juntou a Diego Maradona, Claudio Caniggia e os irmãos Guillermo e Gustavo Barros Schelotto, que aliás, eram rivais de Martín desde as equipes de base do Gimnasia de La Plata. Se odiavam quando jogavam contra, mas criaram uma boa relação quando viraram companheiros em La Bombonera.

Bem, o resto é história. Palermo se consagrou como artilheiro máximo do Boca, com 236 gols. Se aposentou em 2011, homenageado e campeão 13 vezes pelo clube xeneize. Para quem sofreu em ser titular lá em 1995, El Titán até que teve uma carreira satisfatória. Não deixa de ser curioso alguém que tanto comemorou seus gols ter passado por esses momentos de miséria.

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