A história do primeiro e único scudetto da Sampdoria

Foto: Sampdoria site oficial
Foto: Sampdoria site oficial

O primeiro e único título da Sampdoria no Italiano veio em 1991, com estilo, contando com vários craques. A história do memorável scudetto doriano passa pela grande fase de seus jogadores e de atuações inspiradas diante dos seus rivais. O principal nome do título? Gianluca Vialli.

A época era memorável para os grandes craques mundiais. A Itália atraía os principais jogadores do cenário internacional e a Sampdoria não era diferente. Entretanto, a força da Samp não estava toda concentrada nos estrangeiros. Os italianos que eram titulares fizeram a diferença na caminhada. A começar pelo goleirão Gianluca Pagliuca, que despontou naquele ano para ser o principal arqueiro da sua geração, superando até mesmo Walter Zenga.

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A segurança do esquema do técnico Vujadin Boskov passava por alguns pilares: Pagliuca no gol, o firme zagueiro Vierchowod, pelo lateral eslovaco Katanec, pelos serviços ostensivos de Toninho Cerezo como volante, pelo meia e careca Attilio Lombardo e claro, por Vialli e seu parceiro de ataque, Roberto Mancini.

Para se meter entre os clubes que brigavam pela taça, a Sampdoria começou patinando. Venceu duas e empatou três das suas cinco partidas iniciais. Pegou adversários duros como a Juventus e a Fiorentina, empatando sem gols com ambos. Mas depois disso, o time engrenou, derrotando Atalanta, Milan, Pisa e Napoli em sequência, fazendo assustadores 17 gols em três jogos.

A dupla implacável entre Vialli e Mancini. Bróders. / Foto: Mais Futebol
A dupla implacável entre Vialli e Mancini. Bróders. / Foto: Mais Futebol

Se Boskov queria que os seus comandados mostrassem ofensividade, os placares elásticos animaram. A única vitória magra destas quatro foi contra o Milan, no San Siro, por apenas 1-0. De resto, os outros três adversários saíram de campo com quatro gols sofridos. Os rossoneri de Sacchi duelariam com a Samp até o fim.

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Os dorianos se mantiveram na briga. Mas na rodada 10, aconteceu um tropeço doloroso, no Marassi, contra o rival Genoa, por 2-1. Eranio e Branco marcaram os gols do Genoa e Vialli fez o da Samp de pênalti. Além de sair da ponta, a equipe de Boskov sofria a primeira derrota na competição. O momento fragilizou os jogadores, que entraram em uma pequena má fase: nos seis jogos seguintes, duas vitórias, duas derrotas e dois empates. A patinada fez com que a Sampdoria despencasse para a quarta posição na tabela.

O Milan, aquele poderoso Milan de Arrigo Sacchi, liderava. Logo atrás, Juventus e Internazionale vinham sendo acompanhadas de perto pelos genoveses. A tabela indicava apenas três pontos do primeiro para o quarto. Cabe lembrar que naquela época a vitória ainda dava somente dois pontos. Cagliari, Bari, Torino e Lecce tiraram pontos da Samp e a situação pedia uma resposta rápida. As derrotas consecutivas para Torino e Lecce mexeram com o brio do elenco.

A crise durou até jogo seguinte, em um empate contra a Lazio, em Gênova, por 1-1. Vialli balançou o barbante para os mandantes. Ninguém mais segurou. A Sampdoria bateu Cesena, Fiorentina, Bologna, Juventus e Parma, voltando para a ponta. Capaz de derrotar seus principais adversários, o time blucerchiato cresceu demais e arrancou até a conquista.

Foto: Tifosi Sampdoria
Retrato do clássico genovês, vencido pelo Genoa /Foto: Tifosi Sampdoria

Um empate contra a Atalanta de Evair, por 1-1, não abalou a recuperação, apesar de devolver o Milan para a dianteira. Logo depois a Samp engrenou de novo e derrubou os milanistas (2-0), o Pisa (3-0) e o Napoli (4-1), dando outra surra em Maradona, Careca e seus colegas. Dali em diante, não houve mais ameaça ao reinado. Só o Genoa que incomodou e conseguiu segurar um empate por 0-0 no clássico genovês.

O dia de Pagliuca

Para comprovar que o time não só era eficiente como podia neutralizar as principais ameaças, a Samp bateu na Internazionale pela segunda vez, em Milão. Com o placar de 2-0, Dossena e Vialli marcaram lá na frente e viram Pagliuca pegar tudo que era chutado no seu gol. Mancini e Bergomi foram expulsos e desfalcaram suas equipes, mas o duelo pegou fogo. Inter teve um gol de Klinsmann anulado na primeira etapa. Esperta, a Samp soube escapar do fogo adversário e matou a questão no contragolpe. Teve de tudo no confronto, até pênalti perdido de Matthäus, em grande defesa de Pagliuca.

O título

Um empate em 1-1 com o Torino, na rodada seguinte, não estragou a festa. Tudo saiu conforme os planos no estádio Luigi Ferraris e a Sampdoria bateu o Lecce por 3-0, ficando com o seu primeiro scudetto com uma rodada de antecedência, mostrando para Milan, Internazionale e até mesmo o Genoa, que terminou em quarto, quem é que mandava na Itália em 1991.

Veio o reconhecimento ao time mais equilibrado da competição e um daqueles que mais encantou. Jogando o fino da bola, o time da casa atropelou o Lecce com gols de Cerezo, Mannini e Vialli, fechando o 3-0 com apenas 30 minutos de jogo. Vialli acabou a campanha com 19 gols, sendo o artilheiro da Serie A.

Na temporada seguinte, este mesmo time foi longe na Europa para brigar pelo título. Mas a história fantástica acabou mesmo em choro contra o Barcelona de Ronald Koeman. Pouco importa. O que ficará guardado para cada blucerchiato é a satisfação única que o título conquistado em 18 de maio de 1991 proporcionou.

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