O dia em que Zola colocou o Liverpool no bolso

Foto: Getty Images
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Pela quarta fase da Copa da Inglaterra de 1996-97, valendo vaga nas oitavas de final, Chelsea e Liverpool se enfrentaram em Stamford Bridge para um dos duelos mais interessantes daquele torneio, que dirá da temporada. Em um jogo de tirar o fôlego e com o enredo quase todo que escrito por Gianfranco Zola, os Blues venceram e arrancaram até o título. Mas não foi fácil.

Em 26 de janeiro de 1997, o Chelsea recebeu os Reds em sua casa, ainda em reforma, a fim de decidir o seu futuro no torneio. E a partida gerou a motivação para que os comandados de Ruud Gullit. O próprio Gullit jogou algumas vezes naquela temporada, quase sempre pela Liga. No cargo de jogador-treinador, o holandês viu do banco de reservas uma das grandes reações da história da competição.

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O cenário estava favorável para os Reds. Robbie Fowler estava em grande fase e contava com o grandalhão Stan Collymore como dupla de ataque. Nos primeiros 45 minutos, o Liverpool aproveitou bobeiras defensivas do Chelsea para marretar e fazer 2-0 no placar, em 20 minutos. Fowler, em lance de oportunismo, e Collymore, levando a bola em um erro grotesco de Eddie Newton, colocaram os visitantes na frente.

Mas um homem do outro lado fez a diferença, fez toda a diferença. Contratado sete meses antes, o italiano Gianfranco Zola chegou ao Stamford Bridge para ser o homem responsável por distribuir a bola e dar assistências. Ele fez isso por muito tempo no Napoli e no Parma. Naquele 1996, aos 30 anos, mostrou que tinha muito futebol.

A italianada

Foto: Site oficial Chelsea
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Zola tinha dois conterrâneos como titulares do time: Roberto Di Matteo e o atacante Gianluca Vialli, em seus anos finais de carreira. Os italianos foram instrumentais na quebra de um jejum de títulos que já durava 26 anos. E especialmente naquele dia, contra o Liverpool, estavam inspiradíssimos.

Desde o início o camisa 25 (o equivalente ao número 10 para os torcedores do Chelsea) mostrou habilidade e frieza para fazer a bola passar das linhas defensivas adversárias. Sempre preciso na hora que soltava seus passes, enxergava caminhos impossíveis para dar sequência às jogadas.

Essencialmente, toda bola que ia para o ataque precisava passar pelos pés de Zola. E foi assim na remontada dos Blues, ainda no primeiro tempo, mesmo que sem gols dos mandantes antes do intervalo. No papel de motorzinho, ele segurava e driblava, ganhava tempo para a movimentação de algum companheiro. Até que os espaços começaram a aparecer. Clarke lançou Hughes lá na frente, o atacante dominou, girou e espetou no canto do gol de James, 2-1 para os Reds.

Bola na área, Petrescu domina e tenta bater o seu marcador. A bola é rebatida, Hughes dá um carrinho e volta para Zola. O meia só ajeita e manda um canhão de esquerda, no ângulo. Fatal. Era o empate do Chelsea, que estava mais vivo do que nunca. Tudo o que Gianfranco vinha tentando passou a dar certo. Se no primeiro tempo o jogo estava desfavorável ou mergulhado no azar, tudo mudou na etapa final.

Outra vez, o italiano recebeu uma bola. Na intermediária, esperou e protegeu a posse de McAteer. Lançou para Petrescu mais à frente, o romeno deu um passe precioso e achou Vialli entre três homens de vermelho: 3-2, a virada. Quem diria? Para encerrar a virada com classe, Zola outra vez deu início ao lance do gol.

Foto: Daily Mail
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Em uma cobrança de falta perto do bico direito da área do Liverpool, ele parou, pensou e jogou no meio do pagode. Lá estava Vialli para testar e sacramentar a vitória, a classificação e o início da arrancada ao título. Foram três gols em 13 minutos, dos 50 aos 63, depois o quarto aos 76. Uma reviravolta que contrariou a lógica e derrubou os Reds, que vinham embalados com a sequência goleadora de Fowler.

Zola não precisou de muito mais que aquilo para ser ídolo da torcida. O seu estilo cerebral de jogo conquistou corações e uma legião de fãs na Inglaterra, mesmo de torcedores de outros clubes. Naquela campanha, ele viria a marcar mais duas vezes e colaborar com a sua técnica para que o Chelsea eliminasse Leicester, Portsmouth, Wimbledon e Middlesbrough até a taça em Wembley. Mas a história completa desse título histórico a gente conta outro dia…

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