Os últimos títulos de Deschamps, herói de Bleus e Blues

Foto: Daily Mail
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Capitão da França no título mundial de 1998 e responsável por erguer a taça da Eurocopa em 2000, o volante Didier Deschamps era mesmo um de Les Bleus. E em sua vida por clubes, quem também teve a oportunidade de vê-lo ser campeão foi o Chelsea. Já no fim de sua carreira, o francês ajudou os Blues de Stamford Bridge a levantarem a taça da Copa da Inglaterra.

Em 1985, portanto 15 anos antes daquela conquista, Didier estava começando como profissional no Nantes. Fez carreira pelo clube canarinho, passou pelo Bordeaux e se consolidou definitivamente no Marselha, time pelo qual foi campeão europeu levando a faixa de capitão no braço em 1993, pela primeira vez.

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Foto: Goal.com
Blanc e Deschamps carregam a taça da Copa em 1998, no Stade de France/Foto: Goal.com

De 1993 até 2000, muita coisa aconteceu na carreira do volante. A França ficou fora da Copa de 1994, caiu nas semifinais da Eurocopa de 1996, mas montou um time fortíssimo e levou o Mundial em casa, no ano de 1998. Já às vésperas da Euro em 1996, o técnico Aimé Jacquet escolheu Deschamps como principal líder da geração que estava sendo preparada para 1998. A princípio, o capitão era Eric Cantona, mas o banimento de um ano do atacante fez de Didier o sucessor ideal.

Campeão do mundo e estimado pelos grandes clubes, Deschamps levou a Copa de 1998 enquanto defendia a Juventus. Em Turim, conquistou muitos títulos e aos 30 anos, era aclamado como um dos principais atletas do futebol internacional.

O seu poder de marcação e a sua liderança, além da qualidade no passe eram os principais referenciais de um atleta completo para a posição. Numa comparação rápida, podemos colocar Dunga como um jogador parecido com Didier, sobretudo na importância para a sua geração. Cabe observar que o francês levava vantagem em relação ao capitão do tetra no quesito técnico. Muito embora Dunga mostrasse mais raça e valentia, características elogiadas em jogadores brasileiros de defesa.

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Saindo da Juventus no segundo semestre de 1999, Deschamps foi parar no Chelsea. Aos 31 anos, fez uma temporada digna pelos Blues londrinos e manteve a sua sina vitoriosa. Pode não ter sido capitão do time que levantou a taça na Copa da Inglaterra, mas teve grande importância na campanha.

No Chelsea, Deschamps não era bem o leão e a referência que representava para os franceses. Era um coadjuvante, como nos tempos de Juventus. E mesmo no Stamford Bridge conviveu com conterrâneos: Desailly e Leboeuf, campeões do mundo em 1998, faziam parte do elenco e jogaram na decisão contra o Aston Villa em Wembley.

Dos seis jogos que o Chelsea fez na arrancada até a decisão, Deschamps atuou em todos como titular. Pelo caminho, o time treinado por Gianluca Vialli deixou Hull City, Nottingham Forest, Leicester, Gillingham e Newcastle. Venceu seus seis jogos e viu jogadores como Gustavo Poyet, Gianfranco Zola, George Weah e Roberto Di Matteo se destacarem.

Di Matteo, aliás, fez o gol do título, na segunda etapa, após cobrança de falta de Zola no canto esquerdo. O nanico Dennis Wise levantou a taça e encerrou a temporada para os Blues, com um gostinho especial de vitória.

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A Eurocopa de 2000

Foto: Sport365
Foto: Sport365

O último título da carreira de Deschamps foi menos de dois meses depois da Copa da Inglaterra em Wembley. Novamente capitão, liderou a França outra vez ao título. Só ficou fora de um jogo, contra a Holanda, na fase de grupos. Entrou apenas no último minuto na derrota diante dos holandeses. Mas Les Bleus não se abalaram e eliminaram Espanha e Portugal até a decisão dramática contra a Itália.

Didier não fez gols, mas foi crucial para a boa atuação do meio-campo francês do técnico Roger Lemerre. Lemerre não precisou fazer muito, já que a base da equipe era praticamente a mesma da campeã mundial em 1998. O título saiu de forma extremamente emocional após 120 minutos de batalha frente os italianos.

A Itália vencia por 1-0 com gol de Marco Delvecchio, mas aos 90, Sylvain Wiltord deixou tudo igual. No tempo extra, aos 103 minutos, David Trezeguet fez o gol da virada e do título francês no estádio De Kuip, em Roterdã. Ali, Deschamps erguia mais um troféu merecido, marcando o sucesso estrondoso daquela geração francesa.

O fim

Aposentado da seleção, Deschamps alegou não estar adaptado ao futebol inglês e foi encerrar a sua trajetória profissional com a camisa do Valencia. Não teve muito mais sucesso com os Che, já que foi atormentado por lesões e perdeu jogos importantes. O maior deles, justamente a final europeia contra o Bayern de Munique, em Milão. O Valencia segurou o Bayern até a prorrogação, mas perdeu nos pênaltis.

Deprimido por ter ficado de fora tanto tempo do time principal do Valencia, abandonou a vida de futebolista para ser treinador do Monaco, com quem assinou contrato de quatro anos. Acabava ali uma era muito bem sucedida vivida pelo volante, que decolou como técnico pouco tempo depois.

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