Carlos Bianchi, o grande nome da história do Vélez Sarsfield

Foto: Taringa
Foto: Taringa

Carlos Bianchi é naturalmente mais conhecido por suas façanhas como treinador do Vélez Sarsfield e Boca Juniors, campeões da Libertadores e do Mundial Interclubes. Sete vezes campeão nacional e quatro vezes vencedor na Libertadores, “El Virrey” não teve tantos títulos quando era jogador. Mas tem seu lugar na história do Vélez como um dos maiores que já passaram pelo clube fortinero.

Bianchi era centroavante, um dos bons. Começou sua carreira em 1967, no Vélez, e em toda a sua carreira, foi o único time argentino que defendeu. No ano seguinte, foi campeão do Nacional. Já era titular na campanha que deu ao Fortín o seu primeiro título argentino da história. Curiosamente, o Vélez só foi ganhar outro com ele no banco de reservas.

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A história de Bianchi é de certa frustração quando se fala do atacante que ele foi. Camisa 9 com faro de gols, facilitou o trabalho dos colegas na caminhada até o título em 1968. Depois de uma dura fase preliminar, o Vélez terminou na liderança, com 22 pontos, os mesmos de River Plate e Racing. A solução da Federação Argentina foi realizar um triangular para tirar a teima e decidir o campeão.

A mão de Gallo

Foto: Site River Plate
Foto: Site River Plate

Pois bem. No famigerado triangular final, Racing, Vélez e River Plate duelaram pela taça. O segundo jogo da chave terminou em 1-1 entre River e Vélez, com um polêmico lance em que o zagueiro Gallo, do Fortín, tirou uma bola com a mão em cima da linha. O árbitro Guillermo Nimo não anotou o pênalti e decidiu o resultado. Em vantagem, o Vélez encontrou o Racing e fez 4-2, levando o título da temporada. Há quem diga que Nimo nunca mais apitou um jogo profissionalmente depois deste dia.

O tamanho da lenda

Dali em diante, o jovem Carlos só cresceu. E fez história. Artilheiro da liga em 1970 e 71, surpreendeu com 36 gols no Metropolitano, uma das melhores marcas da era do profissionalismo argentino. Para se ter uma ideia, o recorde pertence a Arsenio Erico, do Independiente, que fez 47 em 1937.

Entre as maiores marcas em uma só edição estão: Erico (47), Barnabé Ferreyra, do River (43), Bianchi (36), José Sanfilippo, do San Lorenzo (34), Delfin Benítez Cáceres, do Racing; Alberto Zozaya, do Estudiantes; Agustín Cosso, do Vélez; Isidro Lángara, do San Lorenzo (33) e Héctor Scotta, do San Lorenzo (32). Não que fossem da mesma posição, mas Diego Maradona, que foi cinco vezes artilheiro de competições argentinas, fez 25 pelo Argentinos Juniors no Metropolitano de 1980.

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A vida pós-Vélez e o retorno a Liniers

Foto: L'Equipe
El Bozo, pelo Stade de Reims, na França / Foto: L’Equipe

Bianchi não ganhou outro título, mas marcou como o grande camisa 9 da equipe de Liniers. Até hoje a marca do Virrey é incomparável: ele fez 206 gols em 324 jogos com a camisa do Vélez. Em 1973, foi vendido para o futebol francês e defendeu por quatro temporadas o Stade de Reims, que vivia anos desanimadores em relação ao seu passado dourado nas décadas de 1950 e 60.

Pelo Stade de Reims, foi três vezes artilheiro da Liga, sempre acima dos 27 gols por temporada. Mais tarde, assinou com o Paris Saint-Germain e manteve a boa fase, com duas chuteiras de ouro na França, marcando 37 e 27 gols, respectivamente, em 1978 e 79. Depois disso, jogou pelo Strasbourg por um ano e voltou à Argentina, para novamente viver bons tempos com o Vélez.

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Foto: Perfil.com
Foto: Perfil.com

Sem surpresa alguma, aos 32 anos, continuou em alto nível e terminou com a artilharia nacional em 1981. Saiu do José Amalfitani apenas em 1984, para encerrar a carreira no mesmo Reims que o consagrou na França. E quando se aposentou, deixou outra marca invejável para trás: 385 gols em ligas de primeira divisão, superando até mesmo Alfredo Di Stéfano, ícone do Real Madrid mais vitorioso da história.

O Vélez precisou esperar 25 anos para ser campeão de novo. E novamente com Bianchi, como técnico e regente de um time que cresceu demais e venceu o Clausura em 1993, a Libertadores (interrompendo o tri do São Paulo) e o Mundial em 1994, derrubando o Grande Milan de Fabio Capello.

E assim, Bianchi se tornou o maior ídolo possível para os fortineros. Não satisfeito em ser o grande artilheiro da história do Vélez, ainda foi um dos responsáveis pelos maiores títulos conquistados pelo time de Liniers. E o que poucos sabiam era que ele torcia para o River desde menino…

Foto: Canchallena
Foto: Canchallena

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