Batistuta e a vingança contra o River Plate

Foto: Placar
Foto: Placar

Quando um jogador promete demais para o futuro, é ideal que o clube que o formou/contratou dê chances para que ele mostre sua capacidade. Muitas vezes o atleta tem talento, mas acaba minado por não ser titular em um momento crucial de seu desenvolvimento. Foi mais ou menos isso o que aconteceu com Gabriel Batistuta no River Plate. Só que a recusa pela titularidade custou caro aos Millonarios.

Foto: Pinterest
Foto: Pinterest

O ano era 1988. Gabriel estava em seu segundo ano como profissional depois de ser lançado pelo Newell’s Old Boys. Marcou 11 gols em sua primeira temporada no futebol argentino, indicando que estava lutando por um lugar entre os principais atacantes do país. Jogou uma final de Libertadores, mas a equipe treinada por Marcelo Bielsa perdeu para o Nacional do Uruguai.

LEIA TAMBÉM: Os dez anos de espera de Batistuta pelo título da Serie A

O River gostou do que viu e logo contratou o menino de 20 anos. Batistuta, ou Batigol, deixou Rosario para jogar em Buenos Aires pela primeira vez em 1989, pelo time de Núñez. No entanto, não havia espaço suficiente para o jovem no plantel millonario.

Com cara de garoto e futebol de gente grande, o então camisa 7 teve sua primeira grande decepção. Não era tão imprescindível para o River como esperava ou merecia. Mesmo assim, o time de Daniel Passarella foi campeão argentino, com campanha honrosa na Libertadores, chegando até a semifinal.

Depois de 24 jogos e apenas quatro gols, pediu para ser negociado. Desprestigiado, apesar da boa técnica apresentada, foi parar justamente no rival Boca Juniors, treinado por Oscar Tabárez. E lá, brilhou. Com a camisa 9, ganhou personalidade e fez uma dupla memorável com Diego Latorre.

Foto: Placar
Foto: Placar

De cara, Gabriel tinha muito o que provar. Que não era mais um jovem que faria um ou dois gols, mas sim um legítimo goleador, um potente centroavante que dominava os principais fundamentos para se tornar uma realidade. Ele tinha força, grande poder de finalização e ainda era capaz de fazer belos gols, os quais a torcida xeneize se acostumou.

LEIA TAMBÉM: Klinsmann, o padeiro que salvou o Tottenham do rebaixamento

Ao todo, foram 19 vezes em que ele balançou as redes. Suficiente para se tornar um ídolo e um dos principais atletas da Argentina, como planejava ao início da caminhada, no Boca Juniors. Pela Libertadores, o Boca foi até as semifinais e Gabriel deixou dois gols contra o River, Corinthians e Flamengo, ajudando a eliminar os brasileiros.

O reencontro com o River, aliás, teve um doce gosto de vingança para Batistuta. Pela primeira fase da Libertadores, no Monumental, os dois gols da vitória por 2-0 saíram dos pés do camisa 9 boquense, numa reviravolta saborosa do destino, ou na Lei do ex, como virou de praxe.

No Clausura, disputado no primeiro semestre de 1991, Batistuta deslanchou e o Boca venceu o River em La Bombonera por 1-0, gol de Latorre. O Boca levou o Clausura, mas não foi considerado campeão nacional, pois perdeu o play-off para o Newell’s nos pênaltis.

LEIA TAMBÉM: Como o título da Argentina em 1986 pertence a Maradona

Batistuta foi o artilheiro do Clausura com 11 gols e não jogou as partidas contra o Newell’s por ter sido convocado para a Copa América. E no torneio, a Argentina foi campeã em cima do Brasil no quadrangular final. Batistuta também levou a artilharia, com 6 gols.

Logo após a Copa América, veio a proposta da Fiorentina e Batistuta deixou o Boca. Saiu sem ganhar nenhum título, mas a ótima temporada e acima de tudo os gols, fizeram dele um favorito da torcida. O plano inicial dele era se aposentar no Boca, que lhe deu a grande chance de jogar pela Argentina e alcançar o exterior. Entretanto, parou jogando no Catar e nunca mais voltou como atleta a La Bombonera. E até hoje o River Plate deve se arrepender de tê-lo deixado escapar.

2 pensamentos em “Batistuta e a vingança contra o River Plate”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *