Guia de contratações cirúrgicas para clubes chineses

O jogador Felipe Menezes da SE Palmeiras durante treinamento na Academia de Futebol, no bairro da Barra Funda. São Paulo/SP, Brasil - 25/07/2014. Foto: Cesar Greco / Fotoarena
Foto: Cesar Greco / Fotoarena

*Com a colaboração de Emanuel Colombari

Todo ano agora é a mesma coisa. Levas e mais levas de jogadores importantes do Brasil saem de seus clubes rumo ao futebol chinês. O Corinthians é o mais novo grande a ser desmanchado com saídas importantes de titulares para o obscuro Chinesão. Estamos perdendo nossos bons valores enquanto a obscura Liga Chinesa se valoriza com equipes milionárias. Será que não há uma saída para isso? Acreditamos que sim.

Nesse contexto, poderíamos então convencer os chineses a levar alguns jogadores menos cruciais daqui do Brasil para o exterior. Sendo assim, fizemos um Guia recomendando as melhores contratações, visando facilitar o trabalho de dirigentes da China. Não levem mais os craques do Corinthians, do Palmeiras ou do Cruzeiro. Aceitem nosso conselho e contratem estes daqui, ó:

Deola, goleiro*

Eliton Deola tem nome, tamanho e talento para ser goleiro. Hoje emprestado ao Fortaleza, foi por muitos anos reserva no Palmeiras até que ganhou chances debaixo da meta alviverde. Quando jogou, deu azar e não brilhou, já que o time era horroroso. No entanto, é uma realidade e pode estourar nos próximos anos como grande arqueiro no mano-a-mano. Deola é um homem valente e seguro que poderia até mesmo agarrar uma melancia jogada do quinto andar de um prédio. Só não agarra pênaltis, nem chutes de longa e curta distância. Fora isso, é o goleiro ideal.

*A Liga Chinesa não permite goleiros estrangeiros, mas você pode muito bem naturalizar este rapaz e fazê-lo treinar enquanto arruma a papelada. Vai por mim, é batata.

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Werley, zagueiro

Werley está no Grêmio após retornar de um empréstimo ao Santos. É um zagueiro firme, forte e veloz nas divididas. Capaz de desarmar até um guepardo sob efeito de cocaína, o gremista também se posiciona muito bem na área, mostrando senso tático e liderança. Tem reflexos tão bons, mas tão bons, que chega muito antes do lance acontecer e fica esperando o desenrolar da ofensiva adversária. É quase um viajante do tempo.

Gum, zagueiro

“Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça/ Do zagueiro Gum nem o Pelé passa/ No doce compasso a caminho do gol”. Líder espiritual e motivacional do Fluminense, Gum é a resposta se a sua pergunta for “Onde posso achar um defensor sólido e que intimida os adversários com a sua técnica incontestável?“. É o legítimo sucessor de Thiago Silva nas Laranjeiras, bicampeão brasileiro com o Flu e ídolo eterno da torcida tricolor. Seu único defeito é ter a mobilidade de um jacaré com reumatismo, mas isso é um detalhe, já que zagueiros não precisam ser velozes.

Geferson, lateral-esquerdo

Promessa do Internacional, o lateral-esquerdo Geferson só não resolveu o problema da posição no time pois o Colorado está sob uma maldição secular que impede que atletas nessa função obtenham êxito. Desde os tempos de categoria de base o garoto está mostrando seu valor. Capaz de fazer cruzamentos precisos, é conhecido nos bastidores como “O Sniper dos Pampas”. Dizem até que certa vez acertou uma bolada no capacete de um piloto que guiava um Fórmula 1 no circuito de Tarumã. Cirúrgico.

Edílson, lateral-direito

Edílson teve grande ano pelo Corinthians. Foi campeão brasileiro em 2015 e ameaçou o titular Fagner pela vaga entre os 11 iniciais. Trata-se de um jogador muito versátil, habilidoso, bom cobrador de faltas e exímio marcador. O cara é tão bom, mas tão bom, que ensina a vencer uma barreira imóvel num treino do Timão ao lado do jovem Matheus Pereira. Há quem diga que o futebol dele lembra Cafu, já que os dois jogam na mesma posição.

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Diguinho, volante

Talentosíssimo jogador que já teve passagens por Botafogo e Fluminense, Diguinho precisa ser o seu volante na temporada 2016. Bom marcador e com grande qualidade no passe, é o David Beckham possível dentro de restrições orçamentárias. Caiu com o Vasco para a Série B, mas isso jamais mancharia a sua gloriosa carreira no futebol carioca. Na China, pode fazer uma grande dupla com outro volante loiro e cabeludo: Lucas Leiva. Contratando os dois, você terá uma espécie de reedição das irmãs Ruthinha e Raquel, de “Mulheres de Areia”. Um é o gêmeo bom e outro é o genioso.

Felipe Menezes, meia

Ele levanta taças, sorri em campo, é carisma e ainda sabe dar uns passes fenomenais. Felipe Menezes é o tipo de jogador que você está procurando, meu colega olheiro. Olha como Felipe bate umas faltas muito loucas, chuta bem de fora da área. É um canhão, o novo Rivellino. Se resolver o seu problema de narcolepsia, pode ser um grande valor para chegar como titular e camisa 10.

Alan Patrick, meia

Ele se espelha em Zico para ser um grande jogador. Alan Patrick vive o sonho de estar na meiuca do Flamengo depois de uma má fase pelo Palmeiras. Criativo demais para o futebol brasileiro, Alan é um gênio incompreendido. Os colegas não entendem os seus passes artísticos e muito menos as suas assistências mirabolantes. Se na sua concepção, o futebol ideal é com alegria e emoção, Alan Patrick é seu meia. O rapaz é um raro poeta de recursos em uma terra de obviedade e frases curtas. Seu repertório é vasto e inclui dribles, cruzamentos e até mesmo truques de desaparecimento. Mas ele não é mágico, é só um atleta experiente e cerebral.

Cléber Santana, meia-atacante

Veterano e com muita lenha para queimar no futebol: este é o ardiloso e clássico meia Cléber Santana, da Chapecoense. Não se engane com seus 34 anos, pois com tanta experiência e talento, ele aparenta mesmo é ter 120 quando pega na bola. Quem vê Cléber Santana dominando a pelota e armando uma ofensiva para a Chape, pensa que ele está há pelo menos cinco décadas otimizando o seu arsenal criativo. Na bola parada, é um ícone: já tem 2831 gols de falta na carreira, sendo 2802 deles em treinamentos. Porque o importante é dominar o fundamento e saber a teoria.

Nilson, atacante

Joga fácil. Atacante implacável que sabe fazer gol de cabeça e com os pés, matador, domina a arte da finalização. Hoje está no Santos e pode ser o seu camisa 9 por um valor aceitável e nada astronômico. Seu único problema é marcar um gol sem goleiro no último minuto do jogo de ida da final da Copa do Brasil. Fora isso, é um craque, muito empenhado e que será artilheiro de qualquer competição se puder jogar com frequência.

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Maikon Leite, atacante

Esse garoto é bola. Ligeiro e letal, Maikon Leite está emprestado pelo Palmeiras ao Goiás, mas uma proposta interessante pode tirar ele do Serra Dourada. Maikon chega com as credenciais de ter jogado por times como Santos, Atlético Paranaense, Sport e Atlas, do México. Além disso, ganhou o prêmio de Melhor Jogador Jovem de Mogi das Cruzes em 2005. O atacante é ambidestro e vem com as seguintes funções: correr, pensar e fazer gols. Contudo, não é possível utilizá-las ao mesmo tempo. Maikon é um destruidor programado para matar as defesas adversárias.

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