Rooney e o Dilema Tostines do Manchester United

Foto: Guardian
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Na década de 1980, a Tostines inovou no mundo da propaganda ao lançar um comercial com um dilema que virou marca de uma geração e uma referência aos paradoxos do nosso tempo. A animação trazia um homem das cavernas e uma dúvida mortal: “Mestre, Tostines vende mais porque é fresquinha, ou é fresquinha porque vende mais?” Mais de 30 anos depois do reclame, podemos perfeitamente usar a máxima do Dilema Tostines para analisar a temporada de Wayne Rooney.

Rooney vai mal porque o Manchester United não atravessa uma boa fase técnica e psicológica ou o Manchester United não atravessa uma boa fase técnica e psicológica porque Rooney vai mal? São questões. Com 16 jogos no Inglês e apenas três gols, o atacante está devendo. E não é pouco.

Ao fim do ano passado, o atacante entrava para a história como o maior artilheiro da Inglaterra em todos os tempos, ultrapassando até mesmo Gary Lineker. O feito serviu para empurrar o capitão do United em início de temporada, mas de uns meses para cá, toda a engenhoca de Louis Van Gaal está sendo posta à prova. Tanto é que o holandês está ameaçado de demissão. Rooney também está sendo afetado pelo problema.

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O United penou para sair de uma sequência negativa que lhe tirou da disputa pelo título nacional. Foram quatro derrotas consecutivas até um empate com o Chelsea, que acabou por dar um pouco de confiança ao elenco. No último sábado, os Red Devils bateram o Swansea e Rooney tirou a barriga da miséria, marcando um gol. E aí vai o detalhe: ele não balançava as redes pelo Inglês desde outubro.

Fato é que a virada do ano fez bem para os comandados de Van Gaal. Eles, que estavam sendo questionados por derrotas bisonhas e atuações medrosas, encontraram alguma força no mar de críticas vindas da imprensa e mesmo com a cabeça do chefe pendurada por uma fina cordinha, superaram a zica para recuperar o bom futebol.

Bem, quer dizer, são pequenos passos. Primeiro vencer, depois devolver os gols a Rooney, para daí quem sabe desfilar um jogo convincente, coisa que até agora Van Gaal não mostrou em seu trabalho desde 2014. Ao lado de Martial, o camisa 10 do United foi um dos responsáveis pela vitória contra os Swans, em Old Trafford.

Muito também se falava sobre a falta de inspiração de Rooney, evidente em sua seca de gols. Contra o Chelsea, por exemplo, recebeu um passe brilhante de Mata e ficou de cara para Courtois, mas furou o chute e o placar terminou zerado no Teatro dos Sonhos. Em outro lance fortuito, Wayne pegou uma bola de cara para o gol aberto e mandou pelo alto.

Parecia até de propósito. Como o Chelsea jogou várias partidas horrorosas até finalmente demitir José Mourinho, ficou claro que o United poderia estar fazendo o mesmo e sabotando Van Gaal, mas a vitória e a coragem mostradas diante do Swansea derrubam a tese de que o elenco esteja contra o holandês.

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Para Rooney, ficar mais de dois meses sem fazer gols foi um sintoma da urucubaca a que os seus companheiros foram submetidos. Mas que assim que ele voltar a marcar regularmente, a situação pode trazer certa esperança aos torcedores e certamente a Van Gaal, assombrado por um desempregado José Mourinho que quer o seu cargo.

O que podemos afirmar por agora é que o drama do atacante sem gols é coisa do passado. Rooney está de volta e precisa entrar no jogo para evitar que o mundo caia atrás dele na temporada. Restam a Liga Europa e uma briga pela vaga na próxima Liga dos Campeões como consolo.

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