Como Djalminha brigou no Flamengo e foi parar no Guarani

O Flamengo campeão da Copinha em 1990. Djalminha está ao centro, agachado, vestindo a faixa de capitão. Foto: IG
O Flamengo campeão da Copinha em 1990. Djalminha está agachado, vestindo a faixa de capitão. Foto: IG

O futebol é assim mesmo. Hoje o grande dispensa uma promessa e amanhã ela se vinga acabando com um jogo ou vencendo campeonatos. Djalminha foi um desses que saiu pela porta dos fundos e mostrou talento demais para dar a volta por cima. E tudo começou em uma briga com Renato Gaúcho.

Djalma, filho do zagueiro Djalma Dias, era cria da Gávea. Meia de dribles fáceis e passes impossíveis, surgiu na Copa São Paulo de Juniores em 1990, que revelou craques como Paulo Nunes, Marcelinho Carioca, Nélio e Júnior Baiano (esse não era craque, mas estava no bolo). Cresceu no time principal depois de completar 20 anos e amadureceu bem.

Inicialmente, em 1991, quando ganhou boas chances no time principal, Djalma era escalado na ponta-esquerda, para que o esquema do Fla aproveitasse ao máximo a sua velocidade e habilidade pela lateral, municiando o ataque com Gaúcho e Marcelinho Carioca, outro jovem astro do Mengão que começou jogando na frente e eventualmente foi recuado em sua melhor fase da carreira.

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A temporada 1993 estava começando e o Flamengo se preparava para as grandes competições. Terminou 1992 como campeão brasileiro e tinha em seu elenco jogadores de alto nível: Renato Gaúcho, Casagrande, Sávio, Adílio, Júnior, Wilson Gottardo, além das promessas jovens reveladas no início da década, que eram lançadas no profissional. Djalma era um dos mais brilhantes.

Pois pelo Rio-São Paulo, nos primeiros meses de 1993, aconteceu um clássico despretensioso contra o Fluminense, no Caio Martins, o Flamengo vencia por 2-0 com gols de Renato e levou a virada. Quando o placar já estava favorável ao Tricolor, o atacante-galã passou um xingo em Djalma, que não gostou nada e foi para cima do colega veterano. Os dois se empurraram, quase trocaram socos e saíram para resolver a parada nos vestiários, chegando muito perto da porradaria.

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Ficou acertado que resolveriam a briga juntamente com a diretoria. E assim foi, com a força de Renato no clube, Djalminha acabou dispensado e liberado para negociar com outro clube, pois jamais venceria a queda de braço com o camisa 7. O Guarani pintou como a escolha emergencial para o momento de transição para o meio-campista.

O trio do Guarani que brilhou nos anos 90: Luizão, Djalminha e Amoroso (Foto: Bugre Minha Vida)
O trio do Guarani que brilhou em 1994 e 95: Luizão, Djalminha e Amoroso (Foto: Bugre Minha Vida)

De 1993 a 1995 Djalminha jogou pelo Guarani, que buscava recuperar as glórias dos anos 1970 e 80. O alviverde contava com um bom plantel, apesar das restrições orçamentárias e a chegada do meia, um clássico camisa 10, fez os bugrinos terem boas ambições para o restante do ano.

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Tanto no Brasileirão quanto no Paulista, o Guarani foi para a segunda fase e Djalma jogou com Luizão a primeira vez naquele ano. O atacante tinha apenas 17 anos e buscava se consolidar no cenário nacional. No ano seguinte, com a repatriação de Amoroso, formaram um trio perigosíssimo. Era gol bonito que não acabava mais.

Djalminha era destaque no Guia do Paulistão 1994 pela Placar /Foto: Acervo Placar
Djalminha era destaque no Guia do Paulistão 1994 pela Placar /Foto: Acervo Placar

Pelo Paulistão de 1994, o time acabou em décimo, mas decolou no Brasileiro e foi parar na semifinal, eliminado apenas pelo campeão Palmeiras. Djalminha, no entanto, não pegou o filé-mignon do Bugre e se transferiu para o Shimizu S-Pulse, do Japão, antes da reta final da competição. Amoroso, por sua vez foi o artilheiro do nacional ao lado de Túlio Maravilha.

Em 1995, o meia retornou ao time e o Guarani voltou a voar alto. Disputou a Copa Conmebol (caiu na primeira fase) e chegou longe no Paulista, ficando em quinto. O trio ao lado de Luizão e Amoroso, além do reencontro com Nélio, ex-Fla, estava bom demais para pequenas pretensões. Era hora de tentar algo mais ousado e no Brinco de Ouro da Princesa isso não seria possível.

Sem dinheiro, o clube campineiro optou por vender os seus craques. Luizão e Djalma acertaram ainda em novembro com o Palmeiras, enquanto Amoroso foi para o Flamengo e de lá seguiu para o futebol italiano, onde viveu excelente fase. Djalminha foi o principal craque da campanha excepcional do Verdão no Paulista de 1996, com 102 gols e apenas uma derrota… para o Guarani. Mas essa história da “Máquina Alviverde” não vem ao caso, pelo menos por agora.

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