E se a gente fizesse uma seleção só com jogadores que viraram técnicos?

Johan Cruyff (Ajax manager) smokes a cigarette Pic : Action Images
Foto: Action Images

Por Felipe Portes e Lílian Trigo

Muitos jogadores não conseguem ficar longe do futebol depois da aposentadoria e logo se metem em cursos para começar a vida como treinadores. A maioria esmagadora de técnicos que fizeram sucesso no futebol mundial é formada por ex-atletas. Sabendo disso, escolhemos 11 caras que jogaram muita bola e depois foram para o banco de reserva transmitir seus ensinamentos. Mesmo não sendo um 4-4-2 tradicional, olha só a nossa seleção:

Dino Zoff, goleiro

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Dino Zoff encerrou uma longa trajetória como goleiro em 1983, jogando pela Juventus. Foram 22 anos de ofício até a aposentadoria, incluindo o lendário titulo da Copa de 1982 no currículo. Em 1988, o italiano assumiu a Juve e conquistou uma Copa da Itália e uma Copa Uefa em 1990. O último time que treinou foi a Fiorentina, em 2005. Também comandou a Lazio e a Itália neste intervalo.

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Franz Beckenbauer, líbero

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O mais respeitado jogador da história da Alemanha também se aposentou em 1983 como atleta. Ídolo do Bayern e com boas passagens pelo New York Cosmos e Hamburgo, o ‘Kaiser’ também brilhou como treinador. Comandou a seleção alemã, o Olympique de Marselha e o Bayern de Munique. Foi campeão do mundo na Copa de 1990, conquistou o Alemão e a Copa Uefa com o Bayern. Não treinou mais nenhum clube depois de 1996.

Bob Paisley, lateral-esquerdo

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O grande Bob Paisley foi um lateral-esquerdo de respeito e marcou época pelo Liverpool. Jogou apenas pelos Reds e, por nove anos, também treinou o clube, o único que defendeu em sua carreira. Foi campeão inglês como jogador em 1947, mas teve mais sucesso como técnico: bicampeão da liga, tricampeão da Copa da Inglaterra, da Copa dos Campeões Europeus e uma vez vencedor da Copa Uefa. Deixou o cargo em 1983 e foi sucedido por Joe Fagan, que venceu a Copa dos Campeões em 1984 contra a Roma. Paisley morreu em 1996, aos 77 anos.

Diego Simeone, volante

Foto: UEFA
Foto: UEFA

Raçudo, temperamental e catimbeiro: estas eram as características de Diego Simeone como volante. Ganhou fama jogando pela seleção argentina e por grandes clubes europeus como Sevilla, Atlético de Madrid, Internazionale e Lazio. O ínicio e o fim de sua carreira foi na Argentina, começou no Vélez e se aposentou no Racing, em 2006. Foi na ‘La Academia’ que deu os primeiros passos como treinador e decolou quando assumiu o Estudiantes, no mesmo ano. Campeão nacional com os Pincharratas, repetiu o feito pelo River Plate. No entanto, ficou famoso mesmo quando retornou ao Atlético de Madrid. A lista de feitos de El Cholo pelo time madrilenho não é pequena: um título da Copa Uefa, uma Liga Espanhola, uma Copa do Rei e uma Supercopa da Uefa, além de chegar à final da Liga dos Campeões em 2014.

Pep Guardiola, volante

Felice Calabró
Foto: Felice Calabró

A trajetória de Pep Guardiola é praticamente uma ode ao Barcelona. Formado nas categorias de base do time catalão, o volante foi multicampeão no Camp Nou. Até a aposentadoria em 2006, também passou, sem muito brilho, por Brescia, Roma, Al-Ahli e Dorados de Sinaloa. Voltou ao Barcelona para treinar as categorias de base do Barça até ter a chance de assumir o time titular. Aí, começa a outra parte da história. Em sua primeira temporada no banco de reservas, os catalães levantaram a Champions, a Liga Espanhola, a Copa do Rei e o Mundial de Clubes da Fifa. Guardiola ainda repetiu o feito em 2011. Ao todo, tem nove títulos, cinco supercopas (duas da Uefa e três da Espanha). Depois de um ano sábatico, que tirou para aprender alemão, Pep foi para o Bayern e continuou com a série vitoriosa: bicampeão alemão, campeão da Copa da Alemanha, do Mundial de Clubes da Fifa e da Supercopa Uefa.

Fabio Capello, meia

Foto: Wikipedia
Foto: Wikipedia

O meia Fabio Capello fez uma carreira vitoriosa com passagens por Roma, Juventus e Milan. Parou em 1980, para estudar e treinar equipes de base do Milan. Em 1986 virou assistente de Nils Liedholm e ganhou experiência. A partir de 1991, começou a atuar como treinador efetivo. Foi tetracampeão italiano e campeão europeu com o Milan, bicampeão espanhol com o Real Madrid em duas passagens, campeão italiano com a Roma e bicampeão italiano com a Juve. No entanto, os títulos juventinos foram cassados após o escândalo do Calciopoli e a Internazionale herdou os scudetti. Em 2006, comandou o Real Madrid e venceu o título espanhol. Depois treinou sem grande brilho as seleções da Inglaterra e Rússia. Foi demitido pelos russos e, no momento, está de olho em qualquer vaguinha que aparecer.

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Carlo Ancelotti, meia

Ancelotti

Carlo Ancelotti foi um dos meias mais brilhantes da Itália nos anos 1980 e 90. Começou no Parma e teve grandes fases por Roma e Milan. Conquistou títulos importantes dentro e fora da Itália com dois dos esquadrões mais memoráveis da história romanista e milanista. Carlo se aposentou em 1992, e três anos depois estava de volta ao futebol como técnico. Fez bom trabalho no Parma, mas brilhou mesmo no Milan, a partir de 2001. Poderíamos ficar aqui por várias linhas falando de seus títulos, mas o que você precisa saber é que ele foi campeão nacional por Milan, Chelsea e Paris Saint-Germain, levantou três vezes a Champions por Milan e Real Madrid e ainda tem dois títulos do Mundial de Clubes da Fifa. É pouco respeito? Ancelotti está desempregado desde que saiu do Real, em junho de 2015.

Johan Cruyff, meia/atacante

Cruyff

Johan Cruyff dispensa apresentações. Revolucionário, o gênio holandês brilhou por Ajax, Barcelona e Feyenoord antes de se aposentar em 1984. Na década seguinte, virou treinador e levou o Barça a montar o inesquecível ‘Dream Team’ com Romário, Stoichkov, Laudrup e Ronald Koeman. Em 1991, sofreu um infarto que quase o matou. Aposentou-se em 1996. Em outubro de 2015, foi diagnosticado com câncer de pulmão, apesar de ter parado de fumar depois dos problemas cardíacos.

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Brian Clough, atacante

Brian Clough, Sunderland

Brian Clough pode até ser conhecido pelas suas façanhas inacreditáveis como treinador, mas antes disso teve papel importante com a camisa do Middlesbrough e do Sunderland. Foi um atacante com faro de gols e se aposentou em 1964, com uma média invejável de gols e convocações pela seleção inglesa. Treinando o Derby County e o Nottingham Forest, em um curto espaço de tempo, saiu da segunda divisão para conquistar a elite inglesa. Com o Forest, encaixou uma sequência perfeita de acesso, título da primeira divisão e bicampeonato da Europa, batendo o Liverpool, time mais temido da época. Clough é considerado uma verdadeira lenda do esporte. Morreu em 2004, depois de uma década lutando contra os efeitos colaterais do alcoolismo.

Sir Alex Ferguson, atacante

Foto: The Times.co.uk
Foto: The Times.co.uk

Sir Alexander Chapman Ferguson é uma lenda viva do futebol inglês. O escocês jogou como atacante de 1957 a 74 e disputou a Copa de 1966 com a Escócia. Atuou por toda a carreira em times do seu país e brilhou por Dunfermline Athletic, Rangers e Falkirk. Quando começou a ser treinador, mostrou enorme potencial. Surpreendeu a Europa sendo campeão da Recopa Uefa com o Aberdeen e, pouco tempo depois, despontou como comandante da Escócia, logo após a morte de Jock Stein nas Eliminatórias para a Copa de 1986. Depois da seleção, Fergie foi para o Manchester United e com algum tempo de trabalho, se consolidou como maior técnico da história do clube mancuniano: 13 vezes campeão inglês, duas vezes campeão europeu e mais uma porrada de outras Copas. Exigente e disciplinador, acumulou histórias de rixas com jogadores, mas sempre venceu e continuou no cargo. Se aposentou em 2013, deixando um legado de incríveis vitórias.

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Alfredo Di Stéfano, atacante

Foto: Telemundo
Foto: Telemundo

Quem foi o maior craque da história do futebol? Pelé ou Maradona? Há quem diga que foi Alfredo Di Stéfano, o argentino que levou o Real Madrid a dominar a Europa nos anos 1960. Atacante com uma classe inimitável, Di Stéfano largou o ofício em 1966, após dois anos jogando pelo Espanyol. A partir de 1967 virou técnico e conquistou importantes troféus por Boca Juniors, Valencia, River Plate e Real Madrid. O Real foi seu último clube como treinador, em 1991. Alfredo morreu em 2014, com 88 anos, reconhecido como grande ator de um futebol romântico.

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1 pensamento em “E se a gente fizesse uma seleção só com jogadores que viraram técnicos?”

  1. Parabéns Felipe pelos trabalhos, gostei muito do site e também sou fã das histórias que retratam os Tempos de Ouro do Futebol (Futebol Antigo).Veja bem meu amigo, sou estudante de História e tenho aqui comigo textos e quadros que falam sobre o futebol do passado,ok. Um grande abraço e aguardo um retorno de sua parte.

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