As coincidências entre os heróis da Fórmula 1 e do futebol

Schumacher em amistoso beneficente em 2003 / Foto: F1Fanatic
Schumacher em amistoso beneficente em 2003 / Foto: F1Fanatic

Por Felipe Portes e Lílian Trigo

Bem amigos, chegou aquela época do ano em que deixamos de lado as chuteiras e ficamos de olho na bandeira quadriculada. Não só o futebol tem craques, atrás do volante existem pilotos que são puro carisma.

Não vamos comparar talento, porque cada um neste grid é dono de qualidades únicas. O negócio aqui é estilo, e achamos que estes caras são parecidos em alguns quesitos. Muito embora a dinâmica dos esportes sejam bem diferentes, os ídolos demonstram características parecidas. Bom, já falamos demais, olha só o que encontramos:

Juan Manuel Fangio x Alfredo Di Stéfano

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Dois argentinos que conquistaram o mundo e até hoje figuram na lista de grandes nomes do esporte. Juan Manuel Fangio tem invejáveis 5 campeonatos mundiais e é o único piloto a ter sido campeão por 4 equipes diferentes: Alfa Romeo, Maserati, Mercedes e Ferrari.

Já Alfredo Di Stéfano reinou no futebol. Conseguiu a façanha de ser campeão por times da Argentina, Colômbia e Espanha. O time espanhol em questão é nada menos que o Real Madrid. Apenas uma vez Pelé e Maradona concordaram: o melhor jogador de todos os tempos foi Di Stéfano.

Soccer

Ayrton Senna x Pelé

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É até difícil falar de Ayrton Senna sem se emocionar ou ficar nostálgico. No entanto, não cairemos nesta cilada e vamos passar ilesos. Se tem algum jogador que pode ser comparado a Ayrton no futebol, por qualquer motivo, este cara é Pelé. Calma, não estamos dizendo que um foi mais vencedor que o outro.

Só pense nos seguintes exemplos: os dois são brasileiros, tricampeões do mundo (por McLaren e Seleção Brasileira) e considerados os melhores da história de seus esportes. Você pode até discordar dessa afirmação (inclusive nós também discordamos), mas é impossível falar de Fórmula 1 sem lembrar de Ayrton e de futebol sem citar Pelé. Só aí já é fácil fazer o paralelo. Sem falar na Xuxa…

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Nelson Piquet x Edmundo

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Polêmico, talentoso e sem papas na língua. Esses adjetivos valem tanto para Piquet quanto pra Edmundo. Não é só na carreira vitoriosa que os dois se assemelham. Piquet e Edmundo dizem o que pensam, não fogem de nenhuma pergunta e incomodam muita gente.

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Colecionam desafetos e não são muito queridos por alguns colegas de profissão. Piquet nunca escondeu sua opinião sobre Senna e criticou publicamente Alain Prost por ter ido ao funeral do brasileiro. Edmundo foi o único jogador a falar sobre a indigesta final de 1998. Apesar de terem se ‘acalmado’ um pouco em relação ao momento mais turbulento que viveram, os dois ainda mostram aptidão para declarações controversas. Ah, tanto Piquet quanto Edmundo afirmam que são Vasco desde a infância.

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Lewis Hamilton x Neymar

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2015 é o ano de Hamilton e Neymar. Um ganhou seu terceiro campeonato do mundo, o outro uma Champions League e o campeonato espanhol. Não é só nas conquistas que os dois são parecidos. Lewis e Ney gostam de uma baladinha e da companhia de famosas. O piloto namorou a Pussycat Doll, Nicole Scherzinger. Depois de idas e vindas, a relação terminou este ano, porque Hamilton não quer nada com o casamento. No ano passado, Neymar trocou juras de amor com a atriz Bruna Marquezine. O namoro não resistiu ao assédio das neymarzetes. Com toda certeza poderiam ser parças.

Agora, livres, leves e soltos, os dois podem viver a vida loca. São dois jovens craques de seus esportes, caras que assim que tiveram a primeira chance, mostraram que poderiam ser campeões. Tanto é que McLaren e Santos apostavam todas as fichas em suas crias.

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Jenson Button x Claudio Marchisio

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Não é só o perfume Hugo Boss que Button e Marchisio tem em comum. Os dois arrancam suspiros, até de quem não dá bola para Fórmula 1 ou futebol. Mas não se engane, atrás das carinhas bonitas existem dois campeões.

Jenson Button sagrou-se campeão mundial em 2009, depois de uma temporada primorosa pela novata BAR, de Ross Brawn. Claudio Marchisio é tetracampeão pela Juventus e titular absoluto da seleção italiana.

Não sabemos se Marchisio tem a tal “tocada leve” que o narrador oficial insiste em dizer que Button tem, mas conduz a bola com classe e estilo. Cada um na sua, Button e Marchisio dividem outra qualidade: foram eleitos pelos colegas como os caras mais gente boa do pedaço, o que pode não garantir o título de lenda do esporte, mas na vida conta infinitamente mais.

Uma coisa é certa, se a carreira no esporte não desse certo, eles não teriam o menos problema em ganhar a vida nas passarelas.

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Alain Prost x Zinedine Zidane

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Prost e Zidane são campeões incontestáveis, com uma mancha na carreira. O piloto ficou com fama de ‘sujo’, depois de vencer o campeonato mundial jogando Ayrton Senna para fora da pista e levou o troco em 1990, na mesma pista de Suzuka. Já Zidane, se deu mal. O carequinha, grande responsável pelo primeiro e único título mundial da Franca, na Copa do mundo de 1998, foi o vilão da final de 2006. Em um incidente nunca explicado, Zizou deu uma cabeçada em Marco Materazzi e foi expulso.

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Ambos são reconhecidos como os maiores de seus países. E claro, podemos até dissertar sobre a capacidade que tiveram para fazer o papel do bandido. Você pode amá-los ou odiá-los, mas não pode negar que os dois são gênios.

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Fernando Alonso x Cristiano Ronaldo

Foto: FIA
Foto: FIA

Um é campeão na pista, outro é campeão no campo, mas ambos dividem um título: campeão da arrogância. Que os dois são fora de série, ninguém duvida, o que falta nos campeões é um pouco de humildade.

Fernando Alonso gosta de dizer que é o melhor piloto do mundo, o que os últimos campeonatos tem insistido em desmentir. Quando as coisas não saem exatamente como ele quer, a culpa é do carro, do calendário, da pista, dos astros, mas nunca dele. Cristiano Ronaldo tem sido eleito, com justiça, o melhor do mundo nos últimos anos. O que ele faz pelo Real Madrid estranhamente não consegue repetir pela seleção portuguesa. Como tudo é minuciosamente pensado e calculado, CR7 está sempre preocupado com o cabelo, em saber onde estão as câmeras e em desfilar a nova namorada modelo.

O que não se pode negar também é que tanto Alonso quanto Cristiano sabem ser carismáticos. A prova disso é a recente postura descolada do espanhol no GP do Brasil e o notório carinho de Ronaldo pelas crianças e fãs.

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James Hunt x George Best

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Ah, os bons tempos da Fórmula 1 marota, do futebol de raíz, dos pilotos que fumavam como chaminés, dos boleiros cachaceiros… James Hunt e George Best são exemplos perfeitos de um era romântica que não existe mais. Os dois eram politicamente incorretos, mais que homens: eram rock stars. Cabelos longos, tinham mais mulheres que James Bond e curtiam a vida adoidados.

Jimmy era bom, talvez melhor do que parecia, mas chamava mais atenção pelas noitadas cheias de bebidas e mulheres que pelos tempos na pista. Já Georgie era considerado o quinto Beatle, pela histeria que provocava por onde passava.

James Hunt morreu aos 45 anos após um ataque cardíaco. George Best era alcoólatra e teve que submeter-se a um transplante no fígado. Nem assim parou de beber. Morreu em 2005, aos 59 anos.  Dois campeões que morreram cedo, mas aproveitaram a vida ao máximo e viveram no limite.

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Nigel Mansell x Wayne Rooney

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O que falta em carisma, essa dupla compensa em talento. Nigel Mansell tem mais cara de escriturário ou corretor de seguros que de piloto de Fórmula 1, mas não se engane, quando entrava no carro virava uma fera. Não é por acaso que ganhou o apelido de “Leão”. Mansell nunca primou pela inteligência e é considerado um dos pilotos mais tapados da Fórmula 1.

Já Wayne Rooney, com sua cara de mané, coleciona títulos e invejáveis recordes: 1 mundial de clubes da Fifa, 1 Copa dos Campeões, 5 títulos da Premier League, além de ser o capitão da seleção inglesa. Sob o comando de Rooney, a Inglaterra foi a primeira equipe a se classificar para a Euro 2016. Além disso, superou Bobby Charlton e Gary Lineker e tornou-se o maior goleador da seleção com 50 gols.

Dois exemplos que nunca se deve julgar o livro pela capa.

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Juan Pablo Montoya x Adriano

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O sucesso na Fórmula Indy levou Juan Pablo Montoya direto para a Fórmula 1. O colombiano era considerado um rival à altura de Michael Schumacher. A cada temporada, Montoya brilhava menos, até desaparecer sem deixar saudade. Foi para a Nascar, onde fez bastante sucesso engordando a conta bancária e aumentando consideravelmente a circunferência da cintura.

Adriano também teve seus minutos de fama. Começou no Flamengo e foi para o futebol italiano, onde jogou por Fiorentina e Parma, antes de se firmar na Internazionale. Brilhou demais com a camisa nerazzurra e da Seleção. No entanto, se perdeu no caminho e acabou parando após episódios de desinteresse pelo futebol. Hoje em dia, pode ser visto no Rio de Janeiro aproveitando festas e ao lado de mulheres, enquanto toma uma cerveja honesta ou come um x-qualquer coisa. Esse sabe viver. Em suma: você pode até ser bom no que faz, mas comer bem também é um estilo de vida. Fala aí, Montoya!

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Jim Clark x Duncan Edwards

Foto: Motorsport Retro
Foto: Motorsport Retro

O escocês Jim Clark foi um dos grandes nomes do automobilismo na década de 1960. Pela Lotus, um patrimônio britânico, conquistou dois títulos mundiais em 1963 e 65, deixando seu nome eternamente no hall dos campeões. Era extremamente talentoso, um gênio do seu tempo. É difícil dizer o que ele teria alcançado se não tivesse morrido cedo, aos 32 anos. A Fórmula 1 perdeu o seu ícone em 1968, durante uma etapa da Fórmula 2 em Hockenheim, na Alemanha. Jim se chocou com uma árvore e sofreu múltiplas fraturas, morrendo antes de chegar ao hospital.

Duncan Edwards não teve tanto tempo para mostrar seu potencial como Clark. O jovem meia/atacante estava a caminho do topo com o Manchester United e a Inglaterra quando foi uma das vítimas de um dos acidentes mais trágicos para o futebol, em 1958. A bordo de um avião que trazia o elenco dos Red Devils de Munique, o atleta e mais sete colegas morreram depois que a aeronave atravessou a pista do aeroporto alemão e colidiu com uma casa e um caminhão que trazia combustível. Duncan morreu com 21 anos depois de passar duas semanas internado em estado grave.

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Moral da história: ambos são honrados pelo povo britânico, morreram cedo e no mesmo país. Para aumentar a coincidência, Jim e Duncan são apontados por mídias especializadas como os mais talentosos de seus países, mesmo sem terem chegado ao o final esperado de suas carreiras.

Michael Schumacher x Lionel Messi

Schumacher tão carisma que resolveu aparecer com o pessoal do Barcelona em evento de gala. Foto: AS
Schumacher tão carisma que resolveu aparecer com o pessoal do Barcelona em evento de gala. Foto: AS

Ah, essa é óbvia, vai. Não tem como não colocar Schumacher e Messi em qualquer lista que envolva F1 e futebol. Até porque os dois foram de longe os maiores no que se propuseram a fazer.

Schumacher acumula sete títulos, vários recordes, taças, elogios e vitórias incríveis, coisas que jamais alguém havia visto no esporte. Capaz de sair do último lugar para o primeiro enquanto tomava um chá dentro de sua Ferrari, o alemão pulverizou todos os rivais e é o último remanescente da era dourada da F1, que se encerrou com a morte de Senna e a aposentadoria de Prost e Mansell.

Messi também entende de recorde, porque a cada temporada quebra algum. Seja em gols, em títulos, em golaços, dribles ou qualquer coisa que seja possível. Ainda lhe falta o título da Copa do Mundo, o único campeonato que ele disputou sem sucesso. Até agora… Um vencedor nato, forjado para as grandes glórias.

Rubens Barrichello x Robinho

Foto: Globoesporte.com
Foto: Globoesporte.com

Verdade seja dita: zueira à parte, Rubens Barrichello foi um puta piloto de Fórmula 1. Mesmo tendo saído da categoria sem um título mundial, o cara foi por quase 20 anos o grande piloto brasileiro do esporte, duelando de forma acirrada com Felipe Massa. O problema maior para Rubinho, no entanto, foi a cobrança. Escolhido pelo país (e pela Globo) como herdeiro de Ayrton Senna, o paulista sofreu muito com chacotas e com cobranças, por não ter sido o vencedor que se esperava. Rubinho não se ajudou em alguns momentos e vestiu o capacete de ‘novo Senna’, tentando ser o herói. Não deu muito certo. Além disso, gosta de uma intriga e uma fofoca e sempre fala mal dos companheiros de equipe.

Robinho, por sua vez, cresceu sob os holofotes no Santos, esperando que fosse o ‘novo Pelé’. O Brasil esperou por muito tempo que um dos Meninos da Vila ganhasse o mundo com dribles e jogadas fantásticas. O camisa 7 começou muito bem e foi para o Real Madrid em 2005, para ser o melhor do planeta. Contudo, deixar os principais jogadores do esporte para trás parece ter sido uma missão dura demais para o atleta, que mesmo com enorme competência, não foi bem aquilo que todos pensavam que ele seria. É um craque? É, mas bem longe de ser o maior do mundo.

No fim das contas, o apelido dos dois atletas até é parecido…

Foto: Globoesporte.com
Foto: Globoesporte.com

Riccardo Patrese x Francesco Totti

Foto: Estadão
Foto: Estadão

Riccardo Patrese: tá aí um cara que veio ao mundo para ser o segundo colocado. Ninguém na F1 (nem mesmo Rubinho, antes que façam a piada) conseguiu ser tantas vezes o segundo piloto mais rápido do grid. O italiano atravessou três décadas diferentes na categoria, conquistando o total de seis vitórias na carreira. De 1977 a 93, apesar de inúmeras barbeiragens, quase sempre foi um piloto consistente e veloz. Já veterano, teve a chance de pegar um dos melhores carros da F1, a Williams de 1992, ficando na rabeira de Nigel Mansell, campeão mundial.

Francesco Totti: tá aí outro cara que veio ao mundo para ser o segundo colocado. Coitado do capitão romanista, que está aí na praça desde 1993 e não consegue ser campeão italiano outra vez. Claro que a comparação direta com Patrese é desigual, Totti foi campeão italiano com a Roma, em 2001, e venceu a Copa do Mundo, em 2006. Há 14 anos, o craque tenta vencer outro scudetto, mas acaba sendo vice. Seja para Milan, Internazionale ou Juventus.

Totti pode ter sido segundo colocado no campo, mas é campeão no quesito carisma. A selfie depois do gol no derby é o melhor exemplo. Assim como Patrese, sempre foi sinônimo de bom humor.

Foto: Eurosport
Foto: Eurosport

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