A maldição de Hugo, o Maradona caçula que não brilhou

Foto: Old School Panini
Foto: Old School Panini

Diego Armando Maradona é com folgas o maior jogador que já passou pelo Napoli. Em um tempo rico de craques no futebol italiano, o argentino impulsionou a contratação de seu irmão pelo Ascoli. Apesar de ter traços semelhantes ao do irmão famoso, Hugo Hernán não teve 1% do sucesso de Diego. E é dele que tratamos neste post.

Em 1985, Diego já roubava a cena mundial pelo Napoli, em uma transferência que mudou a história do clube celeste. Vindo do Barcelona, o camisa 10 da Argentina deslanchou e levou o seu time ao grupo dos candidatos ao título na Serie A.

Foto: Taringa
Foto: Taringa

Naquele mesmo ano, Hugo Hernán Maradona começava no futebol, pelo mesmo clube que lançou Diego ao estrelato, o Argentinos Juniors. O irmão caçula era o segundo Maradona a tentar a sorte. Depois dele, Raúl Alfredo, o do meio, começou sua trajetória pelo Boca Juniors.

A esperança de cartolas italianos era que os outros dois membros da família tivessem tanta aptidão quanto Diego. E pelo menos nisso, Hugo começou bem. Por dois anos defendeu o Bicho, até ser contratado pelo Ascoli. Ali seria a virada de uma vida inteira. Com apenas 19 anos, ele trocou a vida humilde por uma chance de estrelato.

O início da decepção

Foto: Taringa
Foto: Taringa

Apesar de não ser exatamente um craque ou uma promessa internacional, Hugo chegou ao Ascoli como uma das soluções para um plantel modesto. A única estrela do time era o atacante Casagrande, que vinha do Porto para começar uma trajetória bem-sucedida no futebol italiano.

Na teoria, ter um Maradona no meio-campo era um diferencial para os demais. Na prática, o futebol de Hugo nunca apareceu e ele fez apenas 13 jogos. Nenhum que merecesse destaque, sobretudo pelo fato de não ter marcado gols. Se a torcida do Ascoli esperava que por ter o mesmo biotipo de Diego, Hugo triunfaria na modesta equipe alvinegra, os resultados trataram de desanimá-los.

Igualmente nanico, com um corte de cabelo parecido, um brinquinho na orelha esquerda e drible fácil, o caçula poderia se passar por Diego, olhando de longe. Talvez a visão de jogo merecesse elogios, mas as diferenças logo ficaram evidentes para quem acompanhava o Ascoli. A começar pelo número 15 na camisa de Hugo, apelidado de “El Turco”.

Maradona x Maradona

Foto: Taringa
Foto: Taringa

Foram 13 jogos em que Maradona jogou pelo Ascoli, com apenas duas vitórias, diante do Torino e do Empoli. No total, mais seis derrotas e cinco empates. Logo na segunda atuação de Hugo pelos nerazzurri, a tabela da competição presenteou a família com um confronto direto entre seus herdeiros.

A partida aconteceu no estádio San Paolo, em 19 de setembro de 1987. O Napoli venceu por 2-1 com gols de Salvatore Bagni e Bruno Giordano. Lorenzo Scarafoni fez o único tento dos visitantes. Enquanto Diego alinhava como titular e fazia a diferença, o irmão Hugo entrou apenas no início da segunda etapa, sem causar impacto.

Qualquer comparação entre os dois é brutal. Nos vídeos que mostram Hugo em ação é fácil notar que Diego nasceu com um dom e ele pegou apenas as feições. Se fosse possível atuar como dublê de um craque, o Maradona ruim não passaria fome. Por sorte, o sobrenome lhe permitiu ganhar novas oportunidades no esporte.

Os últimos 16 minutos de jogo de Hugo na Itália aconteceram contra a Juventus, em abril de 1988. O resultado foi de 1-1, pela rodada 25 da Serie A. Sem prestígio dentro dos vestiários e fora do radar de opções do técnico Ilario Castagner, o argentino acabou negociado e não atuou mais pela Liga italiana.

Foto: Todo Colección
Foto: Todo Colección

Foi para o Rayo Vallecano, da Espanha, que estava na segunda divisão. Ao lado de Laurie Cunningham, Maradona ajudou os franjirrojos a conseguirem o acesso. Contudo, na temporada seguinte, o Rayo voltou para a segundona. Antes de encarar o rebaixamento com a equipe madrilenha, Hugo passou pelo Rapid Viena e pelo Petare da Venezuela (antigo Deportivo Italia). A carreira na Europa não iria muito mais longe que isso e a solução foi aceitar um convite do Japão, onde teve sua melhor fase. Mas que não quer dizer grande coisa.

Carregando um grande peso por não ser bom como o Pibe, El Turco jogou no uruguaio Progreso antes de ir para o PJM Futures em 1992. Anos mais tarde, o clube japonês ficou conhecido como Sagan Tosu. Depois de sua saída, abriu a porta para outros argentinos defenderam o Tosu: Pedro Pasculli e Sergio “Chucho” Batista. Em 1995, Maradona transferiu-se para o Fukuoka Blux, outro que passou por mudança de nome depois disso. Hoje a agremiação é conhecida como Avispa Fukuoka. Se aposentou em 1999 pelo esquecível Toronto Italia, do Canadá.

Longe dos holofotes, das polêmicas e sobretudo das taças conquistadas por Diego, Hugo vive uma rotina em low profile, sem ser abordado pela imprensa ou perseguido por fotógrafos, algo que o Maradona famoso não pode se dar ao luxo. O começo da trajetória dos dois irmãos pode até ter sido parecido, incluindo até a infância pobre. Mas depois dos 20 anos, cada um traçou um caminho particular. E nessas bifurcações da vida, seguiram para lados opostos.

Duas histórias distintas. Um craque e um meia-boca, ambos criados na mesma casa sobre os mesmos ensinamentos. Mas o futebol só deu a um deles a chance de alcançar a eternidade.

Foto: Raúl, com a camisa do Deportivo Municipal do Peru.
Foto: Raúl, com a camisa do Deportivo Municipal do Peru.

Em tempo: Raúl Maradona também teve curta carreira no futebol. No mesmo ano de 1987 em que Hugo foi para o Ascoli, o Maradona do meio, que era atacante, assinou com o Granada, que jogava a segundona espanhola. Raúl ficou só um ano lá e depois peregrinou pela América do Sul e Japão. Em um amistoso de pré-temporada contra o sueco Malmö, o simpático clube da Andaluzia contou com os três irmãos no time. O Granada venceu por 3-2, como conta melhor o site do jornal espanhol AS.

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