O Málaga achou que Hierro não era bom o bastante e se arrependeu

Foto: Madridistas
Foto: Madridistas

Fernando Hierro foi consagrado como um dos grandes ídolos do Real Madrid nos anos 1990 e 2000. Capitão e lenda, o espanhol passou por poucas e boas antes de ser descoberto como futebolista. Em 1984, foi rejeitado pelo Málaga, com a desculpa de que não servia para o esporte. Os Boquerones não poderiam estar mais enganados.

A história de Hierro começou em Málaga. No início da década de 1980, Fernando fazia parte das categorias de base do Vélez-Málaga. Quatro anos depois, tentou dar um passo adiante em sua carreira, participando de uma peneira na tradicional equipe malaguenha.

Contudo, de alguma forma, não agradou aos integrantes da comissão técnica e de quebra, ouviu que não servia para o esporte e que não era bom o bastante. Curiosamente, o Málaga não vivia tempos muito saudáveis. Caiu em 1985 para a segunda divisão espanhola e só retornou à elite em 1988. Voltou a ser rebaixado em 90. Os Boquerones estavam mesmo na posição de rejeitar um jogador jovem com aquelas qualidades? Ou os talentos de Fernando não estavam tão evidentes assim?

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A frustração poderia ter servido para que Fernando tomasse outro rumo na vida, como milhares de outros meninos que não acertaram no jogo mais importante que fizeram: o primeiro. Mas Hierro seguiu em frente. Quem quer ser jogador de verdade não esmorece na primeira porta fechada. E por sorte, o futebol não perdeu um ícone naquele momento.

Olha a cabeleira dele. Foto: Todo Colección
Olha a cabeleira dele. Foto: Todo Colección

Três anos depois, ainda no Vélez-Málaga, o zagueiro foi para a sua segunda tentativa. Mais maduro, entendeu que merecia uma nova chance. O clube escolhido, desta vez, foi o Valladolid e as portas se abriram imediatamente após o teste. Contratado, estreou na primeira divisão em 1987, para desgosto do Málaga que lhe rejeitara.

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Um cabeludo Hierro mostrou que poderia unir a firmeza de um defensor ágil com a capacidade de finalização de um jogador ofensivo. Com essas qualidades, acabou virando a arma secreta para as táticas de bola parada. Como tinha boa estatura e sabia cabecear, se tornou também um coringa em escanteios. Chegou a atuar com o seu irmão mais velho, Manolo, na defesa do Valladolid.

Dois anos, e cerca de 60 partidas depois, o menosprezado rapaz estava acertando com o Real Madrid. Se alguém lhe dissesse que seria ídolo madridista e uma das grandes referências da defesa, além de atuar ao lado de Manolo Sanchis, provavelmente Hierro não acreditaria.

O ano de Hierro

Foto: Madridistas
Foto: Madridistas

Nas mãos do técnico John Toshack, chegou como titular em 1989 e logo se consolidou como figura do primeiro time. Marcou sete gols em sua primeira temporada e o número aumentou nos anos seguintes. Para se ter uma ideia, a campanha que teve maior participação de Hierro no Real foi a de 1991-92, com 53 jogos e incríveis 21 gols, números superiores aos de muitos atacantes dentro da Espanha.

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A versatilidade de Hierro era importante para um jogador de defesa. Ele também jogou muito tempo como volante, não apenas o último homem antes do goleiro. Na preferência do técnico Radomir Antic, Fernando era um volante de contenção e tinha mais liberdade para subir ao ataque. Como sabia sair jogando com eficiência, acabou ficando por ali, deixando uma vaga aberta na zaga.

Em janeiro de 1992, Antic foi demitido pelo Real e deu lugar ao holandês Leo Beenhakker. À aquela altura, o time liderava o Espanhol e estava com sete pontos de vantagem sobre o Barcelona. A diretoria tirou o sérvio do cargo após uma série negativa. Mesmo na Copa Uefa, a equipe também ia bem.

Se alguém ainda duvidava que Hierro poderia ser um homem ofensivo na formação madridista, o jogo contra o Espanyol pela rodada 31 do campeonato de 1991-92, calou definitivamente os críticos. Na noite de 18 de abril de 1992, Fernando teve a noite mais iluminada de sua carreira.

O dono da goleada

Foto: Vavel
Foto: Vavel

O Real jogava no Santiago Bernabéu e lutava para manter a liderança, já que o Barça vinha na cola. Leo Beenhakker escalou: Buyo, Ricardo Rocha, Maqueda, Chendo, Hierro, Lasa, Llorente, Hagi, Míchel, Luis Milla e Butragueño. O que se viu naquela noite foi um show do volante, que fez quatro gols.

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Butragueño abriu a festa aos sete minutos e marcou o segundo aos 12. Com 42 minutos, o Real conseguiu ir para o intervalo com a ampla vantagem de 3-0, graças a Hierro. E no segundo tempo ele ainda achou tempo e espaço para mais. Em seis minutos, balançou a rede três vezes, aos 53, 55 e 59, o último de pênalti. Atordoado, o Espanyol começou a se defender para evitar um massacre histórico. Foi quando Hagi fez o sétimo e encerrou a contagem. Os catalães estavam na lona.

Hierro terminou na vice-artilharia da Liga Espanhola com 21 gols. Marcou mais três pela Copa do Rei e dois pela Copa Uefa. Um ano que tinha tudo para ser brilhante acabou em frustração, já que o Barça roubou a liderança dos rivais na última rodada e ficou com a taça. Na Uefa, o Real foi até a semifinal e caiu para o Torino de Casagrande, que acabou derrotado pelo Ajax na decisão.

Depois disso, Hierro ganhou status de ídolo. Venceu mais quatro ligas, uma Copa do Rei, três Ligas dos Campeões e dois Mundiais Interclubes. Antes do ano inspirado, já havia sido campeão espanhol em 1990.

Fernando é aclamado pelo seu período no Real Madrid. Ainda jogou pelo Al-Rayyan e se aposentou aos 37 anos com a camisa do Bolton. Esteve em quatro Copas do Mundo (de 1990 a 2002), duas Eurocopas. O que torna ainda mais bizarra a decisão do Málaga, que não viu nele nenhuma qualidade.

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