O resto da vida de Juninho após a entrada violenta de Salgado

Foto: Colchoneros.com
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Juninho Paulista saiu do São Paulo com status de promessa para a segunda metade dos anos 1990. Assinou com o Middlesbrough em 1995 e depois foi para o Atlético de Madrid em 1997, como um dos grandes jogadores da equipe colchonera. Tudo isso ficou em xeque quando o pequeno sofreu uma lesão que lhe tirou da Copa de 1998. O sofrimento do jogador naquela fase foi o impulso para a recuperação e a volta por cima.

Aos 25 anos, o meia nascido em São Paulo sonhava em participar de um Mundial com a camisa da Seleção Brasileira. E era um dos nomes na lista de Zagallo para o torneio na França, em 1998. Meses antes de chegar o tão esperado momento, Juninho sofreu um baque: fraturou a fíbula e o tornozelo após uma entrada violenta de Michel Salgado, então no Celta de Vigo, pelo Espanhol.

O jogo era válido pela rodada 23 do Espanhol, no estádio Balaídos. O jogo estava empatado em 1-1, gols de Juninho (de pênalti) e Ito, para o Celta. Aos 68 minutos, Juninho arrancava para dentro da área galega quando levou um pisão por trás de Salgado. O brasileiro sentiu dores e se agachou na hora, enquanto Michel escapou sem nem levar cartão amarelo.  O próprio Juninho comentou o incidente, anos depois.

“Eu não guardo mágoas. Ele tomou uma atitude que não deveria ter tomado. Não o conhecia. Ele teve todo o cuidado depois, queria ir no hospital me pedir desculpas, foi no vestiário falar que não tinha a intenção, mas é complicado. A maneira que foi essa jogada, a bola estava na frente, ele não visou a bola, visou exatamente a minha perna. É claro que ele não foi pra quebrar, mas foi para me derrubar”.

Juninho, em partida contra a Roma / Foto: Colchoneros.com
Juninho, em partida contra a Roma / Foto: Colchoneros.com

A contusão preocupou os médicos. A previsão inicial era de cinco meses de recuperação, mas ao início de maio, Juninho estava de volta como titular na equipe treinada por Radomir Antic. Foram dois jogos antes da convocação de Zagallo, mas não foi o suficiente para convencer o técnico a citá-lo entre os 23.

Saiu Antic do comando e entrou Arrigo Sacchi para 1998-99: o estrategista italiano não conseguiu impedir uma campanha horrorosa no Espanhol, quando o Atleti terminou em 13º. Nos torneios eliminatórios, contudo, caminhadas mais dignas: vice da Copa do Rei e semifinalista da Copa Uefa, derrotado por Valencia e Parma, respectivamente.

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O 10 cruzmaltino

Como não estava sendo tão feliz, Juninho foi cedido ao Middlesbrough, onde teve grande fase de 1995 a 1997, sendo o segundo melhor jogador da Liga inglesa, perdendo apenas para Gianfranco Zola, do Chelsea. Sem o meia, o Atlético foi parar na segunda divisão. Enquanto os colchoneros afundavam, Juninho vivia outra fase iluminada com a camisa do Vasco, durante empréstimo.

Foto: O Globo
Foto: O Globo

Pelo cruzmaltino, o nanico ergueu o Brasileirão de 2000 contra o São Caetano e a Copa Mercosul contra o Palmeiras, numa virada incrível por 4-3. O Verdão saiu para o intervalo vencendo por 3-0 e levou 4-3 em pleno Parque Antárctica. É até hoje uma das grandes façanhas na história vascaína. Naquela partida, em 20 de dezembro, Juninho fez o gol de empate (40′ da etapa final) e viu Romário completar um triplete aos 48 do segundo tempo.

Outro episódio marcante de Juninho pelo Vasco foi o 7-0 no Botafogo pela Taça Rio. No Maracanã, o meia mostrou excelente forma e fez três gols, além de dar outras assistências para Romário em uma tarde inspirada. O camisa 10 ainda jogou no Flamengo em 2002 antes de retornar à Europa. Outra vez pelo Middlesbrough, que talvez seja o grande amor de sua carreira como futebolista.

O maior jogador do Boro

CARDIFF, WALES - FEBRUARY 29: Juninho of Middlesbrough celebrates Middlesbrough's victory over Bolton Wanderers during the Carling Cup Final match between Bolton Wanderers and Middlesbrough at The Millennium Stadium on February 29, 2004 in Cardiff, Wales. (Photo by Shaun Botterill/Getty Images)
(Foto: Getty Images)

Novamente em momento oposto ao clube pelo qual se lesionou em 1998, o brasileiro conquistou a Copa do Mundo de 2002 fazendo boas aparições como reserva da equipe de Felipão. Para a sua terceira e última passagem no Riverside Stadium, Juninho vestiu a camisa 10 e emprestou a sua experiência ao modesto clube inglês a partir do segundo semestre de 2002. Custou 6 milhões de libras pagas ao Atlético, que atravessava a maior crise de sua história.

Como não havia conseguido da primeira vez, Juninho levantou uma taça com o Middlesbrough, em 2004, pela Copa da Liga inglesa, diante do Bolton. Mesmo sem repetir o desempenho que teve no Vasco, saiu logo após o título com status de ídolo. Em 2007, torcedores votaram nele como maior jogador que já vestiu a camisa do Boro. Pouca moral?

Celtic, Palmeiras e a fase final

Foto: Lancenet
Foto: Lancenet

Com 32 anos, Juninho foi para o Celtic, que conseguiu a sua contratação sem custos. O seu estilo era bem diferente do início da carreira. O baixinho rápido, driblador e audacioso armador deu lugar a um jogador cerebral, que dependia mais de sua velocidade de raciocínio do que exatamente do físico. Mais tarde, o camisa 10 passou a usar mais chutes de longa distância e passes bem colocados.

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Em apenas uma temporada pelos Bhoys, Juninho não deixou boa impressão por atuar pouco, quase sempre ofuscado por Stiliyan Petrov. Só marcou um gol contra o Hearts e saiu. O destino foi o Palmeiras, que se reforçava para a disputa da Copa Libertadores de 2005. Por duas edições o algoz na competição sul-americana foi o seu velho conhecido São Paulo.

O futebolista chegou a declarar que era palmeirense desde criança (desde pequeno não se aplica, visto que o craque tinha apenas 1,65m) e liderou o meio-campo do Verdão, apesar de lutar o tempo inteiro contra contusões. Vendido ao Flamengo em 2007, teve poucas chances e foi dispensado por discutir com Ney Franco após uma derrota para o Defensor pela Libertadores, no mês de maio. Ney foi demitido em julho do mesmo ano.

Juninho passou pelo Sydney FC em 2008 e se aposentou. Desistiu da ideia em 2010 para voltar ao Ituano, clube que o revelou profissionalmente. Como maestro, o veterano foi fundamental na campanha que salvou o Galo do rebaixamento no Paulista. Logo após o Estadual, assumiu como diretor de futebol do clube de Itu.

O que se pode fazer depois de uma lesão que ameaça a sua carreira e seus planos? Seguir em frente e tentar remontá-los. Foi assim que Juninho se levantou de uma fratura dupla e retomou o seu jogo até ser campeão brasileiro, da Mercosul, da Copa do Mundo.

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