Como os bons anos de Suker foram desperdiçados no Real Madrid

Foto: Hasta La Muerte
Foto: Hasta La Muerte

Artilheiro da Copa de 1998 e matador da Croácia, o atacante Davor Suker deixou sua marca no futebol espanhol nos anos 90. Com as camisas de Sevilla e Real Madrid, o camisa 9 buscou um lugar ao sol e se tornou em uma das forças de La Liga em seu auge.

O nome de Suker ainda causa nostalgia nos mais aficionados. Era um período glorioso para a liga espanhola. Tentando competir com a Itália, o campeonato atraía craques do calibre de Michael Laudrup, Hristo Stoichkov, Romário, Bebeto, Pedja Mijatovic, Gheorghe Hagi, entre outros.

O croata saiu do seu país natal, onde vestiu a camisa do Osijek e Dinamo Zagreb até desembarcar em Sevilha no ano de 1991. Como outros tantos que se destacaram nos primeiros anos de independência da Croácia, Suker precisou ir para o exterior atrás de um nível mais competitivo de futebol.

Em Sevilha, a partir de sua segunda temporada, se mostrou prolífico e eficiente na missão de balançar as redes adversárias. Na primeira, sofreu um pouco com a disputa de espaço com Iván Zamorano. Para um estrangeiro de 24 anos que mal falava espanhol, os nove gols iniciais de Davor não foram tão desanimadores assim.

Foto: Marca
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Como Zamorano saiu para o Real Madrid, o croata se acomodou e dominou o setor ofensivo do Sevilla. E prosperou com a ajuda de Diego Simeone e Diego Maradona, este em sua única temporada pelos blanquirrojos. Em 35 partidas, Suker anotou 13 gols na temporada 1992-93, com a sétima colocação em La Liga. As coisas melhoraram ainda mais daquele ponto em diante.

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Sob o comando de Luís Aragonés, o Sevilla fez uma campanha honrosa em 1993-94, terminando a Liga em sexto e remando até as quartas de final da Copa do Rei. Longe de competições internacionais, restou ao clube contar com os gols do croata apenas em solo espanhol. Só pela liga, Suker anotou 24, seis a menos do que o artilheiro máximo Romário, do Barcelona.

A quarta temporada de Suker pelo Sevilla em 1994-95 teve mais uma queda de qualidade no elenco. Mas nem isso abalou os planos de Luís Aragonés, que conduziu outra vez a equipe andaluz ao sexto lugar na tabela do Espanhol. Nessa campanha, Suker ficou abaixo da anterior e anotou 17 gols. O artilheiro? Zamorano, do Real, com 28. Os madridistas também ficaram com a taça do Espanhol.

Foto: Four Four Two
Foto: Four Four Two

As coisas mudaram bastante em 1995-96, última temporada com Suker no comando do ataque. A diretoria se mexeu e trouxe alguns jogadores para reforçar o plantel, mas escolheu mal e desestabilizou o trabalho que vinha sendo feito. No banco de reservas, Luís Aragonés deixou o clube para treinar o Valencia.

Depois dele, o Sevilla desmontou e se perdeu, tendo três comandantes ao longo da campanha: Toni, Vitor Espárrago e Juan Carlos Álvarez. O resultado foi uma péssima 14ª colocação, queda nas quartas de final da Copa do Rei e na terceira rodada da Copa Uefa.

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Para o croata, apenas 16 gols e a despedida. Depois da Eurocopa, quando a Croácia brilhou, o jogador acertou com o Real Madrid e mudou sua carreira de forma definitiva. O artilheiro da Liga foi Juan Antonio Pizzi, do Tenerife, com impressionantes 31 tentos.

Olá, Madrid

Foto: Marca
Foto: Marca

Finalmente o título veio para o renovado Suker. Animado com a boa participação na Eurocopa, o goleador chegou como titular e fez parceria com o montenegrino Pedja Mijatovic. O sucesso foi imediato: 24 gols, terceiro lugar na artilharia e a conquista da Liga com 90 pontos, dois a mais do que o Barcelona de Ronaldo, que marcou 34 vezes na competição.

A fantasia durou até a temporada seguinte, quando já fazendo parte do rodízio de atacantes, Suker perdeu espaço. Na campanha vitoriosa da Liga dos Campeões, que se encerrou contra a Juventus em Amsterdã, Davor entrou apenas nos acréscimos e viu Mijatovic fazer o gol do título. Raúl foi o parceiro do montenegrino na ocasião e o Real venceu por 1-0.

Suker e Raúl na final europeia de 1998 / Foto: Viejo Madrid
Suker e Raúl na final europeia de 1998 / Foto: Viejo Madrid

Veio a Copa do Mundo, a Croácia terminou em terceiro e Suker foi o artilheiro do torneio com seis gols, para surpresa geral. A arrancada foi tão boa que até mesmo a campeã França suou sangue para derrotar os axadrezados na semifinal. Lilian Thuram fez os dois gols e colocou sua seleção na final, vencida em cima do Brasil por 3-0.

Na volta do Mundial, o seu estilo não era o favorito para o chefe Jupp Heynckes, que preferia o jovem Raúl ao lado de Mijatovic. Além disso, o croata ainda tinha no banco a concorrência de Fernando Morientes, o que tornou a sua última temporada mais complicada em Madrid. Em 26 atuações no total, Davor fez apenas cinco gols e pediu para ser transferido.

O camisa 9 encerrou a passagem bem sucedida pela Espanha com oito temporadas completas, 283 partidas e 139 gols por Sevilla e Real Madrid em competições nacionais e internacionais. Graças a este esforço e pelos serviços prestados com a camisa da Croácia, Suker é sem dúvida e sem competição o grande atacante da curta história do seu país.

A história na liga espanhola acaba quando o artilheiro assina com o Arsenal e se muda para a Inglaterra, onde defende Arsenal e West Ham sem muito sucesso. Se aposentou em 2003 com a camisa do 1860 Munique, provavelmente saudoso dos bons anos vividos no Sevilla.

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Davor ainda esteve na Copa de 2002, mas uma geração envelhecida da Croácia não passou da primeira fase. Ninguém dura para sempre e com ele não haveria de ser diferente. Mas há um lugar guardado para os heróis do esporte e certamente Suker está entre eles.

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