O homem que pediu para trocar a Juventus pelo rival Torino

Segura o homem, Casão! / Foto: Wikipedia

Por Felipe Portes e Lílian Trigo

Muitos homens tiveram a audácia de trocar um clube rival pelo outro em curto espaço de tempo. São muitas as histórias de craques (e outros nem tão bons assim) que acabam jogando em times opostos durante momentos diferentes da carreira. No entanto, quando falamos sobre sair direto de um rival para o outro, a coisa muda de figura. E talvez o jogador que tenha a história mais curiosa a esse respeito seja o italiano Pasquale Bruno.

Pasquale era desses zagueiros destemidos e por vezes destemperados que arrumavam encrenca várias vezes na mesma temporada. Sua carreira durou 19 anos e envolveu diversas brigas, suspensões, expulsões e multas. Atuou por Lecce, Como, Juventus, Torino, Fiorentina, Heart of Midlothian, Wigan e Cowdenbeath.

Bruno x Baggio

O ano era 1989 e protagonizou um insólito episódio. Em 28 de maio, Juventus e Fiorentina se enfrentavam e Bruno foi incumbido de marcar o craque Roberto Baggio. No minuto 73 os dois são expulsos. Bruno bateu tanto que tirou o budista Baggio do sério. A pancadaria continuou no vestiário e como punição, os dois pegaram duas partidas de gancho e criou-se ali uma inimizade que durou até o fim de suas carreiras.
Zagueiro de grande qualidade técnica brigou (literalmente) com grandes atacantes: Gianluca Vialli, Pierluigi Casiraghi, Marco Van Basten, Florin Raducioiu e Diego Maradona. Bruno era desses que adorava colecionar expulsões. Em quase todos os clubes que passou, levou multas por este motivo.

O bad boy forçado

Pasquale, em sua passagem pelo Hearts da Escócia / Foto: Corriere della Sera
Pasquale, em sua passagem pelo Hearts da Escócia / Foto: Corriere della Sera

Ganhou o apelido “O’ Animale” de Roberto Tricella, seu companheiro dos tempos de Juventus por causa do xará Pasquale Barra, assassino arrependido da Camorra que se autodenominava O’Nimale pela violência dos seus crimes.

Pasquale, o xerifão, gosta de dizer que não fez um único amigo no futebol, nem mesmo entre os companheiros de time. O único jogador com quem teve um relacionamento considerado amigável foi o atacante Ian Rush, com quem alinhou nos tempos de Juventus.

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Sincero, o ex-atleta gosta de dizer que ficou famoso e rico por jogar sujo e criar um personagem sem o qual nunca conseguiria ter chegado aos grandes clubes. Pois esses alter-egos fazem parte do show. Por mais que tenha vivido sempre no olho do furacão e fora de controle, a saída da Juventus foi o episódio mais marcante da sua trajetória.

Quem lê qualquer coisa sobre o beque, descobre que ele abandonou a Velha Senhora para jogar no Toro. Mas há um detalhe perdido nessa transação: Pasquale foi até Giampiero Boniperti (presidente honorário da Juve) e pediu para ser vendido ao Torino.

A decisão

Foto: Wikipedia
Foto: Wikipedia

Bruno atuou com a camisa bianconera de 1987 a 1990. Em 1990, não fazia parte dos planos do técnico Luigi Maifredi para a temporada 1990-91. Foi daí que teve a ideia de conversar com Boniperti, que inicialmente perguntou se ele tinha alguma preferência de time. Bruno pediu para ser negociado com o Torino, para enorme surpresa de Boniperti.

Sabendo que lidava com um atleta difícil, o dirigente preferiu acatar a arrumar problemas. O zagueiro foi embora sem discussão para o rival. Ao longo de três anos em que defendeu o lado juventino, conquistou uma Copa da Uefa em 1990 e uma Copa da Itália.

Foto: Vebidoo
Foto: Vebidoo

No Torino, demorou a agradar a torcida, que ainda guardava certas restrições enquanto ao seu passado juventino. Contudo, usando de sua capacidade defensiva, liderou a zaga do Toro e se tornou um ídolo, levantando uma Copa da Itália em 1993. Saiu logo depois para a Fiorentina, onde venceu a Serie B.

Pela truculência, foi também um dos jogadores marcantes na história do Hearts e até hoje é saudado por escoceses pelo papel de cara mau.

Não cuspo no prato que comi: a Juve me deu sucesso, dinheiro e a possibilidade de conhecer grandes personagens como l’Avvocato Agnelli e Boniperti. No entanto, a camisa granada ficará no meu coração para sempre

Em um recente dérbi entre Juve e Toro, no dia 1 de novembro de 2014, Bruno virou sua metralhadora contra Leonardo Bonucci, a quem chamou de insuportável.

Eu era antipático, talvez o pior de todos, mas batia muito e protestava pouco. Algumas coisas me irritam e uso como exemplo o pênalti contra o Bologna por uma falta em Morata. Enquanto os jogadores do Bologna reclamam, chega Bonucci para dizer ao juíz que foi pênalti. Isso não existe. Se eu fosse um jogador do Bologna, teria sido expulso na hora. Teria dado um soco na cara de Bonucci. O comportamento dele é insuportável.

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