O ano do goleador Vieri no Atlético de Madrid

Foto: World Football Story
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Christian Vieri podia até não ser o mais técnico dos atacantes revelados pela Itália. Mas sabia uma coisa ou outra sobre como empurrar a bola para o barbante. Em carreira quase toda feita em sua terra natal, Bobo teve uma passagem marcante pelo Atlético de Madrid, apesar de não ter vencido nenhuma competição.

Em 1997-98, ele já era um verdadeiro cigano da bola. O Atlético de Madrid era o sétimo clube de sua vida profissional naquela altura. Ele começou em 1991, com a camisa do Torino e passou por Pisa, Ravenna, Venezia, Atalanta e Juventus. Era a última temporada antes da Copa do Mundo de 1998 e seria o primeiro grande torneio que o centroavante disputaria na carreira pela seleção italiana.

Logo em sua estreia pela liga espanhola, o Atlético teve o Real Madrid pela frente. E passou em branco em um empate por 1-1. Marcaram Seedorf para os madridistas e Juninho para os colchoneros. Este foi o primeiro de 12 jogos (32 no total) em que Vieri passou em branco. Mas não pense que ele saiu pela porta dos fundos em virtude disso.

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Mais um jogo sem marcar foi o suficiente para despertar o monstro em Bobo. Contra o Leicester (pela Copa Uefa) e o Celta, pelo Espanhol, ele marcou três vezes, sendo duas contra os celestes. No entanto, o placar terminou em 3-3. Um pouco adiante na temporada, Vieri emplacou uma sequência de cinco partidas com gols. Em duas delas, goleadas contra Zaragoza e PAOK (5-1 e 5-2), com tripletes do italiano.

Os gregos sofreram o gol mais notável do ano de Christian. Em falha clamorosa do goleiro, Vieri dominou em cima da linha de fundo e bateu com curva para dentro da baliza. Uma façanha impressionante:

Se alguém ainda duvidava do seu poderio ofensivo, ali não houve mais margem para tal.

Os gols empurraram uma sequência positiva para os colchoneros, que encaixaram sete vitórias consecutivas. O time subiu para a quarta colocação, com 20 pontos, cinco atrás do líder Barcelona. E outra vez o Real Madrid cruzou o caminho dos atleticanos. Mais um empate em 1-1, agora com gols de José Mari e Sávio. Para reagir e continuar vivo na briga pelo título, Vieri se esforçou bastante.

Foram oito gols em seis jogos, castigando Athletic, Real Oviedo (dois gols contra cada), Mérida, Zaragoza, Espanyol e Aston Villa. Praticamente descartado no Espanhol, restava ao Atlético se dedicar à campanha da Copa Uefa. Nas semifinais, os madrilenhos pegaram a Lazio.

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Depois de eliminar o Aston Villa, Vieri deu show e deixou quatro gols contra o Salamanca, mas em uma tarde péssima para a defesa espanhola, o placar acabou em 5-4 para os Charros. O romeno Gabriel Popescu anotou um triplete e estragou o que seria uma noite perfeita para Bobo no estádio El Helmántico.

Foto: Old School Panini
Foto: Old School Panini

O Atlético perdeu para a Lazio no placar agregado e acabou em quinto lugar na Liga. Pela Copa do Rei, uma modesta participação que se encerrou nas oitavas de final, contra o Zaragoza.

Além da temporada frustrante, o Atleti teve de lidar com a grave lesão de Juninho, que fraturou a fíbula em fevereiro de 1998 após um carrinho maldoso de Michel Salgado, do Celta de Vigo. Por causa da entrada violenta, o meia ficou de fora da Copa do Mundo de 1998. Foi até homenageado por Vieri semanas depois da lesão, que fez dois gols no Oviedo e mostrou uma camisa com o nome e o número do brasileiro como forma de apoio.

Mas o ano não foi de todo ruim para Vieri. Ele foi o artilheiro do Espanhol e conquistou o Troféu Pichichi com 24 gols em 24 jogos. Motivado, fez cinco gols na Copa do Mundo e a Itália caiu nas quartas de final. Bem cotado na Europa, acabou voltando para a Itália com a proposta de 25 milhões de euros da Lazio.

O Atleti de Vieri / Foto: Magazine of football pictures
O Atleti de Vieri / Foto: Magazine of football pictures

No fim, apesar de deixar saudades na torcida colchonera, Vieri não conseguiu ser campeão com a camisa atleticana. Nem mesmo fazendo gols a rodo e ajudando o time a ficar nos trilhos, faltou uma formação mais consistente e menos partidas frágeis como a que ele conseguiu quatro gols ante o Salamanca. Com companheiros de melhor nível, provavelmente o destino teria sido outro e além da artilharia, Christian teria comemorado uma passagem bem sucedida em todos os sentidos pelo Vicente Calderón.

O salão nobre pode até não ter registros na temporada 1997-98 por parte de Vieri, mas estes gols aqui são a prova de que o matador deu o seu melhor em uma curiosa temporada na Espanha…

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