Os 70 anos de Gerd Müller, a quem a matemática é incapaz de mensurar

Foto: Kicker
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Neste 3 de novembro, um verdadeiro mito faz aniversário. Rei dos gols e craque da grande conquista mundial da Alemanha em 1974, Gerd Müller faz 70 anos de vida. Mas o que ele representou para o esporte além de ser referência dentro da área?

Poucos clubes tiveram a chance de ver Müller com a sua camisa, marcando gols. Profissionalmente, apenas o desconhecido Nordlingen, o Bayern e o Fort Lauderdale Strikers. Durante 18 anos, o ofício de Gerd foi marcar gols e ele por muito tempo foi um dos recordistas nesta modalidade.

Por três décadas, o alemão esteve inabalável no topo da lista dos jogadores que mais marcaram gols em um mesmo ano. Nem mesmo seu contemporâneo Pelé foi páreo. Em 1972, o artilheiro anotou 82 gols e acabou superado apenas em 2012 por um igualmente genial Lionel Messi. Mas deixemos o argentino para outro dia: falemos dos feitos de Müller, ou Der Bomber.

Em números

Pela Alemanha, seus números são estrondosos. Com 62 convocações, fez 68 gols e conquistou a Eurocopa de 1972 e a Copa de 1974. Neste mesmo período, o Bayern começou a reinar na Europa e o matador brilhou: de 1964 a 79, balançou as redes 566 vezes. Antes disso havia defendido o Nordlingen, onde marcou 51 tentos em 31 partidas pela sétima divisão alemã. O desempenho assustador tirou Müller do anonimato para a fama com os bávaros em 1964. Encerrou seu ciclo em 1981, pelos Strikers, onde guardou mais 38. No total, 735 gritos de gol em partidas oficiais, segundo a RSSSF.

Esqueça os números. Pense no legado de Gerd. Quantos atacantes no mundo se inspiraram no seu estilo para triunfar? Quantos outros meninos sonharam com os seus feitos no esporte para quem sabe um dia imitá-lo diante do mundo todo? Que lições aprenderam?

A Copa foi o grande palco do pequeno germânico de 1,76m. Ele nunca se intimidou com os zagueiros que tinham quase o dobro do seu tamanho. Jogou dois Mundiais e só neles foi capaz de anotar 14 gols, com 10 em 1970 e mais quatro no torneio seguinte. A sua marca foi ultrapassada por Ronaldo apenas em 2006. Mais uma vez, passaram-se três décadas até que alguém fizesse algo parecido. Na frente dos dois está Miroslav Klose, com 16. Detalhe: os dois que passaram Müller tiveram quatro edições de Copas para isso. Gerd só teve duas.

Não é questão de fazer paralelo entre o futebol de ontem e o que Ronaldo e Klose encontraram. Jamais seremos capazes de analisar com justiça as diferenças e as dificuldades no caminho de cada um. Certo é que Müller foi durante muito tempo o homem a ser batido quando a conversa era gols.

Gerd foi um artilheiro nato, alguém que dominava a arte de vencer os goleiros. Não tinha preferência de movimentação ou fundamento, fazia gols de qualquer maneira. A geração alemã de 1954 fez a vitória contra a Hungria parecer um milagre. Enquanto isso, a de 1974, com ele, Beckenbauer, Breitner e Overath, provavelmente teria menos problemas.

Quando lembramos das duas seleções, há uma gritante diferença entre elas: uma ganhou por coragem e predestinação, a outra por talento e excelência. Cada uma derrotou um adversário genial, mas o time de 1974, que venceu diante de seu povo, tinha muito mais cacife e capacidade de vencer do que os primeiros campeões em Berna. Müller é um destes motivos, ao lado dos craques citados anteriormente. Em comparação ao seu legítimo sucessor, Miroslav Klose, Müller dá um banho: 735 contra 221 gols no total.

Se olharmos para Gerd apenas como um recordista, seus mais belos gols podem ficar perdidos pelo caminho. A matemática não é suficiente para resumir a sua passagem pelo esporte. Ela fica até pequena para tantas glórias: quatro títulos da Bundesliga, quatro da Copa da Alemanha, três vezes a Copa dos Campeões Europeus, uma Copa do Mundo e uma Euro. Bola de Ouro em 1970, sete vezes artilheiro da Bundesliga.

Saudemos os 70 anos de Gerd Müller, o maior artilheiro da história da Alemanha. Vida longa ao Bomber.

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