Como Zé Roberto superou sua decepção com a camisa do Real Madrid

Foto: Todo Colección
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Três anos depois de começar a sua carreira e estourar pela Portuguesa, o lateral-esquerdo Zé Roberto foi parar no Real Madrid, em 1997. Grande aposta para um momento de transição do clube espanhol, o brasileiro não conseguiu se firmar e acabou voltando. Mas o que sucedeu até que ele fosse cedido ao Flamengo?

A Portuguesa que chegou mais perto

Foto: ESPN
Foto: ESPN

Em 1996, Zé Roberto era titular do time que foi a sensação no Brasil, mas perdeu a final nacional para o Grêmio. Uma história de superação e que certamente teria resultado no maior título da história do clube do Canindé. Muitas hipóteses e ses giram em torno do vice brasileiro. E entre promessas não cumpridas no esporte, Zé Roberto é, olhando de fora e 19 anos depois, o maior jogador que surgiu daquele elenco.

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Chapéu na Lazio e no Palmeiras

Foto: Terceiro Tempo
Foto: Terceiro Tempo

Bola de Prata como melhor atleta de sua posição, o atleta de 22 anos enxergou uma chance de ganhar a vida no exterior. No início de 1997, Zé foi vendido ao Real Madrid por 6 milhões de dólares. A Lazio passou muito perto de ter a assinatura dele, perdendo para os altos valores oferecidos pelos espanhóis.

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O dono do clube italiano, na época, Claudio Cragnotti, planejava investir na Portuguesa, mas desistiu depois que o Real Madrid lhe aplicou um ‘chapéu’ por Zé Roberto. Quem também estava com quase tudo acertado com o jovem era o Palmeiras, impulsionado pela Parmalat.

Apresentado no Palmeiras em 2015, o jogador cumpriu uma promessa 19 anos depois / Foto: GloboEsporte.com
Apresentado no Palmeiras em 2015, o jogador cumpriu uma promessa 19 anos depois / Foto: GloboEsporte.com

Contudo, antes de colocar a caneta no papel para defender o Verdão, o craque pediu desculpas à diretoria palmeirense por ter dado sua palavra e aceito o convite do Real. Disse que um dia compensaria a falha vestindo a camisa do clube. Isso só aconteceu em 2015, 19 anos depois da promessa. Antes tarde do que nunca.

No Santiago Bernabéu, chegou para vestir a camisa 21, já que o meia Luís Enrique havia acertado com o Barcelona e deixou o número vago. A parceria tinha tudo para dar certo. Afinal, Zé mostrou muita habilidade e já tinha certa experiência como profissional em jogos decisivos. Mas, por problemas de adaptação e desempenho abaixo do apresentado na Lusa, o lateral não fez sucesso. Entrava quase sempre no segundo tempo e não conseguia impressionar. Atuou em nove partidas na temporada de estreia.

Já em 1997-98, jogou 12 partidas e foi titular em oito, jogando no meio-campo. Marcou um único gol, contra o Rosenborg, pela fase de grupos da Liga dos Campeões. O placar foi de 4-1 para os madridistas no Santiago Bernabéu e Zé balançou as redes aos 38. O Real avançou como primeiro da chave e arrancou até a conquista do torneio diante da Juventus, na Amsterdam Arena.

Marcado pelo Rosenborg

Foto: Marca
Em destaque, Zé Roberto, Seedorf, Karanka e Raúl / Foto: Marca

Ironicamente, a última partida de Zé Roberto pelo Real Madrid aconteceu também contra o Rosenborg, em 27 de novembro de 1997. Os noruegueses deram o troco e venceram por 2-0 no estádio Lerkendal, em Trondheim. O brasileiro saiu após o intervalo para dar lugar ao meia Jaime Fernández.

Na virada para 1998, o Flamengo conseguiu viabilizar um empréstimo e trouxe o atleta para o ano seguinte. A temporada, no entanto, não empolgou e o Flamengo passou em branco. Por outro lado, Zé foi muito bem como meia e voltou para a Europa para defender o Bayer Leverkusen, a fim de tentar a sorte em uma função diferente.

Zé, pelo Bayer, conversa com o mascote do time / Foto: Bundesliga Classic
Zé, pelo Bayer, conversa com o mascote do time / Foto: Bundesliga Classic

De 1999 em diante, Zé Roberto conseguiu provar que era extremamente competente como armador e assim ganhou fama internacional. Passou pelo Bayer Leverkusen, pelo Bayern de Munique, onde ganhou quatro vezes a Liga alemã, três vezes a Copa da Alemanha e duas a Copa da Liga alemã. Brilhou pelo Santos e foi um dos grandes jogadores do clube alvinegro na última década, mesmo tendo vencido apenas o Paulistão de 2007. Tudo isso como um legítimo 10, se destacando.

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O aumento no desempenho e amostras de personalidade fizeram de Zé um jogador completo. Bom batedor de faltas, incansável e com excelente aptidão física, o meia também teve boas chances na Seleção Brasileira. Esteve em duas Copas do Mundo, em 1998 e 2006, a segunda como titular. Até marcou um golaço contra Gana nas oitavas de final da Copa de 2006. De tímido e reserva no Real a um dos principais craques do Bayern de Munique, a evolução do paulista foi impressionante.

O interminável

Foto: Zero Hora
Foto: Zero Hora

A prova de que o físico faz toda a diferença é que enquanto muitos pensavam que Zé estava em fim de carreira, o atleta continuava lutando e jogando em clubes grandes com um nível respeitável. Depois de passar pelo Al-Gharafa do Catar, o veterano chegou ao Grêmio em 2012, já com 38 anos. E venceu duas vezes a Bola de Prata como um dos 11 melhores atletas do Brasileirão.

Hoje no Palmeiras, Zé Roberto renovou contrato e deve jogar em 2016 como um trunfo para partidas decisivas, já que tem participação importante na motivação dos colegas e certamente passa muita experiência a quem está em campo. Tudo isso serve para mostrar o que é a força de vontade de um predestinado. Aquele ano ruim pelo Real Madrid não abalou a confiança de um dos talentos mais duradouros do futebol brasileiro. Ainda bem.

Há quem diga que Zé ainda planeja jogar pela Portuguesa para encerrar a sua carreira. Resta saber quando antes dos seus 50 anos ele fará isso. Pique ele ainda tem.

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