O dia em que Ronaldo quis derrubar o técnico da Internazionale e se deu mal

Foto: UOL
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Ronaldo vivia tempos dourados com a camisa da Internazionale. Era o melhor atacante do mundo e deixou a Itália boquiaberta com o seu talento irresistível. Extremamente físico, o centroavante ganhou o apelido de ‘Fenômeno‘ pelo que fazia na equipe interista. Depois de se recuperar de uma grave lesão no joelho, Ronaldo retornou e bateu de frente com o técnico. Mas ao contrário do que se imaginava, acabou tendo de sair do clube por isso.

A história de Ronaldo na Itália começa em 1997, quando foi comprado por 48 milhões de liras por um enfeitiçado Massimo Moratti. Anos antes, o mandatário interista apostou as fichas no jovem Caio Ribeiro e se deu mal. Mas naquela ocasião era diferente. Astro do Barcelona, Ronaldo era consagrado como um dos melhores do mundo e autor de gols fantásticos.

Contratar um monstro como ele foi um movimento inteligente por parte de Moratti. Não era bem o desejo do Fenômeno sair da Espanha, mas atuar em uma liga relevante e forte como a italiana serviu de consolo. E o craque despontou rápido para recompensar o dirigente pela transação.

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O estouro na temporada 1997-98 foi imediato: 34 gols em 47 partidas no geral, por Liga, Copa e competições europeias. Veloz, implacável e ávido por balançar as redes, Ronaldo podia driblar com facilidade e praticamente em tempo diferente dos demais, tamanha técnica. No entanto, deu azar de encontrar grandes adversários na briga pelo scudetto e a Inter só venceu um título durante a sua passagem de cinco anos: a Copa Uefa, contra a Lazio, com direito a gol dele na decisão (3-0).

Até hoje interistas reclamam de um pênalti decisivo de Iuliano não marcado em Ronaldo no confronto direto entre os nerazzurri e a Juventus pela Serie A.  Com uma vitória por 2-1, os bianconeri ficaram com a taça rodadas depois. Não que isso diminuísse a importância do brasileiro. Fez parcerias memoráveis com Iván Zamorano, o chileno que inovou ao usar a camisa 1 + 8 que simbolizava o seu desejo de ficar com o número 9, usado por Ronaldo a partir da segunda temporada, em 1998-99.

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Batistuta e Ronaldo em confronto / Foto: UOL

Era uma fase dourada para os fãs de artistas da bola como Filippo Inzaghi, Gabriel Batistuta, Christian Vieri, Oliver Bierhoff e Ronaldo. Os cinco disputavam espaço no fim dos anos 1990 e quem ganhava era o torcedor, pasmo com os golaços marcados nos gramados italianos.

Os pesadelos de Ronnie

Foto: Storie di Calcio
Foto: Storie di Calcio

Ronaldo voltou da Copa do Mundo com um fantasma na bagagem. O Brasil perdeu por 3-0 da França e o atacante sofreu uma convulsão horas antes da final. Abalado, teve de trabalhar bem o lado psicológico ao longo da sua segunda temporada com a Inter. Contudo, foi atrapalhado por lesões e compromissos com a Seleção Brasileira. Outra vez, o scudetto escapou, com o Milan vencendo a disputa por apenas um ponto de vantagem sobre a Lazio. Já os nerazzurri ficaram em um péssimo oitavo lugar.

Se as coisas iam mal, para 1999-00 o drama só aumentaria para o centroavante. Em dezembro daquele ano, diante do Lecce, sofreu uma contusão seríssima no joelho e ficou afastado por quase um semestre. Na sua volta, contra a Lazio, já em 2000, outra vez o joelho estourou e o mundo inteiro ficou comovido com as imagens. Em plena final da Copa da Itália, o craque perdia para o destino. Mas não para sempre.

A volta por cima e a saída turbulenta

Foto: Campania Biancocelesti
Cúper e Ronaldo: desafetos desde o início / Foto: Campania Biancocelesti

O tempo até a recuperação plena foi de um ano, fazendo-o perder a temporada inteira de 2000-01, vencida pela Roma. Médicos não acreditavam que Ronaldo pudesse retornar com o mesmo vigor físico e a explosão de antes. Outros até diziam que ele perderia a Copa de 2002. Bobagem, não havia como impedir o Fenômeno de correr para a glória.

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O Brasil foi campeão do mundo com um revigorado Ronaldo marcando gols importantes. Mesmo atuando só na segunda parte da temporada 2001-02, o jogador foi crucial para o sucesso da geração treinada por Felipão na Coreia/Japão. Pela Inter, fez 16 aparições. Na Serie A, a Juventus ergueu a taça em nova disputa acirrada com os nerazzurri. A Lazio venceu o time do brasileiro por 4-2 no último jogo da competição e minou as chances de Ronaldo encerrar sua passagem com uma conquista nacional. A corda rompeu entre o jogador e o técnico Héctor Cúper a partir dali.

De volta do Penta, o camisa 9 estava motivado, mas teve uma nova batalha a travar. Agora o adversário não era o azar e nem os zagueiros pelos campos mundo afora. O inimigo era íntimo: o técnico. Para o atleta, Cúper não fazia questão de tê-lo no elenco e o escalava sem plena forma física. A situação irritou o brasileiro, que valorizado com a artilharia do Mundial, pressionou a diretoria para demitir o argentino.

Provavelmente o craque pensou que teria vantagem na negociação e venceria o duelo por ser novamente um dos melhores do mundo. Porém, a diretoria da Inter apostou no projeto de Cúper e manteve o comandante, em detrimento do goleador. Decepcionado por ser preterido, ele negociou com o Real Madrid e voltou ao futebol espanhol, passando muito perto de acertar com o seu antigo amor Barcelona. Os merengues desembolsaram 39 milhões de euros para contar com Ronaldo de 2002 em diante.

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A torcida interista se decepcionou pela primeira vez. Anos mais tarde, o Fenômeno defenderia o Milan, piorando ainda mais uma relação que terminou de forma brusca naquele segundo semestre de 2002. Quem também teve motivos para se sentir traído foi o Flamengo, em 2008. Mas isso é uma outra história que vale um texto à parte.

Estatisticamente, Ronaldo não foi mal na Inter, mesmo sem ganhar nada dentro da Itália. Em 99 partidas, anotou 59 gols e deu assistência para outros tantos. A justificada ausência por problemas no joelho culminou na pior fase da sua carreira.

Para não dizer que tudo deixou de ser bonito ali, o mundo ainda se encantaria bem mais com a sua facilidade em praticar futebol, mesmo com o físico prejudicado por aumento de peso.  Gigantes como Ronaldo sabem bem o caminho para a superação, mesmo que o corpo diga que não é possível. O que não dá para superar, no entanto, é a falta de identificação com a maioria das equipes pelas quais ele passou.

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