A passagem decepcionante de Caio Ribeiro pelo futebol italiano

Foto: Pinterest
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Caio Ribeiro é desses que fogem ao arquétipo comum dos jogadores de futebol. Ao contrário da maioria dos jogadores que se criam no esporte, não teve uma infância pobre ou sofria com os perrengues sociais e culturais a que muitos são submetidos. Revelado pelo São Paulo, era o retrato perfeito de atleta talhado para o Morumbi: um menino inteligente, talentoso e que tinha tudo para se dar bem em qualquer profissão. No entanto, uma ida precoce ao futebol europeu prejudicou bastante a carreira de Caio.

Ao lado de Denílson em treino do São Paulo / Foto: Terceiro Tempo
Ao lado de Denílson em treino do São Paulo / Foto: Terceiro Tempo

Tudo começou a mudar para o atacante no ano de 1993. O São Paulo caminhava para ser bicampeão mundial e vivia um momento de transição, apostando um pouco mais na meninada formada nas suas equipes juvenis. Um deles foi Caio, que conquistou sua vaga entre os titulares depois de impressionar Telê Santana com seus gols. A aposta vingou e logo o jovem se tornou um valor interessante para o Tricolor, não só um membro do ‘Expressinho‘, apelido dado ao time B.

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Ainda encarado como promessa, Caio estourou de vez como o craque do Mundial sub-20 pelo Brasil, em 1995. O torneio foi realizado no Catar e vencido pela Argentina do capitão Juán Pablo Sorín, que bateu a Seleção brasileira na final. Como camisa 9, o atacante são paulino anotou cinco gols em seis partidas. Essa participação de Ribeiro chamou a atenção da Internazionale, que tinha acabado de ser comprada pelo magnata italiano Massimo Moratti.

Foto: eBay
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Moratti, que injetou muito dinheiro no clube por mais de uma década, via em Caio um diamante a ser lapidado. Aos 20 anos, o garoto arrumou as malas e foi para a Itália tentar se destacar entre vários astros da época.

Chegando lá, a pressão foi muito grande, bem maior do que ele esperava. Foram gastos 2,5 milhões de libras na sua contratação e a cobrança veio cedo, mesmo com as poucas atuações sob o comando de Roy Hodgson. Sem impressionar nos treinos e escalado apenas seis vezes na primeira temporada, Caio foi de jovem talento a flop sem ter muito tempo para se mostrar uma aposta certeira.

Uma das raras fotos de Caio vestindo a camisa do Napoli / Foto: Vebidoo
Uma das raras fotos de Caio vestindo a camisa do Napoli / Foto: Vebidoo

Se uma temporada ruim poderia determinar se um novato seria um sucesso ou um fracasso, duas então nem se fala. Emprestado ao Napoli, também não se saiu bem e minou sua popularidade com as equipes italianas. Saiu com apenas um gol do San Paolo, contra a Lazio, nas quartas de final da Copa da Itália. A fase só não foi pior porque Caio tinha colegas brasileiros nas duas equipes.

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Na Inter, dividiu espaço com Roberto Carlos e no Napoli tinha André Cruz e o meia Beto. Beto, aliás, também não guarda boas lembranças dos partenopei e voltou para o Brasil junto com Ribeiro ao fim da temporada 1996-97. Hoje em dia, é seguro dizer que o único Caio respeitado pela torcida do Napoli é o amigo Caio Bitencourt, colunista do time no ESPN FC

Abalado com o fracasso em terras italianas, Caio fez as malas e voltou ao Brasil para tentar retomar a carreira. Tinha 22 anos e muito chão pela frente. Defendeu o Santos, o Flamengo, o Fluminense, o Grêmio, Rot-Weiss Oberhausen e Botafogo, time pelo qual se aposentou em 2005. A carreira promissora que se desenhou em 1995, acabou nunca se realizando. Seus títulos mais importantes vieram com o São Paulo: a Supercopa Libertadores de 1993 e a Copa Conmebol de 1994. Pelo Santos, venceu o Rio-São Paulo em 1997 e pelo Flamengo o Carioca e a Copa Mercosul de 1999.

Caio foi tentar a sorte como comentarista na TV e acabou emprestando a sua voz à franquia do Fifa, nos videogames. Não é polêmico e nem emite opiniões contundentes ou exclusivas, mas é de longe mais respeitado e conhecido do que nos tempos de jogador. O que no frigir dos ovos nem é um grande demérito, dependendo da forma como olhamos para a situação.

Arte Caio Ribeiro

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