Evair por Careca Bianchesi: como o Palmeiras ganhou um ídolo inesperado

Prytz, Evair e Strömberg, o trio que empolgava a torcida da Atalanta em 1988. Foto: Quattro Tratti
Prytz, Evair e Strömberg, o trio que empolgava a torcida da Atalanta em 1988. Foto: Quattro Tratti

A história de Evair no futebol brasileiro começou a ficar conhecida do grande público em 1986, quando o atacante foi artilheiro do nacional pelo Guarani. Terminou como vice-artilheiro e vice-campeão, em um time com Neto, Ricardo Rocha, Edmar, Tite e o goleiro Waldir Peres. O mineiro teve passagem pela Atalanta e retornou ao Brasil para jogar pelo Palmeiras, mas as circunstâncias foram curiosas até que ele se tornasse ídolo no Verdão.

As boas atuações e principalmente os gols pelo Guarani chamaram a atenção da Atalanta. Em 1988, ele desembarcou em Bérgamo e deu uma nova cara ao frágil elenco nerazzurri comandado por Emiliano Mondonico. Com ele surgia a esperança de um novo goleador na elite do Campeonato Italiano.

Na temporada anterior, a Atalanta disputava a Serie B e voltou à elite junto do campeão Bologna e de Lecce e Lazio. O elenco que Mondonico tinha em mãos era escasso. Contava com alguns no meio-campo como os meias Cesare Prandelli e o sueco Glenn Strömberg, além de Ivano Bonetti, que teve uma passagem pela Juventus na temporada anterior.

Depois da conquista do acesso pelos bergamascos ficou claro que o time necessitaria de uma reformulação para permanecer na primeira divisão. E foi exatamente isso que aconteceu, com impulso da patrocinadora petroleira Tamoil. Evair, Caniggia (este cedido pelo Verona ao fim da temporada 1988-89) e Robert Prytz chegaram para mudar a cara da equipe e levá-la a outro patamar.

Foto: Old School Panini
Foto: Old School Panini

Na primeira temporada após a reformulação, os nerazzurri tiveram um bom resultado: o sexto lugar na competitiva liga, que teve a Internazionale como vencedora. Evair terminou com 25 jogos e 10 gols, um a mais que Diego Maradona, no Napoli. A campanha rendeu uma vaga para a Copa Uefa do ano seguinte. Na Copa da Itália, uma honrosa participação que se encerrou nas semifinais, com uma derrota para a emergente Sampdoria.

Em 1989-90, a sorte não foi tão sorridente para o mineiro de Crisólia: lesionado, atuou em pouco mais da metade dos jogos da Atalanta, marcando apenas cinco vezes, agora com a presença efetiva de Caniggia ao seu lado. O campeão foi o Napoli de Maradona, mas a Atalanta, apesar da campanha digna, acabou em sétimo lugar.

Em sua última temporada na Itália, 1990-91, Evair marcou 14 vezes e a equipe conseguiu um modesto 10º lugar. Na Copa Uefa, a Inter destruiu o sonho bergamasco de um título continental, eliminando a Atalanta nas quartas de final. Apesar do centroavante ainda ter um ano de contrato e ser um queridinho da torcida, acabou negociado com o Palmeiras.

A troca de Careca (Bianchesi) por Evair

Foto: Placar
Foto: Placar

O sonho da Atalanta era levar Careca Bianchesi para o time. Para os italianos todo esforço era válido para ver Bianchesi com a camisa nerazzurra. O Palmeiras recebeu 700 mil dólares mais o passe de Evair. A saudade do Brasil foi um fator preponderante para que o camisa 9 acertasse com o alviverde paulista.  Saiu de Bérgamo apelidado de “O artilheiro triste“, pois quase nunca era visto sorrindo.

Bianchesi, que jogou apenas dois anos pelo Verdão, havia se destacado e a transação, para a época, parecia uma jogada inteligente. Mais tarde, os palmeirenses se lembrariam dele apenas como aquele cara que permitiu a vinda de Evair.

Retrato de Evair em 1991: os maiores mullets da história do Palmeiras. Foto: UOL
Retrato de Evair em 91: os maiores mullets da história do Palmeiras. Foto: UOL

O sucesso no Palmeiras não veio logo de cara para o Matador. Chegou em 1991 ao clube e só conseguiu o primeiro título em 1993. Até que isso acontecesse, passou por sérios problemas com lesões, cirurgias e, obviamente, os ‘humores’ da torcida palmeirense, ansiosa por conquistas pela longa seca de títulos.

A história de Evair está intimamente ligada à do Palmeiras. Ambos se redimiram em 12 de junho de 1993, com o fim da agonia palmeirense contra o arquirrival Corinthians, na final do Paulistão. Ali, o atacante deixou de ser um renegado para virar um ídolo incontestável, o salvador de anos inglórios. Além do Paulista e de dois Brasileiros pela equipe da Turiassu, Evair conquistou a Libertadores de 1999, fazendo um dos gols na final, antes de ser expulso de campo.

O seu currículo era de um jogador de prestígio internacional, visto que tinha boa fama na Itália. Mas se alguém no Brasil dissesse em 1991 que Evair chegaria para ser um dos grandes craques da história do Palmeiras, tendo sido usado como moeda de troca na transferência de Careca Bianchesi, certamente esta pessoa seria chamada de maluca.

Já Careca, ficou dois anos em Bérgamo antes de ser transferido para o futebol mexicano. Atuou por Monterrey e Veracruz e também foi emprestado ao São José. Se aposentou em 1998.

Alguém saiu ganhando muito mais nessa negociação entre Careca Bianchesi e Evair. Essa foi a pechincha que tirou o Palmeiras da lama e o levou até a glória. Já a história da Atalanta, continuou mais ou menos na mesma, sem grandes momentos.

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