O carrinho em Maradona que fez o nome de Cannavaro no Napoli

Foto: Getty Images
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Quem vê os sorrisos de Fabio Cannavaro ao segurar a taça da Copa do Mundo ou posar para campanhas de publicidade, mal sabe o duro que o menino de Nápoles deu para conseguir seu espaço no futebol. Antes de se tornar profissional pela equipe de sua cidade, o capitão do tetra italiano resolveu ousar contra o maior craque da história de seu time: Diego Maradona.

Fabio era um dos gandulas do estádio San Paolo e viu de perto durante a sua adolescência a construção de verdadeiros mitos como Diego e seus colegas, Careca, Alemão, Gianfranco Zola, Ciro Ferrara, entre outros. Enquanto repunha a bola em jogo, se aproximava das lendas. Talvez sonhasse em ser uma delas, mas a ambição parecia exagerada para um menino humilde que vivia a paixão pelo seu clube.

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Com o tempo, no fim da década de 1980, o garoto ganhou chances e foi parar nas categorias de base dos partenopei. Teria de ralar muito para vingar. Dono de um talento incrível para pensar em formas de roubar a bola do adversário, Cannavaro ainda não era exatamente um lorde, um mestre da precisão, quando deu seus primeiros chutes nas equipes juvenis do Napoli.

Ao invés de perder tempo com molecagens, características do seu bairro e da sua cidade, conhecida pelo alto índice de criminalidade nos anos 80 – culpa de atividades mafiosas -, Fabio só queria treinar e melhorar seus fundamentos. Dizem que no começo queria ser atacante, mas acabou descobrindo aptidão para jogar lá atrás, ser xerife. Não era alto e nem forte, só lhe restava ser técnico e inteligente. E como foi.

O ídolo que conheceu o pivete

Foto: Old School Panini
Foto: Old School Panini

Em uma dessas lendas que correm o mundo e sem data nem descrição exata (como boas lendas devem ser), Cannavaro foi convidado a participar de um treino coletivo com os profissionais, isso antes de sua estreia oficial, em 1992. Quando se meteu entre os cobras do Napoli, o time era uma verdadeira potência na Itália. Peitava os grandes, tinha em Maradona um gênio imparável e a motivação única de romper o domínio dos times do norte.

Neste treino em questão, o destino colocou o jovem Cannavaro frente seu grande ídolo, Maradona. Ao contrário de muitos que se deslumbrariam com a oportunidade, o defensor não tirou os olhos e o corpo de perto do argentino. Na primeira dividida, Fabio não aliviou e chegou firme em Maradona, preocupando os veteranos e a comissão técnica. De princípio, todos acharam inaceitável a conduta do juvenil em arriscar a integridade física do astro. Todos, menos o próprio Diego.

Diego comemora o primeiro título do Napoli em 1987 - Foto: eju.tv
Diego comemora o primeiro título do Napoli em 1987 – Foto: eju.tv

Devidamente apresentados, ainda que de forma abrupta, os dois teriam uma relação que mudou a carreira de Cannavaro. De cria da base, o garoto foi encorajado por Maradona a seguir seu estilo. Ninguém no clube quis contrariar o camisa 10 e a partir dali, Fabinho passou a ser mais respeitado dentro dos vestiários. Tudo por causa de uma entrada violenta.

Poderia muito bem ter sido outro mero cão de guarda deste que a Itália revela aos montes. Ou quem sabe um galo de briga com sangue quente para intimidar os adversários na base da força. Cannavaro, no entanto, preferiu se consolidar fazendo o contrário do que mostrou a Maradona naquele carrinho.

Me chiamo Fabio

Foto: Tumblr/Interleaning
Foto: Tumblr/Interleaning

Anos depois, o moleque ganhou uma chance nos onze iniciais do Napoli, então dirigido por Ottavio Bianchi e já sem o craque argentino, punido por doping. Aos 20 anos, fez sua estreia e começou jogando contra a Juventus em 6 de março de 1993, pela 22ª rodada da Serie A. A Juve venceu por 4-3, no Delle Alpi. Canna só fez mais duas aparições no elenco profissional, na temporada 1992-93. No campeonato seguinte, entrou no time para não sair mais.

Quando a Itália finalmente conheceu o seu potencial, não havia muito o que lembrasse o seu passado e a forma como se impôs. Muito pelo contrário. A antecipação, o desarme e o controle sobre a defesa eram características fascinantes em um jogador do seu porte físico. Ficou mais um ano no San Paolo até ser vendido para o Parma, em 1995, já que os partenopei atravessavam grave crise financeira.

O resto de sua história só tratou de polir a figura de um dos defensores mais confiáveis que a seleção italiana já teve. Em grande fase, capitaneou um time em busca do tetra na Copa de 2006. Estava em forma tão exuberante que acabou ganhando o troféu de melhor jogador do mundo ao fim daquele ano.

Com passagens por Parma, Internazionale, Juventus e Real Madrid, Cannavaro encerrou em 2011 uma trajetória invejável. Pois não basta ter as ferramentas para ser campeão. É preciso ter muita vontade e determinação para sê-lo de fato.

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