A primeira e a última partida da carreira de Maldini

Foto: Old School Panini
Figurinha da primeira temporada de Maldini como profissional / Foto: Old School Panini

Paolo Maldini defendeu só o Milan por 24 anos, vivendo diferentes eras e alternando entre glórias e decepções na defesa de um dos maiores times que o mundo já viu. De 1985 a 2009, o italiano bateu diversos recordes e acumulou conquistas. Ao todo, foram 16 troféus na carreira, mais 5 Supercopas da Itália e da Uefa. Você deve saber de cor os feitos do eterno camisa 3, mas achamos legal relembrar qual foi o momento exato  de sua estreia e de sua despedida.

Voltamos ao ano de 1985. Na época, o Milan não vencia um scudetto desde 1979 e fazia suas primeiras temporadas na elite depois de retornar da segundona. A queda foi uma punição pelo envolvimento no Totonero, primeiro grande escândalo de manipulação de resultados no futebol italiano.

O Milan versão 1984-85 / Foto: Wikipedia
O Milan versão 1984-85 / Foto: Wikipedia

Para renovar o elenco, a diretoria milanista trouxe dois nomes de sucesso com a Roma, campeã em 1983: o técnico Nils Liedholm e o volante Agostino Di Bartolomei. Além deles, a dupla inglesa Mark Hateley e Ray Wilkins (Portsmouth e Manchester United) e por fim o atacante Paolo Virdis, da Udinese; No elenco, alguns nomes respeitáveis já tinham espaço, como Mauro Tassotti, Franco Baresi, Alberigo Evani,  e Filippo Galli.

O menino antes da lenda

Antes de Maldini se transformar em uma lenda, havia o conhecimento de que ele era filho de Cesare, outro defensor e multicampeão com o Milan nos anos 1960. A estreia de Paolo, o segundo membro da linhagem, aconteceu em janeiro de 1985, quando ele tinha apenas 16 anos. O duelo foi contra a Udinese, pela rodada 16 da Serie A, no estádio Friuli, em Udine.

A primeira foto de Maldini como profissional do Milan / Foto: Icon Sport
A primeira foto de Maldini como profissional do Milan / Foto: Icon Sport

Os milanistas estavam desfalcados de Tassotti e Wilkins para o confronto com os friulanos. Em sétimo lugar, a equipe treinada por Liedholm foi até o Friuli para tentar somar três pontos, vitais em busca de uma vaga europeia. A Udinese estava em 13º, beirando a zona do descenso.

Nesse contexto, os dois times entraram em campo e fizeram uma partida sem muitos destaques. O placar foi de 1-1, com gols de Franco Selvaggi para os mandantes e Hateley para os visitantes. Maldini, ainda sem nenhum fio de barba ou bigode no rosto, entrou no início da segunda etapa. Foi a sua única participação na temporada. Só voltou na seguinte, já como titular. O Milan terminou a campanha em sexto lugar e o campeão foi o surpreendente Verona. Achamos um VT perdido daquele jogo que marcou o início da trajetória de Maldini, com a transmissão da RAI.

O grande Paolo

Foto: Getty Images
Foto: Getty Images

Até 2009, Paolo disputou três vezes a Eurocopa (1988, 1996 e 2000) e quatro edições de Copas do Mundo (1990, 1994, 1998 e 2002, titular em todas elas). Passou a ser convocado em 1987 pela Itália e só deixou de figurar nas listas em 2002, após o Mundial, com a eliminação polêmica diante da Coreia do Sul. Tinha bola para jogar até mesmo a Copa de 2006, mas preferiu se dedicar exclusivamente ao Milan.

O tempo passou. Pelo Milan, 24 temporadas depois, era aclamado como um dos grandes de seu tempo, reverenciado pela maior parte da torcida. Capitão do time depois da aposentadoria de Baresi e Tassotti, Paolo só largou a faixa quando abandonou o futebol. Com a alcunha de ‘Il Capitano’, venceu sete vezes a Serie A, cinco vezes a Liga dos Campeões, três vezes o Mundial Interclubes e uma vez a Coppa Italia. No entanto, não conseguiu nenhum título com a Squadra Azzurra.

Vencedor e dono de uma história incrível, Paolo chegou aos 41 anos jogando um futebol respeitável para a sua idade. O fim da linha chegou na temporada 2008-09, com alguns recordes notáveis.

Maldini, o recordista

Ainda menino, nos times juvenis do Milan / Foto: Storie di Calcio
Ainda menino, nos times juvenis do Milan / Foto: Storie di Calcio

Jogador com mais atuações pelo Milan (902), pela Serie A (647), por competições Uefa (175), mais finais da Liga dos Campeões (oito), jogador mais novo a atuar pelo Milan (16 anos e 208 dias), atleta com mais tempo a serviço do Milan (24 anos e 132 dias), minutos jogados em Copas do Mundo (2216), mais velho a marcar em uma final europeia (contra o Liverpool, em 2005, aos 36 anos) e gol mais rápido da história das finais da Champions, com 50 segundos, na mesma partida contra o Liverpool. 

Duas despedidas distintas

Maldini é saudado até pela massa violeta no Artemio Franchi / Foto: Getty Images
Maldini é saudado até pela massa violeta no Artemio Franchi / Foto: Getty Images

Não foram poucas as homenagens ao atleta que mais defendeu a camisa do Milan em toda a história. São tempos em que façanhas parecidas estão cada vez mais escassas (Rogério Ceni chega a seu 25º ano no São Paulo) e por causa disso, o reconhecimento pelos serviços prestados foi a marca da última temporada de Paolo como profissional.

Estava em boa forma, mas sentiu que não podia mais ajudar como antigamente. Recebeu alguns convites para amistosos de despedida, mas negou todos com elegância. Queria encerrar seu ciclo em um jogo oficial, do jeito certo.

O título não veio, já que a Internazionale disparou na frente e terminou com 10 pontos a mais do que Juve e Milan, segundo e terceiro, respectivamente. Apesar da frustração, Maldini parou com uma vitória. O duelo foi contra a Fiorentina, na rodada 38. Obviamente, como titular. Antes disso, disputou 31 partidas, sendo 29 titular absoluto e em campo durante os 90 minutos.

O Milan venceu por 3-0, fora de casa, em 31 de maio de 2009. Kaká e Alexandre Pato foram os responsáveis pelos gols milanistas contra a Viola. Uma semana antes, o camisa 3 teve a chance de se despedir da torcida no San Siro. Porém, o time não teve bom desempenho e perdeu para a Roma por 3-2.

O adeus na casa milanista teve um gosto amargo, já que os ultras criticaram Paolo e gritaram o nome de Baresi após o apito final. Enquanto dava a sua última volta olímpica no San Siro, faixas foram expostas com os dizeres: “Ouça o aplauso de quem você já acusou de ser mercenário e pedinte. No campo você foi um eterno campeão, mas fora dele desrespeitou a quem lhe fez rico“, fazendo menção às palavras ditas por Maldini após a derrota para o Liverpool em 2005, pelaa Champions.

A ingratidão de parte dos milanistas jamais poderia apagar o que foi conseguido pelo lateral-esquerdo. Mas certamente manchou um dia especial para o ídolo que acenava pela última vez em sua brilhante trajetória. Interistas, juventinos, violetas, laziales e romanistas ainda se curvam ao homem que desafiou o tempo para ser um gigante.

Infografico Maldini

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