Por que Stojkovic não estourou em clubes como se esperava

Piksi figurinha Iugoslávia
Foto: Old School Panini

No fim dos anos 1980, a Iugoslávia mostrou ao mundo que tinha uma geração invejável de talentos capazes de tirar o país do papel de coadjuvante nas competições internacionais. Impulsionada pelo sucesso do Estrela Vermelha na Copa dos Campeões de 1991, a nação enfrentava um momento de transição política e perdeu alguns de seus craques no caminho. Um dos que ficaram para contar história foi o meia Dragan Stojkovic, maior esperança do futebol na região.

Piksi, como era conhecido pelos próximos, foi revelado pelo Radnicki Nis em 1981 e passou cinco anos no clube até despontar para o Estrela Vermelha. Lá, se destacou e preferiu deixar o país em busca de reconhecimento internacional. Ganhou a condecoração de ‘Estrela do Estrela Vermelha’, prêmio concedido aos jogadores mais importantes da agremiação de Belgrado.

Em 1990, depois de fazer uma grande Copa do Mundo com a Iugoslávia, assinou com o Olympique de Marselha, que investia demais em um time forte para ser campeão europeu. Mas a hora talvez não fosse apropriada para o individualismo.

Foto: Old School Panini
Risos? Só na figurinha mesmo / Foto: Old School Panini

Dragan teve de cara alguns motivos para se arrepender da mudança para a França. Se lesionou no joelho no início da temporada e ficou afastado por vários meses, quando virou um mero reserva de luxo. O Marselha era comandado por Franz Beckenbauer, que abandonou o cargo no meio do caminho. Para o seu lugar veio Raymond Goethals.

A decepção de Stojkovic não parou por aí. Quando foi para Bari na final europeia de 1991, reencontrou o seu Estrela Vermelha. A ligação com os ex-companheiros era tão grande que o atleta se recusou a bater um dos pênaltis na decisão, mesmo sendo um verdadeiro especialista em bolas paradas. Goethals acatou a sua decisão, mas as coisas não foram simples daquele momento em diante.

O Estrela levou a taça após um empate horroroso no tempo normal e se beneficiou do tiro perdido por Manuel Amoros. Era o segundo título continental de equipes sérvias. Em 1976, o Partizan conquistou a Copa Mitropa.

Depois disso, Stojkovic não teve muitas alegrias pelo Marselha. O homem de dribles rápidos, passes meticulosos e visão de jogo não embarcou para a França. Ficou perdido em algum lugar da Sérvia. A queda de rendimento somada a lesões incomodavam o atleta, que pelo menos ainda desfrutava de boa reputação em seu país como craque.

O empréstimo ao Verona

Foto: Old School Panini
Foto: Old School Panini

Cedido pelo Marselha ao Verona em 1991-92, Stojkovic teve seis meses para mostrar um bom futebol na competitiva Serie A. O problema é que o sérvio não causou impacto em 19 partidas que fez com a camisa do simpático time veronês. Nove anos depois de um mágico scudetto, faltavam peças para fazer do Verona um candidato ao título. O resultado de uma péssima temporada com uma equipe frágil foi a queda para a Serie B. E mais uma vez as coisas davam errado para Piksi.

A cada temporada abaixo do esperado, aumentava o contraste entre o Stojkovic com a camisa da seleção e o do Marselha. Devolvido aos franceses, o meia esteve no elenco campeão europeu em 1993, contra o Milan. No entanto, não foi relacionado para a decisão e nem apareceu nos confrontos decisivos. O homem que custou 5.5 milhões de libras estava ocupado demais afundado na depressão por não conseguir se manter fisicamente bem para os desafios da carreira.

A boa fase no Japão

Foto: AP
Foto: AP

No total, quatro anos foram perdidos no estaleiro do Marselha, sendo apenas figurante no título francês de 1991. Neste intervalo, Stojkovic fez menos de 30 partidas pela Liga e desfalcou a equipe em seu principal título. O jeito foi se mudar para o Japão para pelo menos ter um fim de carreira digno. Aos 29 anos, o sérvio aceitou o convite do Nagoya Grampus e se tornou um dos maiores ídolos da torcida japonesa.

Enquanto envelhecia, talvez tivesse ideia de como o destino lhe tirou a alegria no auge. Poderia ter vencido a Copa dos Campeões como titular, camisa 10 e capitão do Estrela Vermelha, mas foi para o exterior no momento errado. Pela Iugoslávia, ainda fez uma Copa de 1998 exuberante e uma Eurocopa de 2000 para ninguém botar defeito.

Era o maestro do Grampus e foi amplamente reconhecido pelo que fez com a camisa da equipe de Nagoya. Por sete temporadas foi a grande referência dentro dos vestiários, servindo de exemplo para os então ingênuos japoneses, em seus primeiros passos no futebol. Conquistou duas vezes a Copa do Imperador (1995 e 99) e se aposentou em 2001.

“Não tive a intenção de machucar ninguém. Mas foi mesmo um gol muito bonito”.

Tanta importância lhe rendeu o cargo de treinador entre 2008 e 2013. Em uma partida pela J-League, ganhou as páginas do noticiário ao dominar e fazer um gol da lateral. O juiz não gostou da brincadeira e expulsou Dragan de campo. O Grampus perdeu por 2-1 para o Yokohama F-Marinos.

O que tanto deu errado

Foto: The inside left
Foto: The inside left

Depois de sua aposentadoria, Stojkovic fez uma análise fria sobre o que deu certo e o que falhou em sua carreira. As lesões são o principal fator para o insucesso. E pensar que tudo parecia muito brilhante em 1990, quando ele partiu para Marselha. O talento de fato não faltou em nenhum dos 20 anos como profissional. Só o corpo que deixou a desejar, prejudicado por repetidas operações sérias.

Stojkovic, sobre suas duas operações no joelho

Foto: The inside left
Foto: The inside left

“Quando decidi encarar a segunda, me conformei que seria a última vez que me submeteria a uma cirurgia. Se a dor continuasse, teria de desistir. Diria a todos um muito obrigado, mas iria passar meu tempo pescando. 

Força mental é muito importante. Acho que sempre fui um lutador. Trabalhei duro demais e não desisti. Mas creio que possamos dizer que não joguei com pleno potencial depois disso. Nunca mais tive 100% da minha agilidade e técnica. Era eu, mas não jogava como queria. Era como estar em um outro corpo diferente”.

Infográfico Stojkovic

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