Por que é muito legal jogar o torneio feminino no FIFA 16

O FIFA 16 finalmente chegou em nossas casas e agora é possível sentir o gostinho de novidade, poder jogar com os times da nova temporada, entre outras coisas implementadas no game. Contudo, a meu ver, a grande inovação é contar com 12 times femininos em um torneio. E é sobre esta competição que vou tratar. Já de cara antecipo: foi muito legal a experiência.

A “Copa das Mina” é um modo alternativo de jogo que está presente no Fifa 16. Pela primeira vez na série o usuário pode controlar equipes femininas, que obviamente não podem ser misturadas com as masculinas em confrontos amistosos.

É possível escolher 12 seleções: Alemanha, Austrália, Brasil, Canadá, China, Espanha, Estados Unidos, França, Inglaterra, Itália, México e Suécia. O que é pouco, mas pelo menos representa um grande salto na franquia. É de se esperar que nas próximas versões tenhamos mais equipes e até ligas grandes para um modo manager com as meninas. Pelo menos é um sonho bom, convenhamos.

Pois bem, para a minha primeira tentativa séria de jogar a Copa das Mina, resolvi escolher a França. Cheguei a jogar com a Inglaterra antes, mas com apenas cinco minutos de jogo para testar. Perdi a final para os EUA. Desta vez, com os seis minutos que utilizo no Manager, tentei a sorte com as francesas. O formato é simples: três grupos com quatro seleções, as oito melhores avançam para as quartas de final.

O pontapé inicial

Print Copa das Mina 1
Na minha chave, que preferi não alterar depois do sorteio, peguei Canadá, China e Alemanha, pedreiras incontestáveis. A estreia foi contra o Canadá, venci por 2-1 meio na cagada. Ainda estava entendendo a dinâmica do time e tentando me readaptar. Há uma sutil diferença entre jogar com os caras e com as moças. E posso dizer que é mais divertido o modo delas.

A fase de grupos

Venci o Canadá saindo na frente (gol de Necib, a capitã e melhor jogadora da seleção) com um golaço de falta. Levei o empate quase com o jogo acabando, mas consegui marcar o segundo nos acréscimos, de cabeça, com a Lavogez. Que sufoco. (2-1)

Contra a China foi um pouco mais complicado passar da defesa. As chinesas fecham demais o meio-campo e você não encontra chances para entrar na área. Outra vez ganhei com gol no fim, agora com Thiney. A atacante saiu sozinha e bateu na gaveta para sacramentar a nossa segunda vitória. (1-0)

Para fechar a fase de grupos, enfrentei a Alemanha valendo a primeira posição. Escalei várias reservas para poupar o time principal que jogaria a segunda fase. Pressionei demais, mas quando errei, fui punido pela máquina. Levei dois gols bobos da Laudehr e da Schmidt. Depois de muita insistência e bolas na área, consegui sofrer um pênalti. Le Sommer bateu na gaveta. Porém perdi. (2-1)

Mata-mata

Enfrentei o Brasil sabendo que teria um desafio maior do que contra Canadá e China. Outra vez com as titulares em campo, comecei com segurança. Pá, pá, pá, gol da Delannoy, em sobra de um escanteio. Thiney teve espaço e ampliou para 2-0. Quando eu já administrava e tirava as principais meninas de campo para descanso, sofri um pênalti com Necib. Ela era uma das poupadas, apesar de estar como minha batedora oficial. Botei a Henry para cobrar e ela fez. (Brasil levando gol de Henry é muito 2006).

Já tava conformado com o passeio quando em uma cabeçada a Delannoy matou o jogo: 4-0 para a França, estávamos nas semifinais. Chegou até a dar dó das meninas brasileiras, porque a Marta mal tocou na bola e a Cristiane só entrou no segundo tempo, já com 2-0 contra. Falar que o meu time teve um dia de Zidane/Henry seria injusto com elas. É mais fácil e coerente dizer que Necib, Thiney, Henry e Delannoy estiveram impecáveis mesmo. Vamos colocar os pingos nos is.

Unfortunately it didn’t happen

Nas semifinais, enfrentei os Estados Unidos. A seleção que é tricampeã mundial e tem as melhores e mais famosas jogadoras do planeta. Porém, encaixei uma formação com mais meninas no meio-campo e deixei Thiney sozinha na frente. (Geralmente ela faz dupla de ataque com a Le Sommer) O resultado da ousadia foi um jogo rápido e sem erros. Coloquei as americanas na roda e poderia ter goleado, mas dei azar.

O lance capital do jogo remete à genialidade da escola argentina. Dominei uma bola com a Necib perto da área e vinham três adversárias na marcação. Parei por um segundo para ganhar tempo e espaço (“la parada”, como dizem na Argentina), fiz um passe magistral entre elas e achei Abily passando na esquerda. Ela cruzou na medida, no segundo poste. Le Sommer testou e venceu Harris (não entendi porque Hope Solo não jogou). Festa na França, 1-0.

Foi tão fácil e fluído enfrentar os EUA que eu poderia facilmente ter feito mais três ou quatro gols. Thiney perdeu duas chances incríveis em jogadas da lateral Boulleau pela esquerda. Cabeceou na trave e a bola quicou em cima da linha. Até apareceu a observação da Goal Line Technology para provar que não foi gol. Na volta, Harris estava completamente batida e nem viu Thiney tentar a segunda vez. A cabeçada bateu de novo no travessão e saiu. Ganhamos. Pensei que se batesse os EUA, poderia ganhar de qualquer um. Mas vinha a Alemanha pela frente.

Alguém por favor pare esta Alemanha

Motivadas, as meninas chegaram à final para uma revanche particular contra a Alemanha. Aí sim vale um paralelo com os homens: de todas as vezes que a França enfrentou os germânicos em Copas, só venceu uma vez, em 1958, na disputa do terceiro lugar. Depois disso, só levou ferro: destaque para 1982, 1986 e 2014. É uma relação de freguesia que atravessa as décadas e transcende os gêneros.

Outra vez armei o time para errar o mínimo possível. Povoei o meio-campo para privilegiar jogadas centrais e a marcação. Abily e Henry ficariam na volância, deixando Necib, Thomis e Le Sommer como meias-armadoras e livres para atacar. Na frente, Thiney seria a responsável por botar a bola na rede.

Não dá pra errar no Fifa 16. Uma cagada na marcação ou um drible humilhante podem decidir uma jogada. E foi isso que aconteceu no primeiro tempo. Dei um bote errado com a Renard na ponta direita. Kessler tocou para o meio e achou Maroszán. Não é que a germânica dominou, apontou e meteu uma bicuda bem na gaveta?

Bouhaddi não pegaria a bola nem se tivesse dois metros e fosse a Hope Solo que come petit-gateau. Foi um golaço que destruiu a moral das francesas. Voltei ao jogo para tentar reagir e partir para o abafa. Tentei durante os 90 minutos achar uma bola que pelo menos empatasse, mas falhei. A goleira Angerer também fechou o gol e pegou tudo que eu chutei, de longe e de perto. Foi frustrante. A mulher é um fenômeno e tem boa estatura para ajudar. É fogo.

No fim, aquele famoso desespero não ajudou. Errei demais e segurei a bola quando deveria ter passado ou chutado. Cansada, Necib mal apareceu no segundo tempo. Thomis e Delie (que entrou na vaga de Necib) trabalharam duro, mas o empate não veio. Vitória e título da Alemanha, para o meu descontentamento absoluto. O relógio marcava quase três da manhã e eu resolvi ir dormir.

Valeu, França

Foto: New Yorker
Da esquerda para a direita: Thiney, Le Sommer, Thomis, Georges e Henry / Foto: New Yorker

Não foi nem um pouco triste ou irritante perder a final. Pelo contrário. Jogar a sério com as minas foi uma experiência interessante. Valeu cada partida e a tentativa. Certamente farei outras campanhas.

E espero, claro, que no Fifa 17 alguma liga seja criada para contemplar as meninas no modo Manager. Seria muito legal poder levar seu clube ao título. Poderiam começar com a liga americana/canadense, depois apostar na inglesa, alemã, francesa e sueca, onde estão as principais atletas do momento. Que tal?

As minas certamente merecem mais espaço. Não só porque passou da hora de elas não serem mais vistas como bônus, mas pelo simples motivo de que é muito interessante controlar equipes femininas em um jogo deste. E aos rapazes que não querem dividir seu joguinho com elas, fica o conselho: chorem na cama, o esporte é de todos nós. O Fifa, como extensão dele, também é.

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