Sexta das Camisas: Roberto Baggio nos mostra algumas peças de sua coleção

Existe um célebre colecionador de camisas que merece toda a nossa atenção neste especial aqui do site. É Roberto Baggio, craque italiano e ícone dos anos 1990. Este texto é um pedaço das memórias e da admirável coleção de Roby. Cada camisa tem uma história, contada pelo próprio na série de documentários sobre sua vida, ‘Io che sarò Roberto Baggio’.

Zico

Zico

Esta é a camisa de Zico. Tive a sorte de conhecê-lo no Japão, ficamos amigos, eu disse que ele era meu ídolo no futebol. Depois de 20 dias, quando volto para casa na Itália, chega esta camisa com uma fita de vídeo de todos os seus gols. Me lembro que podia assistir algumas partidas do Campeonato Brasileiro quando a TV a cabo chegou. Às vezes jogava o Flamengo e ele era o número 1 absoluto.

Eu gostava de como se comportava no campo, como se movia, a sua técnica, a maneira como cobrava faltas, enfim, um grande. Lembro que ele tinha a capacidade de colocar a bola onde queria. Chutava bolas paradas de maneira incrível. Acredito que essa é a coisa que me mais me impressionou.

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Fiorentina

Viola

Acredito que esta seja a camisa do meu primeiro gol na Série A, em Nápoles. O Napoli venceu o scudetto naquele dia. É meu primeiro gol na Série A! Essa é a camisa que abriu o caminho dos gols, não é? Tenho muito carinho por ela. Meu primeiro gol na Séria A, eu poderia ter feito até de canela porque o importante foi marcá-lo. Para nós era um momento trágico, porque se não empatássemos aquela partida cairíamos para a Série B.

Eu gostei porque naquele momento percebi que tinha feito uma coisa incomum, e isso já me deixou emocionado. Esta é a minha primeira camisa número 10. O grande Giancarlo Antognoni não estava mais no clube.

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Diego Maradona

Maradona

Esta é a camiseta de Diego. Trocamos na Copa de 90, em Nápoles. Foi um prazer trocá-la, mas não foi um momento particularmente feliz, tínhamos acabado de perder a semifinal do mundial nos pênaltis. Para nós queria dizer perder a chance de disputar a final. Descobri Maradona como jogador quando jogava no Barcelona. Já alí se ouvia falar desse fenômeno. E depois, sua chegada ao Napoli.

Não era como hoje, um que sabia bater falta e fazia gol era realmente um fenômeno. Era realmente difícil conseguir colocar a bola por cima da barreira. Ele era um dos poucos que faziam aquilo, pois tinha uma técnica muito refinada.

O gol que ele fez contra a Inglaterra, acredito que seja um dos mais bonitos da história de todos os mundiais. Sair do meio do campo e chegar na frente do gol é coisa que poucos fizeram. É um gol incrível, extraordinário. Um dos muitos gols lindos que ele fez.

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Gullit, Baresi e Van Basten

Gullit

Tive o prazer de encontrá-los como adversários. Esta é de Franco Baresi. Não era coisa fácil jogar contra Franco. Era rápido e tinha muitos dotes técnicos. Taticamente era um maestro.

Já Gullit era seguramente um número 10 estranho, diferente obviamente de como eram os números 10 daquele tempo. Tinha uma potência extraordinária, um físico incrível. Um jogador de uma qualidade inacreditável.

E a de Marco Van Basten. Ele foi um atacante de uma categoria acima dos outros. Era um prazer vê-lo jogar, os movimentos que fazia sem a bola, a inteligência que tinha, enfim, um jogador extraordinário. Para ter cada uma dessas camisas tive que dar 3 das minhas.

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Romário

Romario

Linda. Linda cor, mas que lembrança ruim. No fim do jogo, na final do mundial, mesmo que infelizmente nós tenhamos perdido, trocamos de camisa.

Romário é grande. Fez gols realmente incríveis. Era um que quando pegava a bola na área só não fazia gol se não quisesse. Depois, tecnicamente, era um fenômeno. Rapidíssimo.

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Paolo Maldini

Maldini

Esta! Grande Paolo Maldini. Fenômeno. Fenômeno em todos os sentidos. Fisicamente, taticamente, tecnicamente. Grande Paolo. Tive o prazer e jogar com ele no Milan e na seleção. Nos demos muito bem. Não encontrei mais com ele, mas isso não muda minha opinião sobre a pessoa incrível que ele é. Um mito,  grande Paolo.

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Zidane e Raul

Zidane

Outros dois grandes. Dois fenômenos absolutos, Raul e Zidane. Zidane acredito que tenha sido um fenômeno absoluto. Era um prazer vê-lo jogar, mesmo quando era adversário. Para mim é um jogador completo, que sabia fazer tudo. Era impossível de marcar, porque nunca ficava parado. Uma grande qualidade dele era que, antes de receber a bola, sabia como se desmarcar deixando o defensor desnorteado.

Raul. Este é outro fenômeno do futebol mundial. Sempre acompanhei, sempre gostei dele. Um jogador que fazia a diferença no ataque, mesmo que fisicamente não era um atacante de área, mas fez tantos gols e muitos gols bonitos.

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Pep Guardiola

Guardiola

Grande! Tive o prazer de jogar com ele no Brescia e é uma pessoa incrível. Para um atacante jogar com ele era um prazer único, porque quando você se movia ele sabia te dar a bola no pé, coisa que poucos fazem.

Eu sempre o admirei, quando jogava no Barcelona. Via a partida e pensava “Este não perde nunca a bola”. Era um que sozinho fazia o time girar. É claro que o meu desejo era que pudesse realizar seus sonhos. Ainda não realizou todos. É preciso dizer que é um fora de série, porque Barcelona não é lugar fácil e ganhar 6 troféus em um ano é coisa que ninguém tinha conseguido. E no primeiro ano como técnico.

Acredito que ele tenha introduzido no Barcelona uma mentalidade que todos são conscientes que são importantes, que quando entram sabem o que devem fazer. Criou um grupo de jogadores que fizeram da humildade e do sentido de time a sua força. Ele é uma pessoa de quem todo mundo gosta. Conheci muita gente, mas como ele realmente poucos.

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Javier Zanetti

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Esta é especial. Sou muito amigo de Javier Zanetti, por isso tenho uma alegria imensa de ter essa camisa. Grande Javi!

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Gabriel Batistuta

Batistuta

Este é um grande jogador. Um de tantos fenômenos que tive como adversário. Uma força destruidora. Não tive chance de conhecê-lo bem como pessoa, porque obviamente não nos encontramos muito, mas os companheiros de seleção com quem joguei sempre falaram muito bem dele.

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