O mundo contra Zidane: quando o francês fez papel de vilão

Ser craque e ídolo não é nada fácil. Há de se lutar para manter a regularidade em campo, os gols e passes e até mesmo cuidar da imagem, que serve de exemplo para os mais novos. No caso de Zinedine Zidane, camisa 10 e campeão do mundo com a França, o dom de parar o tempo com a bola nos pés veio com um leve destempero emocional. Ao longo de sua carreira, o carequinha provou que também tinha talento para ser vilão.

No quesito explosivo, Zidane tinha tanta competência quanto Cantona, marcado por dar uma voadora em um torcedor do Crystal Palace em 1995. E nesse caso, não há muita diferença entre os dois. Zizou arrumou várias encrencas em sua carreira. Essa cara de vilão auxiliar de filmes do 007 não nos engana, Zinedine.

Foto: Old School Panini
Foto: Old School Panini

Zizou x Marcel Desailly, 1993

Revelado pelo Cannes, Zidane teve seus primeiros bons momentos pelo Bordeaux. E também suas primeiras confusões. Em seu segundo ano com a camisa dos girondinos, aprontou um quiprocó com Marcel Desailly, que anos mais tarde seria seu companheiro na seleção da França.

Jogavam Marselha e Bordeaux pelo Francesão, em setembro de 1993, quando o meia girondino acertou um socão na cara de Desailly durante uma dividida. Era uma represália a uma cotovelada recebida minutos antes. Como o juiz não viu, Zinedine deu o troco e fora da bola encheu a mão no rosto do zagueiro. Foi expulso e deixou o adversário sangrando em campo.

Zizou x Fuad Amin, 1998

A Copa do Mundo comia solta na França quando pela segunda rodada do grupo C, os donos da casa enfrentaram a Arábia Saudita. Foi uma grande goleada por 4-0, ofuscada por uma expulsão tola de Zidane. Os franceses venciam por 2-0 e numa dividida, o camisa 10 deixou um pisão no traseiro de Fuad Amin. O juiz viu e expulsou na hora. Zizou só voltou nas quartas de final, contra a Itália.

Zidane x David Beckham, 1999

Juventus e Manchester United duelavam por uma vaga da Champions de 1998-99. Em Turim, a Juve precisava vencer para eliminar os ingleses. O duelo estava tão nervoso que Zidane passou do limite e chegou na voadora para levar a bola de Beckham. A entrada animal não valeu nem um cartão amarelo. Mesmo assim, o camisa 21 estava fazendo uma partida exuberante.

Zidane x Emerson, 2000

Em seu último ano pela Juventus, Zizou protagonizou um episódio lamentável contra o La Coruña, pela Liga dos Campeões. No Riazor, empate em 0-0 e uma pernada inexplicável no meia Emerson. Cartão vermelho mais do que justo para o francês.

Zidane x Jochen Kientz, 2000

Na mesma edição da Champions, Zidane teve um dia difícil contra o Hamburgo, duas rodadas depois. Um lance ríspido contra Jochen Kientz irritou o francês, que quase caindo, acerta uma cabeçada de raspão no oponente. Outro vermelho.

Zidane x Marco Materazzi, 2006

Final da Copa do Mundo de 2006. Último ato da carreira de Zidane. No primeiro tempo, ele brilhou marcando um gol de pênalti usando uma cavadinha. Estava em grande fase e decidiu quase todos os jogos que participou na campanha, sobretudo contra o Brasil, nas quartas de final.

Eis que veio a prorrogação. Nervos à flor da pele, valendo taça, um gol poderia mudar tudo. O que mudou mesmo foi a cabeçada em Materazzi, zagueiro italiano. Muitos relatos da época dizem que o beque xingou a mãe e a irmã de Zidane, que reagiu com um dos cinco lances mais icônicos das Copas. Uma cabeçada no peito, BOOM, Materazzi ao chão e o francês expulso depois que o bandeirinha avisou o árbitro Horácio Elizondo do entrevero.

Nos pênaltis, Itália campeã, para lamento de Zidane, que se aposentou com uma expulsão. O desfecho do gênio foi triste, mas coerente. Ao longo de 18 anos, os golaços, passes e domínios fora de série apresentaram a mesma constância das entradas violentas, momentos de fúria e expulsões.

Quem vence o duelo? O Zidane senhor do tempo, ou o enxaquecado meia expulso 14 vezes e que perdia a cabeça em um piscar de olhos? Achamos que os dois se completam. Só quem sabia domar o próprio monstro seria capaz de fazer coisas como as do vídeo abaixo.

Se Zidane foi mocinho ou vilão no geral, pouco importa. Importa é que ele foi um milagre da sua época e responsável pelo título mundial da França em 1998, pela Eurocopa de 2000 e principalmente pela Champions de 2002 com o Real Madrid, naquele golaço diante do Bayer Leverkusen em Glasgow.

*Colaborou Lílian Trigo

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