Labruna, o craque fanfarrão que gerou ódio e um apelido ao Boca Juniors

Poucos jogadores na história do futebol tiveram sua imagem tão ligada a um clube como o atacante argentino Ángel Labruna. O craque jogou por 20 anos com a camisa do River Plate e protagonizou histórias fantásticas até a sua morte, em 1983.

Era difícil se notabilizar entre tantos craques nas décadas de 1940 e 50. O atleta fez parte de um time do River chamado de ‘La Máquina’, onde ao lado de José Moreno, Adolfo Pedernera e Félix Loustau conquistou a Argentina três vezes e encantou o continente com um futebol ofensivo e técnico.

Foto: Taringa
Foto: Taringa

Atacante com faro de gol, Labruna anotou ao todo 320 gols em 556 atuações como profissional. 296 destes foram pelo River, consolidando seu status como o grane artilheiro do clube. Além disso, levantou nove vezes o Campeonato Argentino, uma das maiores marcas do futebol no país.

Só o Boca Juniors, seu ferrenho rival, teve as redes balançadas em 16 ocasiões. Até hoje Labruna lidera o ranking dos que mais marcaram no Superclássico. Em longa carreira, ‘El Feo’ jogou até os 43 anos e se aposentou com a camisa do Platense, em 1961.

Labruna x bosteros

O gesto de Labruna de tampar o nariz em La Bombonera é repetido até hoje por jogadores do River / Foto: ArgenSport
O gesto de Labruna de tampar o nariz em La Bombonera é repetido até hoje por jogadores do River / Foto: ArgenSport

Ángel, ou Angelito, como era carinhosamente chamado pela imprensa argentina, é lembrado por ser um dos responsáveis pela consolidação do apelido de ‘Bostero’ por parte do Boca Juniors.

Diz a lenda que nos anos 1940, o estádio de La Bombonera tinha um forte cheiro de esgoto, o que serviu como motivo de ridicularização para o River, e em especial Labruna, que entrava em campo tampando o nariz para irritar a torcida boquense. Isso, claro, em uma época que os xeneizes ainda não aceitavam a palavra ‘bostero’. Por muitos anos a rivalidade esquentou e Labruna foi odiado pelo lado azul y oro de Buenos Aires.

Assim como vários outros clubes -o Palmeiras com o porco, só para começar- o Boca abraçou a ofensa e fez dela um motivo de orgulho, tempos depois. O gesto de tampar o nariz é tão icônico que ainda é usado para incitar o ódio nos mandantes em La Bombonera. O último ídolo do River a usá-lo foi o comandante Marcelo Gallardo, durante o jogo das oitavas de final da Copa Libertadores de 2015. O River foi declarado vencedor e avançou depois que atiraram bombas na saída do seu vestiário.

Labruna após a vida de atleta

Ramón Díaz e Labruna / Foto: Agepeba.org
Ramón Díaz e Labruna / Foto: Agepeba.org

O ex-atacante não precisava mais provar nada a ninguém. Ganhou quase tudo o que disputou e era saudado como enorme craque do país, até mesmo para alguns boquenses mais desprendidos da rivalidade. Contudo, se engana quem pensa que depois disso ele foi esquecido. A vida de Ángel depois de sua aposentadoria também rendeu histórias interessantes.

Corridas de cavalo

Como por exemplo, a sua atuação como olheiro do River. Relatos dão conta de que ao invés de acompanhar rivais e jogadores interessantes nos estádios, Labruna usava os recursos do clube para ir apostar em corridas de cavalo. Os seus relatórios eram baseados no que ele lia nos jornais no dia seguinte.

A façanha como treinador

A idolatria de Labruna se estende aos outros grandes argentinos. Ele resolveu tentar a sorte como treinador no Rosário Central. Pelo time rosarino, venceu o Nacional de 1971, consagrando a primeira equipe argentina do interior a levantar o caneco.

Anos depois, de volta ao River, conseguiu dobradinhas no Metropolitano e no Nacional em 1975 e 79. O time de 1975, aliás, saiu de uma fila de 18 anos e contava com feras como Daniel Passarella, Roberto Perfumo, Beto Alonso e Leopoldo Luque.

Ángel venceu seis campeonatos como técnico dos Millonarios. Ao lado de Toto Lorenzo, foi o único a treinar times que foram campeões metropolitanos e nacionais na mesma temporada. Toto fez a dobradinha com San Lorenzo e Boca Juniors, em 1972 e 76.

Despedida e morte

Bonecão de Angelito na torcida do River / Foto: Taringa
Bonecão de Angelito na torcida do River / Foto: Taringa

Labruna saiu do River em 1981, sendo substituído por outro ídolo: Alfredo Di Stéfano. Deprimido por ter deixado seu grande amor, estava no comando do Argentinos Juniors em 1983, quando precisou ser internado por problemas na vesícula.

Estava se recuperando no hospital quando recebeu a visita de Ubaldo Fillol, seu goleiro nos tempos de River. Instantes depois, ia sair para caminhar com o ex-pupilo, mas teve um infarto e não resistiu. Morreu aos 64 anos, nos braços de Fillol.

A presença de Labruna no Monumental ainda pode ser sentida pelos que acreditam na sua paixão imortal pelo River. Mais de 30 anos depois de sua morte, os gols, as histórias e a sua importância continuam bem vivas para o torcedor millonario.

Seja em forma de busto ou bonecão inflável nos dias de jogos. Todo santo encontro do River diante de um adversário em seu caldeirão vai ter a honrosa presença daquele que tanto se dedicou a fazer do clube o autoproclamado ‘maior de todos’.

Foto: Taringa
Foto: Taringa

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