O título do Palmeiras que fez Rivellino deixar o Corinthians

O Corinthians chegava como favorito para a disputa da final do Campeonato Paulista de 1974. Liderado por Rivellino, que dispensa apresentações, o Timão se aproximava da conquista que seria a redenção para toda uma geração. Afinal, por 20 anos o time falhou em conquistar títulos. No entanto, o que era para ser uma festa terminou com melancolia e a despedida do meia, que foi vendido para o Fluminense.

Grandes ídolos dos dois times não conseguiram ganhar uma taça para abrilhantar mais ainda a carreira. Rivellino pelo Corinthians e Jorginho Putinatti pelo Palmeiras são grandes provas disso. Mas vamos focar no corintiano: 1974 era o ano da redenção alvinegra. 22 de dezembro era a data marcada para o fim da amargura.

Desde Baltazar, autor do gol do título paulista de 1954, o Timão não sabia o que era ser campeão. Coube a Rivellino ajudar a tentar tirar o time e a torcida da horrível fila. O problema é que do outro lado estava o Palmeiras, campeão paulista de 1972 e brasileiro de 1972 e 73. Mesmo com todas essas credenciais, a imprensa e a torcida corintiana acreditavam em uma superação de Rivellino e seus colegas.

Foto: R7
Rivellino: tudo pronto para ser o redentor da Fiel em 1974 Foto: R7

O Morumbi lotou para o jogo de volta que daria o caneco ao Corinthians de 1974. Desde o empate na ida, por 1 a 1, seria natural se o time do Parque São Jorge saísse vencedor. O clima eletrizante e favorável aos alvinegros tomou conta do Morumbi, diante de mais de 120 mil pessoas.

Os fogos, a alegria e a confiança estavam todos com o Timão, que entrou escalado desta forma por Sylvio Pirilo: Buttice; Zé Maria, Brito, Ademir e Wladimir; Tião e Rivellino; Vaguinho, Lance, Zé Roberto (Ivan) e Adãozinho (Pita). Um escrete que não estava habituado a finais, mas que entrou como favorito naquela ocasião.

O Palmeiras não se intimidou. Segundo os próprios jogadores, havia a sensação de que 95% do Morumbi era tomado por alvinegros. Dono de um futebol inconfundível e vencedor, o time de Oswaldo Brandão se preparou para mais uma batalha. Em meio à ansiedade pela decisão, Leivinha e o presidente do Palmeiras, Giuliano Paschoal receberam ameaças anônimas de morte, caso o Verdão levasse a taça. Os dois lados tinham motivo para sentir calafrios depois dos 90 minutos.

Foto: Placar
Foto: Placar

Como de costume, Brandão não preparou estratégias mirabolantes ou aprontou práticas pouco ortodoxas para ganhar. O Verdão fez o que sabia melhor: dominou o rival até o apito final. Apenas fez uma troca necessária: saiu Eurico, lesionado, para a entrada de Jair Gonçalves, improvisado na zaga. César Maluco também se contundiu e deu lugar a Ronaldo.

Assim, a escalação palmeirense foi: Leão, Jair, Luís Pereira, Alfredo, Zeca, Dudu, Edu, Leivinha, Ademir, Nei e Ronaldo. Um time cascudo e campeão nacional, o adversário a ser batido naquele ano.

A bola rolou e Rivellino não teve espaço. Foi marcado de forma implacável por Luís Pereira. O zagueiro palmeirense ainda chegou a dar um infame tapinha na cabeça do 10 alvinegro quando o jogo começou a esquentar.

Enquanto Dudu marcava e reduzia as opções do meio corintiano, Leivinha e Ademir ficaram livres para criar. O relógio estava marcando 24 minutos do segundo tempo. Toda a tensão de um clássico aberto no Morumbi. Cruzamento do substituto Jair para a área corintiana, Leivinha dividiu de cabeça com Brito, a bola subiu e caiu limpa para Ronaldo, livre. O atacante se lançou ao ar e bateu de primeira para vencer Buttice. Gol do Palmeiras.

A confiança do Corinthians sumiu como quando o vento apaga uma frase na areia, em questão de segundos. Abatido, o Timão passou a jogar para evitar outro gol, não para buscar o empate. Até os minutos finais, o cruel encanto foi uma canção palmeirense que hipnotizava e torturava os corações corintianos. Quando Dulcídio Wanderley Boschilia apitou para o fim, toda a revolta silenciosa dos alvinegros se voltou contra o próprio time, que não foi páreo para o rival alviverde.

Ronaldo provou do prestígio por várias décadas e até hoje é lembrado como herói de 74. Leivinha, por sua vez, teve de se refugiar da hostilidade de torcedores adversários para comemorar o título perto da família. Não antes de lembrar de um pontapé que uma garota corintiana lhe deu na canela. O palmeirense pensou que a menina fosse pedir um autógrafo quando foi surpreendido com um bico. Nada que não virasse riso momentos depois.

O adeus de Riva

Foto: UOL
Foto: UOL

Rivellino foi o bode expiatório de mais uma derrota para o Corinthians. O próprio atleta contou anos depois que saiu do Morumbi e foi caminhando até a sua casa, de mochila, atordoado com o que houve na final. Dias depois, a diretoria corintiana negociou o seu passe com o Fluminense. O ídolo saiu sem o prestígio e o carinho que merecia. Apenas em 2014 a carreira de Riva no Timão foi homenageada: o ex-atleta ganhou um busto na sede do clube.

E os rivais seguiram caminhos opostos. O Palmeiras venceu o Paulistão de 1976 e teve de esperar até 1993 para sair da fila. Já o Corinthians, aturou mais três até que Basílio fizesse o gol contra a Ponte Preta na decisão do estadual em 77. Mas isso é outra história…

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