O dia em que Raí voltou ao São Paulo e castigou o Corinthians

Raí ganhou o mundo com a camisa 10 do São Paulo no início dos anos 1990. Líder de um time fantástico treinado por Telê Santana, o meia viveu grandes anos no Morumbi antes de ser negociado com o Paris Saint-Germain. O seu retorno ao Tricolor aconteceu em 1998, num momento crucial da temporada: a final do Paulistão contra o Corinthians.

Foram quase cinco anos de espera pelo retorno do atleta, que deixou o clube logo após a disputa da Libertadores de 1993, vencida contra o Universidad Católica. A operação para ter o ídolo de volta não foi fácil. Ao São Paulo, aquela semana reservava a emoção de uma final. Depois de derrotar o Palmeiras na semifinal do Paulistão, o time de Nelsinho pegou o Corinthians.

Os tempos não eram os mesmos da primeira passagem de Raí. O São Paulo não ganhava mais títulos desde 1996, quando levantou a Copa Masters da Conmebol. Os anos de agonia mexeram com os ânimos da torcida, apesar das boas revelações no elenco, como França, Dodô e Denílson.

Raí chegou quase de última hora ao São Paulo. Uma negociação maluca e uma brecha no regulamento permitiram que o craque jogasse apenas a segunda partida da final. Três dias antes da chegada do meia ao Brasil, pelo primeiro jogo, vitória corintiana por 2-1, gols de Marcelinho e Cris; Fabiano marcou para os tricolores.

Dia das mães são-paulinas

Foto: UOL
Foto: UOL

O Morumbi lotou com 80 mil pessoas aflitas. Aflitas para ver mais um jogo de tirar o fôlego, valendo a taça. Os são-paulinos se mostravam ansiosos para rever Raí com a camisa do time. Para isso, a diretoria correu com a papelada na Federação Paulista para que o atleta estreasse justamente em 10 de maio de 1998.

Era dia das mães e a cidade ferveu para o Majestoso. A esperança de uma reviravolta estava nas costas (e chuteiras) do capitão dos últimos sonhos vividos em 93. O presente para as mães tricolores era Raí, que desembarcou no Brasil na quarta-feira anterior para jogar a finalíssima. Treinou pouco, descansou menos ainda.

Como mandante, o São Paulo de Nelsinho Baptista deu as cartas. Raí, por sua vez, foi a força por trás da reação de seus colegas. O time do Morumbi precisava de uma vitória simples para ser campeão.

Aos 30 do primeiro tempo, o equilíbrio marcava o confronto, até que o lateral Zé Carlos tentou alçar bola na área alvinegra. O cruzamento desviou na zaga, passou pela cabeça de França e encontrou a de Raí, que subiu para abrir o placar. Diferentemente de seu auge, o meia vestia a camisa 23, por ter sido inscrito às pressas.

O susto e a consagração

Foto: UOL
Foto: UOL

A presença de Raí contagiou os meninos do São Paulo, que furaram a defesa corintiana em busca dos gols necessários. Porém, um tombo veio aos cinco minutos da segunda etapa: Didi saiu de cara para Capitão, fintou para a direita e puxou para dentro. Emendou então uma bomba e acertou o ângulo de Rogério Ceni. Um golaço que calou a parcela mandante das arquibancadas.

O relógio marcava 12 do segundo tempo. Em um contragolpe rápido, troca de passes na ofensiva tricolor. Raí tabelou com França, que saiu na cara de Nei e bateu rasteiro no canto: 2-1. Drama no Morumbi. Ainda havia espaço para que um gol do Timão melasse a festa dos donos da casa.

França, sempre ele, ficou incumbido de resolver a parada. Aos 37 da etapa complementar, recebeu uma bola da linha de fundo. Com tranquilidade e sem marcação, só cercado por dois, bateu e selou o resultado que deu o título ao São Paulo, o 19º de sua história: o time não erguia a taça do Paulistão desde 1992. O gesto de França sinalizando que “acabou a final” foi emblemático.

Ali, o São Paulo derrotava o Corinthians e impedia o bicampeonato estadual do rival. Ali, Raí ganhava mais um título com a camisa do clube, mostrando que foi talhado para jogar decisões como um grande craque que era. Predestinado, diria Galvão Bueno.

5 pensamentos em “O dia em que Raí voltou ao São Paulo e castigou o Corinthians”

  1. Lembro do jogo como se fosse hoje!
    Eu que era pivete demais em 93, via o Raí em 98 como um salvador que voltou para o ato final.
    E que ato.
    A jogada pro primeiro gol de França parecia ensaiado, parecia que jogavam juntos há anos. Que entrosamento.
    Ainda deu tempo do Denilson entortar o Gamarra na ponta esquerda pro França sacramentar o título.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *