Times memoráveis do Brasileirão: o Santos de Pelé

O futebol precisa se curvar aos feitos de Pelé e seu magnífico Santos, dono da década de 1960. Se hoje o Brasil é conhecido no mundo todo em virtude do futebol, nada mais justo atribuir isso ao Rei e mais um batalhão de craques que passaram pela Vila Belmiro durante o seu reinado. Para encerrar a série ‘Times memoráveis do Brasileirão’, falamos deste hors-concours do esporte brasileiro.

Falar do Santos é um prato cheio de histórias e títulos nos tempos de Pelé. O camisa 10 reinou de 1956 a 1974 no Peixe, colocando a equipe no mapa dos grandes do planeta. Durante estes anos, o Santos conquistou seis troféus nacionais: cinco da Taça Brasil e um no Troféu Roberto Gomes Pedrosa, o Robertão.

Foto: Placar
Foto: Placar

É incontestavelmente o maior time que o Brasil já viu, também pelo fato de ter dominado o Paulistão na sua época e por ser bicampeão da Libertadores e do Mundial. Mas já que o tema é ‘times memoráveis do Brasileirão’, por que não falar de como o Santos varreu o país na década de 1960?

Gylmar, Lima, Carlos Alberto Torres, Mauro, Calvet, Dalmo, Clodoaldo, Zito, Dorval, Pelé, Coutinho, Mengálvio, Pepe, Toninho Guerreiro e Edu. Nomes que entraram para a história santista como estrelas de um período imbatível.

Santos 1963 odir
Foto: Blog do Odir

Os títulos da Taça Brasil

1961 Como diz o próprio hino santista, o Peixe é quem deu a bola em 1961. Como campeão estadual de 1960, o Santos pôde entrar já nas semifinais da Taça Brasil. O primeiro rival foi o América-RJ, que foi atropelado. Em três duelos, duas vitórias dos praianos e uma do Mecão: 6-2 no primeiro, 0-1 no segundo e um 6-1 no desempate, já que só os pontos das partidas eram levados em conta. Uma verdadeira surra nos cariocas.

Na decisão contra o Bahia, nova atuação irresistível por parte de Pelé e seus colegas. Em Salvador, placar de 1-1, gols de Coutinho e Marito. A volta aconteceu no Pacaembu, para deleite do público presente nas bancadas. Pouco mais de 18 mil pessoas prestigiaram uma aula de futebol ministrada por Pelé e Coutinho. O Rei fez três e o companheiro de ataque marcou dois. Florisvaldo diminuiu antes do apito final para fechar um placar sonoro de 5-1 para os mandantes. Santos campeão de 1961.

1962 Novamente classificado direto para as semifinais, o Peixe encerrou a campanha do bicampeonato com outro chocolate. A vítima da vez foi o Botafogo de Garrincha, que até ameaçou tirar a coroa da cabeça dos santistas, mas não aguentou o bombardeio no desempate. Nas semifinais, ficou o Sport pelo caminho, com um empate em 1-1 e uma vitória alvinegra por 4-0.

O duelo que valia a taça culminou em nova exibição de um Santos favorito e vencedor. O nível de dificuldade, no entanto, aumentou no primeiro embate. Um equilibrado 4-3 (Pepe -2x-, Coutinho, Dorval; Quarentinha, Amoroso e Amarildo) para os santistas no Pacaembu deu o tom do que seria o clássico na volta.

O Bota deu o troco no Maracanã e fez 3-1 com Édison, Quarentinha e Amarildo, com grande atuação do Possesso. Rildo fez o de honra dos visitantes. Já no desempate, Pelé desequilibrou e fez dois gols. Além dele, foram às redes Dorval, Pepe e Coutinho, para um 5-0 que ninguém jamais botaria defeito. O time do técnico Lula prevalecia outra vez.

1963 O Santos não se contentava em dominar São Paulo, o Brasil, a América e o mundo. Campeão do Mundial Interclubes contra o Benfica, o time de Pelé repetiu o feito em 1963 e só não levou o Paulista porque foi impedido pelo Palmeiras de Ademir e Julinho Botelho. Voltou a levantar a Taça Brasil e assim como em 1961, detonou Grêmio e depois o Bahia na final.

O castigo aos baianos foi ainda maior do que na disputa anterior. No Pacaembu, o Santos fez 6-0 no placar, com festa de Pelé e Pepe (ambos com dois gols), Coutinho e Mengálvio. Em Salvador, novo triunfo dos alvinegros: Pelé fez os dois e o Peixe matou pela segunda vez o Bahia para levar o tricampeonato.

1964 Não tinha mais graça jogar a Taça Brasil. Nadando de braçada, o time praiano conquistou o tetracampeonato em quatro edições disputadas do torneio. E também levou a Libertadores e o Mundial de 1963, contra Boca Juniors e Milan, respectivamente. Pelo menos em 64 o adversário no nacional mudou: o Flamengo foi quem caiu na decisão. Antes disso, pelas semifinais, uma vingança contra o Verdão: duas vitórias, uma por 3-2 e a outra por 4-0, para não deixar dúvida de que o Peixe era o maioral.

Foi então que a competição decidiu-se no imparável Pelé. A primeira partida terminou em 4-1 para o Santos, com três gols do camisa 10. Coutinho fez o outro e Paulo Choco diminuiu para os rubro-negros. Um empate sem gols no Maracanã culminou no tetra do Peixe.

1965 Vamos logo ao que interessa: Santos pentacampeão da Taça Brasil, novamente disputando só a partir da semifinal. Eliminou o Palmeiras outra vez antes de confrontar o Vasco na decisão. Achou que os vascaínos escaparam de uma goleada? Se enganou. 5-1 na ida, com gols de Coutinho, Dorval (2x) e Toninho (2x); 1-0 na volta, gol de Pelé em pleno Maracanã. Entrega a faixa, a taça, dá a volta olímpica, isso, bonito, Santos pentacampeão.

1968: Troféu Roberto Gomes Pedrosa, o Robertão

Foto: Acervo Santos
Foto: Acervo Santos

Ufa, finalmente a história muda. O Santos esperou três anos para vencer novamente em solo nacional. 1968 marcou outro ano recheado de glórias para o Peixe, que ganhou o Paulistão, o Robertão, a Recopa Sul-Americana e a Recopa Mundial.  Não havia mais título que o esquadrão alvinegro não tivesse conquistado.

O último deles com Pelé veio no Robertão, que contou com uma fórmula um pouco mais elaborada do que a Taça Brasil. Dois grupos (um com oito e outro com nove clubes) deram origem a quatro classificados, que por sua vez, foram para as semifinais. Chaveado na B, o Santos liderou com 22 pontos, somando 9 vitórias, quatro empates e três derrotas. Logo atrás veio o Vasco, com 20. Do outro lado vieram Internacional e Palmeiras.

Turno único, todos contra todos, o melhor era o coroado campeão. E foi assim que o Santos tomou conta e ficou com o caneco, vencendo os três adversários. O primeiro alvo foi o Internacional. Em Porto Alegre, vitória santista por 2-1. Marcaram Pelé e Carlos Alberto, Elton diminuiu para o Colorado. Na sequência, veio o Palmeiras, que foi derrotado por 3-0, com gols de Abel (avô do repórter Abel Neto, da TV Globo), Edu e Toninho Guerreiro.

O jogo do título, contra o Vasco, aconteceu no palco ideal do Maracanã. Lá, o Santos vence por 2-1, com tentos de Toninho e Pelé. Bianchini marcou um para o Cruzmaltino, mas ficou só nisso. Toninho encerrou o torneio com a artilharia de 18 gols.

Avassalador, o Peixe triunfava pelo Robertão e encerrava um ciclo incomparável de conquistas. Depois disso, só em 1973, ainda com Pelé, no Paulistão. Em 1974, o Rei deixou o futebol e a camisa 10, esta herdada pelo peruano Mifflin, como contamos aqui.

E assim, o esporte se viu obrigado a venerar outros craques. Para o Santos, a saída de Pelé representou a aposta em crias da base como Pita e Juari ao fim da década de 1970. Eles é que mantiveram o prestígio do clube enquanto puderam.

As gerações seguintes tiveram de esperar até que Diego e Robinho dessem um novo título nacional para o Peixe, em 2002, libertando o grito e amenizando a saudade dos tempos em que a Vila Belmiro foi a casa do futebol mais bem jogado do planeta.

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