Onze craques que deram azar de jogar em seleções sem tradição

Ser craque não quer dizer que o seu país esteja condicionado ao sucesso no futebol. Na história recente do esporte, vários astros acabaram não tendo um gostinho da glória internacional por terem nascido no país errado. E são muitos os que se encaixariam perfeitamente em equipes de outra nação, caso se naturalizassem durante a carreira.

Partindo desta premissa, seguimos a sugestão do amigo Fagner Morais @fagnermorais e listamos onze jogadores que defenderam seleções pouco tradicionais em quesito mundial. Destes que escolhemos, apenas um esteve em Mundiais. Que tal começarmos a apresentar estes caras?

Muteba Kidiaba, Congo

Foto: GloboEsporte.com
Foto: GloboEsporte.com

Precisávamos de um goleiro para começar a lista. O primeiro que veio a calhar foi Muteba Kidiaba, camisa 1 do memorável Mazembe de 2010, vice-campeão mundial de clubes depois de eliminar o Internacional nas semifinais. Kidiaba é lembrado por comemorar gols quicando no chão. Foi titular da seleção de Congo por 13 anos, de 2002 até 2015, até se aposentar da função em fevereiro deste ano. Ainda está no Mazembe.

Jari Litmanen, Finlândia

Foto: UEFA
Foto: UEFA

Litmanen é de longe o maior jogador da história do futebol finlandês. Meia e atacante do último grande Ajax a ser campeão europeu, o rapaz jogou por 21 anos na seleção. Jari começou com 16 anos e atuou até os 40, já sem o mesmo brilho que lhe consolidou como titular da equipe holandesa e atleta do Barça na virada para o novo milênio. De 1989 a 2010, vestiu a camisa da Finlândia e liderou a seleção como capitão. Parou em 2011, jogando pelo HJK Helsinki.

George Best, Irlanda do Norte

Foto: National Football Museum
Foto: National Football Museum

É muito fácil ser a grande referência de futebol para a Irlanda do Norte. George Best, ídolo do Manchester United, sabia disso. Vindo de Belfast e consagrado no futebol inglês, George virou estrela com a camisa do United e e foi convocado durante 13 anos pela seleção norte-irlandesa, de 1964 a 77. Foi eleito o melhor jogador do mundo em 1968. Parou em 1984, rendido ao alcoolismo e sem ser sequer a sombra do que conseguiu no passado. Morreu em 2005.

Ryan Giggs, Gales

Foto: Daily Express
Foto: Daily Express

Gareth Bale não é o mais injustiçado da atualidade no quesito terra natal. Com um time consistente à disposição, o atacante do Real Madrid pode ter a chance de disputar uma Copa do Mundo ou uma Eurocopa em breve. Algo que Ryan Giggs não conseguiu durante sua longa trajetória no esporte. Revelado pelo Manchester United, só defendeu a equipe dos Red Devils em seus 24 anos no futebol. Por Gales, atuou de 1991 a 2007. Tamanha crueldade com o seu talento foi compensada em 2012, quando o Reino Unido jogou a Olimpíada de Londres, com Giggs sendo capitão. No entanto, a campanha foi fraca e o craque do United esteve longe das medalhas. Parou em 2014 e hoje faz parte da comissão técnica de Louis Van Gaal.

George Weah, Libéria

Foto: Newstalk
Foto: Newstalk

Maior jogador do mundo em 1995, o atacante liberiano George Weah é o segundo George desta lista a ter sido eleito como Bola de Ouro. Teve carreira espetacular e passou por clubes como Monaco, Paris Saint-Germain, Milan (onde foi coroado) Chelsea, Manchester City e Marseille. Pela Libéria, jogou de 1988 a 2002 como incontestável e inalcançável craque do país. Nunca a nação revelou outro jogador que fosse minimamente bom. Weah se aposentou em 2003, jogando pelo Al-Jazira.

Massimo Bonini, San Marino

Foto: Storie di Calcio
Foto: Storie di Calcio

Massimo Bonini é reconhecido mundialmente por ter feito parte do grande time da Juventus nos anos 1980, liderado por Platini. Dizem que ele era o homem que corria e marcava pelo francês, livre para criar jogadas e atacar. Nascido e criado no modesto país de San Marino, Bonini só pôde defender as cores de sua nação em 1990, quando a Fifa aceitou a filiação dos sanmarinenses. Mas o volante já estava em fim de carreira e pouco contribuiu para a evolução dos conterrâneos no cenário europeu. Deixou o futebol em 1992, com a curiosidade de ter atuado por San Marino até 1995. Um patriota.

Alexander Hleb, Belarus

Foto: Sport Witness
Foto: Sport Witness

Lembra daquele cara que estourou pelo Stuttgart e foi parar em Arsenal e Barcelona? Então, o meia Alexander Hleb é o melhor atleta que já surgiu em Belarus, ex-integrante da União Soviética. Antes de ser futebolista, Alexander foi nadador e ginasta, mas felizmente escolheu o futebol como ocupação principal. Defende Belarus desde 2001 e hoje tem 34 anos. Joga pelo BATE Borisov, que disputará novamente a fase de grupos da Liga dos Campeões. Carisma demais.

Eidur Gudjohnsen, Islândia

Foto: UEFA
Foto: UEFA

O folclórico Gudjohnsen pode ser considerado facilmente o Giggs islandês. Afinal, jogou por vários anos em equipes frágeis montadas pela Islândia antes do país, sem conseguir a classificação sonhada para uma Eurocopa ou Copa do Mundo. Perto da aposentadoria, o atacante finalmente ganhou uma equipe com colegas decentes e em nível competitivo. Com 36 anos, o tosco atacante teve grande passagem pelo Chelsea e até chegou a ir para o Barcelona, antes de começar a ser um nômade da bola. Defende a Islândia desde 1996 e é o maior artilheiro da história do país. Está no Shizhiazhuang (Xigiájuân) Ever Bright, da China.

Shota Arveladze, Geórgia

Foto: UEFA
Foto: UEFA

Não ria do primeiro nome do atacante Arveladze. Na Geórgia, é corriqueiro que crianças sejam batizadas assim. O atleta ganhou fama na década de 1990, quando passou pelo Ajax. Poderíamos ter escolhido o defensor Kakha Kaladze para esta vaga, mas a verdade é que Arveladze fez muito mais pelo esporte do que o seu patrício que defendeu o Milan. Shota jogou de 1992 a 2007 pela Geórgia e é o jogador mais famoso do país. Deixou o futebol em 2008, atuando no Levante.

Igli Tare, Albânia

Foto: Solo la Lazio
Foto: Solo la Lazio

Falou em artilheiro de país pouco tradicional no futebol, lembrou de Igli Tare, matador e craque alternativo do Campeonato Italiano na década de 2000. O atacante nasceu na Albânia e teve sua grande e última fase com a camisa da Lazio. Jogou em clubes como Fortuna Dusseldorf, Kaiserslautern, Brescia, Bologna e Cagliari antes de ganhar uma legião de fãs em Roma. Defendeu a Albânia de 1997 a 2007 e pendurou as chuteiras em 2008. Hoje é diretor esportivo da Lazio.

Dwight Yorke, Trinidad e Tobago

Foto: Sport Stars
Foto: Sport Stars

Para encerrar a lista, vamos de Dwight Yorke, outra figurinha indispensável no álbum de jogadores alternativos dos anos 1990. Nascido em Trinidad e Tobago, se destacou com a camisa do Aston Villa e foi para o Manchester United, onde conseguiu os títulos de campeão inglês, europeu e mundial sob o comando de Sir Alex Ferguson. Por 20 anos, entre 1989 e 2009, vestiu a camisa de Trinidad e Tobago. É facilmente o grande jogador nascido no país caribenho, que teve discreta participação na Copa de 2006. Yorke, chamado de ‘Assassino sorridente’ pelos gols e caretas, esteve naquele torneio. Parou em 2010, no Tobago United.

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