Onze gols que eternizaram a carreira de jogadores

Esses gols acabaram marcando (para o bem ou para o mal) a carreira de alguns jogadores para sempre. Seja em um gol decisivo em final de campeonato, ou pela maravilha de ter representado um momento de transição para o seu clube.

Contudo, nem sempre o marcador está do lado certo. Em alguns exemplos, ver a rede balançar pode significar uma maldição para toda a vida e quem sabe até para depois dela. Vamos a esses gols?

Basílio, do Corinthians: Paulistão-77

Basílio é acima de tudo um predestinado. Por 23 anos o Corinthians falhou em vencer qualquer título. De 1954 até 1977, o Timão viveu a angústia da fila. Diante da Ponte Preta, no Morumbi, os dias de cão se encerraram na decisão do Paulista. O placar marcava 0–0, quando aos 36 da segunda etapa, Zé Maria levantou uma bola na área da Ponte. Vaguinho pegou de supetão, no outro canto, mas a bola explodiu na trave. Wladimir respondeu e cabeceou o rebote, em cima de um defensor campineiro. Na terceira, infalível, bomba de Basílio no alto da meta. Gol do Corinthians, que venceu por 1–0 e levantou o Paulistão daquele ano.

Saeed Al Owairan, Arábia Saudita: Copa-94

O meia saudita Saeed Al Owairan fez o que podemos chamar de grande gol da Copa de 1994, nos Estados Unidos. Em partida contra a Bélgica, na primeira fase, ele arrancou desde o campo de defesa até entrar na área oponente. Deixou quatro defensores para trás, fora o que estava na marcação desde o início da jogada. Quando passou pelo último, deu um toque sutil por cima do arqueiro Preud’homme. O gol impulsionou a Arábia Saudita até as oitavas de final do torneio. Dois anos depois, Al Owairan foi chicoteado em praça pública por ter ido contra os princípios muçulmanos, ao ser visto em uma casa noturna com prostitutas russas.

Antonín Panenka, Tchecoslováquia: Eurocopa-1976

O tcheco Panenka ousou e foi o pioneiro na arte do pênalti com cavadinha. Na final da Eurocopa de 1976, contra a Alemanha, a disputa de penais foi decidida com a batida inovadora de Panenka contra Sepp Maier, grande goleiro alemão da época. A Tchecoslováquia saiu vencedora do torneio. A cobrança, por sua vez, inspirou nomes como Zinedine Zidane, que imitou o velho Antonín contra a Itália, na final da Copa de 2006.

Moacir Barbosa, Brasil: Copa-50

O Brasil perdeu em pleno Maracanã a Copa de 1950 e teve a sua maior tragédia no futebol até o 7–1 no Mineirão, em 2014. De virada, o Uruguai conseguiu bater a Seleção, que só precisava de um empate para levar a taça. Aos 35 da segunda etapa, o atacante Alcides Ghiggia entrou na área e chutou cruzado. A bola passou por baixo de Barbosa, que foi apontado como o culpado pelo lance, apesar de não ter falhado de forma clamorosa. Morreu em 2000 sem que o país o absolvesse pela derrota ante os uruguaios.

Andrés Escobar, Colômbia: Copa-94

Se para Barbosa um gol sofrido em final de Copa custou caro, o que dizer do zagueiro colombiano Andrés Escobar? O atleta desviou errado uma bola cruzada por John Harkes, dos Estados Unidos, na segunda rodada do Mundial de 1994 e acabou marcando um gol contra. O lance resultou na eliminação precoce da Colômbia na competição. Escobar foi assassinado a tiros um mês depois, enquanto estava em um bar de Medellín, na sua terra natal. Suspeita-se que tenha sido um crime encomendado por traficantes colombianos, que perderam muito dinheiro com o fracasso dos cafeteros no torneio.

Cocada, Vasco: Carioca-88

Cocada, reserva do Vasco na campanha do Carioca de 1988, poderia ter sido conhecido por ser irmão do atacante Müller, que teve belíssima passagem pelo São Paulo. No entanto, o que as pessoas costumam assimilar o seu nome é a atuação na decisão estadual daquele ano. Cocada saiu do banco aos 41 minutos finais e aos 44, arrancou pela direita, entrou na área e soltou a bomba. Aos 45, foi expulso. E o Vasco foi campeão carioca graças àquela façanha. Cocada ainda jogou por Fluminense e São José, se aposentou em 1990.

Belletti, Barcelona: Liga dos Campeões-2006

Belletti foi um bom lateral por toda a sua carreira e teve seu grande momento na final da Liga dos Campeões em 2006, contra o Arsenal. Aos 36 minutos do segundo tempo, o brasileiro tabelou com Larsson e entrou chutando na área, acertando o canto do goleiro Almunia. O Barcelona levantou o seu segundo título da competição com aquele gol. Belletti se aposentou em 2011, jogando pelo Ceará.

Geoff Hurst, Inglaterra: Copa-66

O segundo gol mais controverso da história das Copas foi marcado pelo inglês Geoff Hurst, na decisão de 1966, contra a Alemanha. O atacante chutou, a bola bateu no travessão e quicou perto da linha, fora da meta. O bandeirinha Tofik Bahramov e o árbitro Gottfried Dienst conversaram e anotaram o gol fantasma para a Inglaterra, que jogava em casa no estádio de Wembley. Este foi o terceiro gol do placar de 4–2, que culminou no único título inglês em competições internacionais.

Ole-Gunnar Solskjaer, Manchester United: Liga dos Campeões-99

O norueguês Solskjaer entrou no segundo tempo da final da Liga dos Campeões de 1999, contra o Bayern de Munique. A partida estava 1–0 para os alemães até os 46 da etapa complementar. Solskjaer se consagrou ao desviar uma cabeçada de Sheringham, acertando o ângulo de Oliver Kahn para anotar a virada dos ingleses. O United foi campeão europeu pela segunda vez. Solskjaer parou em 2007, atormentado por lesões.

Romarinho, Corinthians: Libertadores-2012

Ninguém esperava que a contratação de Romarinho, que vinha do Bragantino, teria tanto impacto na história do Corinthians. O atacante entrou quietinho e sem alarde para marcar o gol de empate do Timão contra o Boca Juniors, na Argentina, pela primeira partida da final da Libertadores de 2012. É claro que o jogador ainda fez coisas importantes pelo clube, como uma série de gols contra o Palmeiras, mas nada que se compare ao tento em La Bombonera naquela decisão. Hoje Romarinho está no Al-Jaish, do Catar.

Adriano Gabiru, Internacional: Mundial de Clubes-2006

Nenhum jogador dessa lista é tão one-hit-wonder como o meia Adriano Gabiru. Criticado pela torcida colorada durante todo o ano de 2006, entrou no segundo tempo de Internacional x Barcelona, final do Mundial de Clubes, na vaga do capitão Fernandão. Aos 36 do segundo tempo, recebeu de Iarley e tocou na saída de Victor Valdés para marcar o maior gol colorado da história. Um ano depois, Gabiru saiu para o Figueirense e começou a rodar pelo país. Hoje atua pelo Panambi, na segunda divisão gaúcha, aos 38 anos.

*Colaborou Vinicius Intrieri, @vuintrieri

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