Times memoráveis do Brasileirão: 1996, o Grêmio de Paulo Nunes

Futebol é resultado. Futebol é ter o melhor time e vencer, custe o que custar. Futebol é competir até o fim e não arrumar justificativas para as derrotas. Futebol é saber marcar e dominar a arte de atacar. Com essas máximas, Luiz Felipe Scolari e Paulo Nunes conduziram o Grêmio a mais um título, entre os vários que a equipe gaúcha conquistou nos anos 1990.

Depois de ter sido bicampeão gaúcho, da Libertadores e vice-mundial (isso em 1995), o Grêmio ergueu o Brasileirão com uma equipe inesquecível para o torcedor. Que pode até não ter contado com craques incontestáveis como na geração de 1983, mas certamente varreu o Brasil no tempo em que esteve no auge.

Felipão contou com a solidez do elenco para garantir o domínio gremista na competição: Danrlei, Mauro Galvão, Rivarola, Adílson, Arce, Roger, Dinho, (Luiz Carlos Goiano), Émerson (Zé Afonso), Carlos Miguel (Aílton), Paulo Nunes e Zé Alcino.

Enquanto Cruzeiro e Palmeiras eram considerados os favoritos para a conquista e duelariam pela Copa do Brasil no meio do ano, o Grêmio chegou em silêncio, correndo por fora, até arrancar de vez. Tanto que só liderou na rodada 19, perto da fase de mata-mata. Este Grêmio é o que os antigos chamavam de ‘time encardido’. Duro oponente, mesmo quando perdia.

A estreia

Diante do então campeão Botafogo, o Grêmio perdeu por 1–0, fora de casa, em São Januário. Sorato marcou para o Glorioso, que não repetiria o mesmo sucesso do ano anterior. Scolari usou alguns reservas na partida.

A primeira grande vitória

Veio logo na segunda rodada, contra o Santos, no Olímpico. O Tricolor passou por cima do Peixe e fez 3–0, com gols de Paulo Nunes, Dinho e Zé Alcino. O primeiro gol, aliás, contou com uma roubada de bola do Diabo Loiro na defesa santista. Com um corte para o lado, o atacante fuzilou o goleiro Edinho. O mesmo Paulo Nunes sofreu um penal para Dinho ampliar, ainda no primeiro tempo.

A melhor atuação

O Grêmio depenou o Atlético Mineiro, na rodada 9, com um gritante 5–0 no Olímpico. Uma atuação que lembrou o massacre no Palmeiras, pelas quartas de final da Libertadores de 1995. O atacante Saulo fez o primeiro, depois de uma finalização de calcanhar de Paulo Nunes que bateu na trave. Zé Afonso marcou o segundo, com passe do Diabo Loiro. Imparável, Paulo Nunes pegou uma sobra fora da área, carregou e passou por dois defensores antes de chutar no canto. Zé Afonso e Paulo Nunes marcaram e fecharam a conta. (Na quarta rodada, o Grêmio havia feito 6 a 1 no Bragantino, também jogando em casa)

O clássico

Paulo Nunes acerta uma bela bicicleta contra o Inter/Foto: Grêmio 1983
Paulo Nunes acerta uma bela bicicleta contra o Inter/Foto: Grêmio 1983

No Beira-Rio, 40 mil pessoas viram mais um Gre-Nal, válido pela 11ª rodada. As arquibancadas lotaram e o Inter tinha esperanças em bater o rival. Mas quando Paulo Nunes fez de bicicleta o primeiro gol do clássico, a coisa ficou difícil para os Colorados. Murilo empatou, após um contragolpe veloz. O Grêmio tornou a ficar em vantagem e decidiu o confronto com uma falta bem cobrada por Dinho, que chutou forte no canto de André.

A série de derrotas que quase custou caro

Os gremistas vinham confiantes, somando seus pontos aqui e ali, até que uma série de derrotas ameaçou destruir a confiança do time de Scolari. Vice-líder, o Tricolor teve uma enorme turbulência a partir da 20ª jornada.

  • São Paulo 2–1 Grêmio, Morumbi (Valdir e Aristizábal; Paulo Nunes)
  • Grêmio 0–2 Coritiba, Olímpico (Pachequinho e Basílio)
  • Sport 1–0 Grêmio, Ilha do Retiro (Juninho Petrolina)
  • Grêmio 1–3 Goiás, Olímpico (Índio e Alex Dias²; Aílton)

A sequência fez o Grêmio terminar no sexto lugar, a apenas três pontos de perder a vaga para o Internacional, que ficou em nono.

O temido mata-mata

Foto: Futebol Bagual
Foto: Futebol Bagual

Pelas quartas de final, mais um encontro com o velho conhecido Palmeiras. Muitas jogadas excessivas e disputas mais duras marcaram o confronto, vencido pelo Grêmio em Porto Alegre. Luizão abriu o placar, mas os donos da casa viraram para 3–1, com Emerson, Zé Afonso e Luiz Carlos Goiano. O jogo pegou fogo e teve três expulsões: Leandro Ávila e Cléber pelo Verdão, Paulo Nunes pelo Tricolor. No Morumbi, três dias depois, vitória palmeirense por 1–0, gol de Elivélton. O resultado não foi suficiente e o Grêmio avançou às semifinais.

Hora de espantar a zebra

O Goiás bateu o Grêmio na primeira fase. E estava novamente do outro lado, pelas semifinais do Brasileirão. O troco veio na mesma moeda, já que em Goiânia, Arce (de falta), Emerson e Paulo Nunes foram às redes. Evandro diminuiu para o Esmeraldino. No fim, 3–1 para os gaúchos, que tiveram toda a tranquilidade para decidir em casa a vaga na final. Um empate em 2–2 no Olímpico selou a chegada dos tricolores. O capitão Adílson resolveu o confronto com dois gols, enquanto Lúcio e Evandro marcaram para os visitantes.

A decisão equilibrada contra a Lusa

A Portuguesa nunca chegou tão forte para disputar o título do Brasileirão. E nunca mais chegará. O equilíbrio marcou o confronto contra o Grêmio. Chegou como quem não queria nada, pegando a oitava vaga para a segunda fase. Enfrentou um dos melhores do torneio, apesar dos tropeços gremistas ao fim da primeira fase.

No Morumbi, Rodrigo Fabri e Alex Alves assustaram o adversário. Corajosa, a Lusa não se importou com a tradição alheia e derramou o primeiro sangue, com a expulsão de Marco Antônio, por falta cometida em Alex Alves. Na cobrança, Gallo puniu os tricolores com um chute perfeito. Rodrigo Fabri também balançou as redes. A Portuguesa ficava em vantagem, 2–0.

A virada

Foto: Clic RBS
Foto: Clic RBS

Em Porto Alegre, no dia 15 de dezembro de 1996, a história do último título brasileiro do Grêmio foi escrita. Sem Adílson, suspenso, a zaga foi formada por Rivarola e Mauro Galvão. Candinho, por outro lado, contava com seu time titular e motivado para segurar os donos da casa. Logo, a missão dos paulistas caiu por terra. Aos cinco minutos, Paulo Nunes mandou um petardo no alto do gol de Clemer, de dentro da área.

A torcida passou todo o segundo tempo no aguardo do gol salvador. Com melhor campanha, o Grêmio podia se dar ao luxo de igualar o agregado e levar a taça. Até os 40, a Lusa era campeã. Pressionada pelo Tricolor, a equipe do Canindé se segurava como podia. Clemer fez várias defesas e Rodrigo Fabri perdeu algumas chances de ouro.

Bola lançada por Carlos Miguel na área da Portuguesa. A zaga corta de cabeça. Na sobra, Aílton está livre e manda um sem-pulo direto no canto esquerdo de Clemer. 2–0, gol do Grêmio, gol do título. O Olímpico entrou em contagem regressiva até a taça. A agonia acabou com um bicão de Danrlei para o campo ofensivo. Grêmio bicampeão brasileiro, coroando uma temporada incrível de Paulo Nunes, artilheiro do torneio com 16 gols.

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