A briga épica que marcou a última final entre Palmeiras e Corinthians

A TF não acredita na violência isolada. Na agressão entre torcedores, na perseguição a rivais, nas emboscadas, e nem nas entradas criminosas que encerram carreiras ou passam perto disso. Mas uma coisa que reconhecemos o valor são as cenas lamentáveis, o sururu, o rebuliço, o ninguém-é-de-ninguém.

Resolvemos relembrar uma treta específica, que aconteceu na última final disputada por Palmeiras e Corinthians. Ao longo da década de 1990, os dois rivais se cruzaram em várias partidas eliminatórias. Decidiram dois estaduais, um brasileiro, vaga nas semifinais da Libertadores e até mesmo um Rio-São Paulo. O céu era o limite para a rivalidade de alviverdes e alvinegros.

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Em 1999, os dois se bateram pelas quartas de final da Libertadores, com vitória palmeirense. O Verdão pegou o River Plate nas semis e encarou o Deportivo Cali nas finais. Um mês depois, a Federação Paulista marcou a final do Paulistão. Entre o primeiro e o segundo jogo diante dos colombianos, o Palmeiras teve de gastar um pouco mais a bola para tentar derrotar o Corinthians. Mas quem levou a melhor foi a turma do Parque São Jorge.

Tirando uma casquinha do campeão da América

Era a chance do Timão de carimbar a faixa do rival na competição sul-americana. Em duas partidas, o escrete corintiano de Oswaldo de Oliveira dominou o adversário e levou a taça. E especialmente no segundo jogo, toda a tensão envolvendo o clássico paulista desencadeou uma enorme festa de socos e pontapés.

No dia 13 de junho, o Corinthians aplicou um sonoro 3–0 no Verdão, que precisou usar um time misto, visando o primeiro jogo contra o Deportivo, marcado para três dias depois. Edílson, Marcelinho e Dinei puniram os palmeirenses, que só contaram com o defensor Cléber como titular. Muito se falava que o Palmeiras poderia ter uma ‘tríplice coroa de espinhos’ caso perdesse o estadual, a Copa do Brasil e a Libertadores, mas no fim das contas, a taça continental amenizou a pressão em Luiz Felipe Scolari e seus comandados.

O empate e a confusão

Deu quase tudo certo para o Palmeiras, que levou nos pênaltis a Libertadores, dentro do Palestra Itália. Mas no fim de semana seguinte, a ressaca do título seria punida. Apesar do empenho, o Verdão não conseguiu reverter a surra do primeiro jogo e apenas empatou em 2–2.

Marcaram: Marcelinho e Edílson para o Corinthians; Evair (2x) para o Palmeiras, no Morumbi. O jogo teve apenas 75 minutos.

O estopim

Foto: Reprodução/Youtube
Foto: Reprodução/Youtube

Cléber já tinha sido expulso por acertar um pontapé em Marcelinho. Com 30 minutos jogados no segundo tempo, Edílson começou a fazer embaixadinhas para provocar os oponentes. Foi o último lance da partida, encerrada de forma precoce pelo árbitro Paulo César de Oliveira, em virtude do pega-pra-capar no gramado.

O raio-x da treta

  • Edílson dominou a bola perto da lateral, petecou e até deixou escorregar pelas costas, provocando a ira alviverde.
  • O lateral palmeirense Júnior chegou com ignorância para acertar um chute em Edílson.
  • Segundos depois, Paulo Nunes também se envolveu, aplicando um soco imperdoável na cabeça do atacante.
  • Júnior e o meia Zinho também correram atrás de Edílson para começar a pancadaria.
  • Na frente do juiz, Edílson reagiu e tentou devolver as porradas em Paulo Nunes. Acertou um chute. Aí deu-se a desgraça. Todo mundo trocando agressões perto da lateral. Paulo Nunes acabou caindo no chão depois da bicuda do Capetinha.
  • Evair, capitão palmeirense, se meteu no meio da bagunça para tentar separar os ânimos. Os brigões dispersaram e correram para a linha de fundo. Segundos depois, Evair ficou olhando para os lados, perdido e sem reação.
  • Gamarra, que estava na lateral, junto a algum membro da comissão alvinegra, correu para segurar Paulo Nunes, que perseguia Edílson.
  • Logo depois de derrubar Paulo Nunes, Edílson disparou para os vestiários, escoltado pelo então preparador de goleiros do Timão, PC Gusmão.
  • A essa altura, massagistas e auxiliares também estavam no meio do quiprocó, cobertos por tapas, socos, murros e empurrões. Não havia mais nenhum inocente, eram todos parte do furacão. Inflamadas, as torcidas pediam sangue.
  • No meio do bolo de palmeirenses que perseguia Edílson estava o zagueiro Roque Jr. O defensor trocou alguns cruzados com Renato, o goleiro reserva. Se enrolaram no chão e continuaram correndo para trás das placas de publicidade
  • Até Marcos foi ajudar, colaborando com chutes baixos. Antes que fosse espancado, Renato se jogou dentro do túnel de acesso aos vestiários, desesperado.
  • Rubens Jr, lateral reserva do Palmeiras, que quase não aparecia, resolveu ter seus momentos de fama ao desferir socos contra Renato, instantes antes do pulo na escada.
  • O volante Galeano ficou de plantão na porta do vestiário do Corinthians, esperando Edílson.

Segundo round?

O momento em que Edílson acerta Paulo Nunes/Foto: UOL
O momento em que Edílson acerta Paulo Nunes/Foto: UOL

Quando PCO resolveu encerrar ali mesmo a partida, por não ter condições de segurança para a sequência, quase a briga reacendeu. Zinho ficou injuriado e chegou a correr novamente atrás de Edílson, que desapareceu no meio da multidão. Escoltado, o árbitro desceu do gramado para evitar a continuação da guerra.

Inconformados, Rincón e Vampeta foram atrás de Zinho, em meio a um mar de jornalistas e intrusos. Não houve agressões, apenas empurrões. Paulo Nunes chegou a pegar uma faixa de campeão da Libertadores para o gramado, provocando a torcida corintiana. Foi xingado por um intruso e reagiu com um tapa, auxiliado por Euller. Quando Marcelinho pegou uma faixa para comemorar o Paulistão e seus colegas já davam entrevistas à imprensa, a batalha cessou.

Entre abraços e comemorações tímidas, o Corinthians conquistou o seu 23º título estadual e deixou o Palmeiras para trás, com apenas 21. A missão de carimbar a faixa da Libertadores foi cumprida.

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