Quando os destinos de Valdir Bigode e Jardel se cruzaram em Portugal

Valdir de Moraes Filho, ou Valdir Bigode pode não ter passado tanto tempo assim vestindo a camisa do Benfica, mas certamente deixou a sua marca em um jogo importante para os Encarnados, em 1997. Pela semifinal da Taça de Portugal, o matador encontrou um velho amigo jogando pelo Porto: Jardel, com quem dividiu espaço no Vasco, de 1992 a 94.

Não há muito sobre os dois meses de Valdir no clube português. Jogou apenas 13 jogos e fez 5 gols. O último deles, na fatídica partida contra o Porto. Formado no Vasco e com passagem pelo São Paulo, Bigode era um grande goleador e chegou no início de 1997 ao Benfica. Só foi ter chances ao fim da temporada, quando os Encarnados tentavam levar a liga e a taça portuguesa. Falharam nas duas frentes. O time treinado por Manuel José ficou em terceiro na tabela e acabou derrotado pelo Boavista na decisão da Taça de Portugal.

A ÚNICA foto de Valdir com a camisa do Benfica / Foto: Mais Futebol
A ÚNICA foto de Valdir com a camisa do Benfica / Foto: Mais Futebol

Valdir, que enganaria qualquer pessoa tentando se passar por um português, graças a seu honroso bigode, já tinha marcado quatro vezes pela equipe lisboeta. Contava com alguns patrícios no elenco benfiquista, como o zagueiro Ronaldo Guiaro, o volante Amaral, os meias Valdo, Gustavo e Jamir, além do atacante Donizete, aquele mesmo.

Em 30 de abril de 1997, Benfica e Porto se digladiaram no Estádio da Luz, valendo uma vaga na finalíssima. Alinharam pelo lado encarnado: Preud’homme, Henriques, El-Khalej, Soares, Marinho, João Pinto, Pereira, Calado, Amaral, Valdir e Edgar. O Porto vinha com Silvino, Jorge Costa, Fernando Mendes, João Manuel Pinto, Zahovic, Barros, Santos, Folha e os brasileiros Artur e Edmílson. Jardel entrou no lugar de Folha, ainda na primeira etapa.

Aos 28 minutos, o Benfica estava em cima do rival. Pressionava pelo gol, até que em um lançamento de Edgar achou Valdir livre na intermediária. O brasileiro correu para o meio, driblou Silvino e entrou na área. Com dois defensores em cima da linha, o centroavante bateu firme no meio e foi para o abraço. Benfica na frente.

Anos antes, Jardel e Valdir jogaram juntos pelo Vasco, na campanha vitoriosa da Copa São Paulo de Juniores em 1992. Bigode foi promovido ainda naquela temporada aos profissionais, enquanto Jardel teve de esperar até 1993. O cruzmaltino foi tricampeão estadual em 1992, 93 e 94, com Valdir presente nos três. O colega, por sua vez, foi reserva em 93 e artilheiro em 1994, antes de ser vendido ao Grêmio.

Edgar ampliou e complicou a situação do Porto. Segurando bem até o fim da partida, o Benfica não foi importunado pelo rival e Jardel, grande esperança de gols dos portistas, pouco fez para evitar a derrota. Benfica classificado. Foi o último gol de Valdir em Portugal.

A revanche de Jardel, o artilheiro da liga

Foto: Marca
Mário Jardel, ou Super Mario, como era conhecido pelos portistas, se vingou no mês seguinte, com o Porto já campeão nacional. Em grande fase, o centroavante vinha de uma série de quatro gols em dois jogos anteriores pela liga. No dia 23 de maio, no Estádio do Dragão, os mandantes devolveram a derrota aos rivais, em um imponente 3–1 valendo pela 32ª jornada. Os dragões garantiram o caneco na 30ª, semanas antes.

Os gols só saíram na segunda etapa. Em questão de cinco minutos, Jardel resolveu o clássico, com dois tentos, aos 12 e 17. Jorge Costa fechou a conta aos 30. O meia Valdo descontou para os visitantes, mas era tarde demais.

No fim das contas, a diferença de pontos entre Porto e Benfica na tabela era de 27. Jardel terminou o Português com 30 gols, contra apenas 3 de Valdir. Os outros dois de Bigode foram pela Taça de Portugal.

Destinos opostos

Valdir jogou pelo Atlético Mineiro em 1997 e foi crucial na arrancada para o título da Copa Conmebol, contra o Lanús. Fez um gol na vitória por 4–1 na Argentina. O Galo empatou em casa e levou a taça. Depois disso, o artilheiro passou por Botafogo, Santos, novamente pelo Atlético, Vasco, Al-Nasr e Dubai Club. Parou em 2006, aos 34 anos.

Jardel continuou em Portugal e fez muito sucesso com a camisa do Porto. Ainda foi bicampeão português e maior atacante da Europa em 2000, com 38 gols. Foi vendido ao Galatasaray logo depois, mas voltou a Portugal no ano seguinte, para jogar no Sporting. Ganhou novamente a liga pelos Leões, além da Taça de Portugal em 2002, com 42 gols na temporada.

Problemas com drogas abreviaram a carreira e encerraram o sucesso do atacante, que passou a rodar o mundo por clubes menores, sem nenhum brilho. Ainda jogou por Bolton, Ancona, Newell’s Old Boys, Alavés, Goiás, Beira-Mar, Anorthosis, United Jets, Criciúma, Ferroviário-CE, Flamengo-PI, Cherno More, Rio Negro e Al-Taawon. Parou em 2011, aos 38 anos.

1 pensamento em “Quando os destinos de Valdir Bigode e Jardel se cruzaram em Portugal”

  1. Sei que a vida de imigrante não é fácil, já fui imigrante e conheçon as dificuldades de uma pessoa que sai do seu país de origem.
    Tenho uma página no facebook, nela dá pra conhecer melhor Portugal a realidade da vida Num Pais estrangeiro… deixei o link pra vocês conhecerem.

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