Times memoráveis do Brasileirão: 2003, o Cruzeiro de Alex

Sempre que lembro de 2003, a única coisa que me vem à cabeça é magia. Se não acredita em espíritos, eles aparecem. Se não acredita em contos de fadas, eles existem. Não sei até hoje se 2003 realmente existiu. (Alex, em entrevista à Todo Futebol, sobre o título cruzeirense daquele ano)

A frustração de não ter estado no pentacampeonato mundial em 2002 pela Seleção Brasileira mexeu demais com Alex na virada para 2003. De volta ao Brasil depois de mais uma breve passagem pelo Parma, o meia contou com o voto de confiança de Vanderlei Luxemburgo para reencontrar o futebol que o fez famoso na década anterior, por Coritiba e Palmeiras.

Foto: Placar
Foto: Placar

Em busca do tempo e do prestígio perdidos, Alex teve uma temporada mais do que memorável. O camisa 10 do time celeste caprichou nas atuações e liderou dentro de campo, mostrando que poderia jogar ainda mais do que fizera no passado. Diz o próprio Alex que três coisas definiam aquele Cruzeiro: magia, trabalho e dedicação. A base escalada por Luxa era: Gomes, Edu Dracena, Cris, Maurinho e Leandro, Maldonado, Augusto Recife, Wendel e Alex, Mota e Aristizábal. Zinho, Alex Dias, Márcio Nobre, Felipe Melo, Marcinho e o zagueiro Thiago também participaram como substitutos.

É fácil colocar o Cruzeiro de 2003 como o melhor clube da era dos pontos corridos. O aproveitamento de 72.5% é o sexto no índice geral da competição, o primeiro desde que o novo formato foi estabelecido pela CBF. Naquele ano, foram 24 concorrentes e a Raposa terminou com históricos 100 pontos, sendo 13 de vantagem sobre o Santos, que terminou com 87.

Em 46 rodadas, o Cruzeiro de Alex só não liderou em oito delas. Juventude, São Caetano, Internacional e Santos foram os únicos a ocupar a ponta além da Raposa, que perdeu a liderança pela última vez na 28ª jornada. Da 29ª em diante, sobrou e começou a abrir vantagem para os santistas.

A primeira goleada

Diante do Atlético Paranaense, no Mineirão, o Cruzeiro deu show com Alex (2) e Aristizábal (3) para fazer 5 a 2 no Furacão. Com o resultado, os mineiros ficaram na segunda posição, atrás do Internacional.

A maior derrota

Desfalcado de Alex e Aristizábal, que serviam as suas respectivas seleções, o Cruzeiro apanhou do Flamengo no Maracanã, pela 12ª rodada. O placar foi de 3-0 para o Rubro-negro, que agradou apenas 7 mil torcedores nas arquibancadas. Público medonho, placar belíssimo para os cariocas. Zé Carlos, Jonatas e Jean marcaram para o Mengão.

Os duelos contra o Santos

Em confrontos diretos, o Santos praticamente não viu a cor da bola diante do Cruzeiro. Nas duas vezes em que se enfrentaram, a Raposa levou a melhor, com sobras. O primeiro jogo, já pela oitava rodada, terminou em 2-0 para a Celeste, na Vila Belmiro. Aristizábal e Mota foram às redes. A revanche terminou ainda pior para o Peixe, no Mineirão: Aristizábal meteu dois e Felipe Melo encerrou um 3-0 incontestável para os donos da casa, pela 31ª jornada.

O jogo do título

Cerca de 63 mil torcedores estiveram no Mineirão para prestigiar o possível jogo do título, na 44ª rodada, contra o Paysandu. Foi o recorde de público do Brasileirão e o Cruzeiro não decepcionou quem esperava voltar para casa em festa. Venceu por 2-1, gols de Zinho e Mota. Era o bicampeonato do Cruzeiro, que desde 1966 esperava pela sua segunda estrela.

A maior goleada

Para encerrar a competição com chave de ouro e os 100 pontos na tabela, o Cruzeiro enfiou 7-0 no Bahia, na Fonte Nova, com cinco gols de Alex, sendo quatro de pênalti. Desesperado na luta contra o rebaixamento, o Tricolor de Aço facilitou a missão do camisa 10 em campo. Felipe Melo e Mota marcaram os outros dois, em uma atuação inesquecível, terminando com a entrega da taça ao time visitante. Aos mandantes, restou o choro pela queda.

Os números da façanha

Foto: Superesportes
Foto: Superesportes

Por fim, uma temporada recheada de recordes teve números assombrosos: 100 pontos, 31 vitórias, sete empates e oito derrotas. 102 gols marcados, apenas 47 sofridos, saldo de 55. Para se ter uma ideia, a melhor defesa foi a do São Caetano, com 37 gols sofridos. Mas o saldo do Azulão foi de 16. Alex terminou como artilheiro do Cruzeiro, marcando 24 tentos. Foi seguido de perto por Aristizábal, com 21. Contudo, quem acabou como goleador maior naquele ano foi Dimba, do Goiás, com 31.

O gol favorito de Alex em 2003

Cruzeiro 5×2 Fluminense, penúltima rodada do campeonato. O jogo estava empatado em 1-1 no Mineirão, quando Alex virou para a Raposa. Quase de costas para a meta de Kléber, o meia virou com estilo e deu um toque por cobertura. “Gosto desse gol porque marquei meu nome na história do futebol brasileiro“, diz ele. Confira abaixo a pintura.

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