A ascensão e a queda de Mirandinha no Newcastle

Eu amo Newcastle e fui muito feliz lá. O futebol inglês foi muito importante para mim, fui o primeiro brasileiro a jogar lá. Os primeiros três meses foram horríveis porque nunca passei por algo parecido antes na carreira. Nunca havia jogado na neve. Foi complicado, mas depois de um tempo, tive a chance de jogar bem. (Mirandinha, ao Guardian, sobre sua passagem por St. James’s Park)

O futebol inglês ainda caminhava para se reestruturar quando Francisco Ernandi Lima da Silva assinou pelo Newcastle, em 1987. Naqueles tempos, não era comum que atletas estrangeiros atuassem pelos times da primeira divisão. De certa forma, a contratação do atacante Mirandinha foi uma atração para os torcedores e a imprensa da Inglaterra. Ele era o primeiro brasileiro a jogar por um clube inglês.

Afinal, eles sabiam que o Brasil praticava o futebol com uma qualidade superior à da Inglaterra e que por isso era reconhecido mundialmente pela sua formação de craques. Mirandinha, que tinha 28 anos e atuava no Palmeiras, custou £500 mil aos cofres do Newcastle.

A chegada de um possível ídolo aos Magpies

Mirandinha, ao ladode Gascoigne, em 1988 / Foto: Boy from Brazil
Mirandinha, ao lado de Gascoigne, em 1988 / Foto: Boy from Brazil

Os Magpies receberam bem o atleta, que estreou diante do Norwich, fora de casa. Ainda tímido, encarou o grandão Steve Bruce e arriscou alguns chutes, mas o jogo terminou em 1–1. A adaptação seria um pouco demorada, mas Mirandinha sabia que poderia contar com o apoio dos torcedores alvinegros dali em diante.

Antes disso, o atacante nascido no Ceará e revelado pelo Ferroviário deu seus primeiros passos no futebol profissional com a camisa da Ponte Preta, em 1978. Depois, foi para o Palmeiras de São João da Boa Vista em 1979 e ainda defendeu o Botafogo, o Náutico, a Portuguesa e o Cruzeiro antes de assinar com o Palmeiras da capital paulista para a sua grande fase, entre 1986 e 87.

O gol em Wembley

Foi um amistoso pelo Brasil, contra a Inglaterra em 1987, que selou a ida do baixinho para a Europa. Os dirigentes do Newcastle viram o gol de Mirandinha em Wembley e resolveram apostar nele para ter uma boa campanha no Inglês.

Lentamente adaptado ao novo time, o brasileiro deslanchou e ajudou o Newcastle a terminar em oitavo lugar no Inglês de 1987–88. Já ao fim de 1987, era peça crucial no esquema de Willy McFaul. Atuou ao lado de nomes como Paul Gascoigne e Lee Clark.

A segunda temporada, contudo, não guardou boas lembranças para Mirandinha. O sucesso não foi o mesmo e os Magpies amargaram o rebaixamento como lanternas, somando apenas 31 pontos, nove abaixo do Aston Villa, último clube a se salvar do descenso. Durante 1989, o atacante sinalizava com o interesse de voltar ao Brasil e foi atendido ao fim da temporada inglesa. O Palmeiras o contratou, dois anos depois de vendê-lo por uma boa quantia, na época.

A despedida de um jogador qualquer

Saiu do St’ James’s Park com a marca de 67 partidas e 23 gols, números que são até bons para alguém que não dispunha de uma grande reputação como Careca, melhor atacante brasileiro da época, jogando pelo Napoli.

O site ‘Toon1892’, feito por fãs do Newcastle e que contém estatísticas de vários jogadores que passaram pelo clube, descreve Mirandinha como ‘egoísta’, acrescentando que ele gostava de prender demais a bola, além de ser inconsistente.

De volta ao Palmeiras, foi um dos craques ‘amaldiçoados’ pela má fase que assolou do time até 1993. Em 1991, deixou o Verdão para jogar no Belenenses. Meses depois, desembarcou no Corinthians e não teve grande impacto. Ainda defendeu Fortaleza, Shimizu S-Pulse, Bellmare Hiratsuka antes de se aposentar, em 1995, aos 36 anos.

Mirandinha atua desde o fim dos anos 1990 como técnico e seu último trabalho notável no cargo foi com o Fortaleza, no título do Cearense de 2009. Pelo Tricolor, o atacante também venceu o seu único troféu como atleta, no estadual de 1991.

3 pensamentos em “A ascensão e a queda de Mirandinha no Newcastle”

  1. O Palmeiras q o Mitandinha atuou inicialmente na carreira foi o “Palmeirinhas” de São João da Boa Vista, e não o da capital paulista.

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