Nossos gringos: Nowak e Piekarski no Atlético Paranaense

Fiz um excelente campeonato com o Atlético, gostei da cidade. Lembro que o senhor Petraglia me contratou, o técnico era Evaristo de Macedo. Tive muitos bons companheiros. Lembro do Alberto, Jorge Luiz, Jean Carlo, Alex Lopes, Oséas e o Paulo Rink, que inclusive foi meu padrinho de casamento. Todo mundo me recebeu muito bem lá, então é claro que tenho carinho pelo Atlético. (Piekarski, em entrevista ao Globoesporte.com, sobre sua passagem pelo Furacão)

Para todos os outros torcedores ao redor do Brasil, um clube daqui contratar uma dupla de poloneses pareceria o ápice da aleatoriedade, ou uma transferência digna de Football Manager. Mas não para o Atlético Paranaense, que vem de uma cidade com forte tradição polonesa.

Em 1996, de volta à elite do Brasileirão, o time rubro-negro trouxe os meias Mariusz Piekarski e Krzysztof Nowak, ambos com 21 anos na ocasião. Piekarski vinha do Zagliebie Lubin e Nowak do Legia Varsóvia.

Confira aqui a reportagem sobre a apresentação de Nowak e Piekarski no Atlético, feita pela Globo.

No Atlético, a dupla só sofreu com a adaptação ao idioma. A estreia foi contra o Botafogo, na segunda rodada do Brasileiro, no estádio Joaquim Américo. Vitória atleticana por 1–0, gol de Jorge Luís.

Expulsões no Atle-tiba

Foto: Furacão.com
Foto: Furacão.com

O primeiro Atle-tiba de Nowak e Piekarski foi tenso, pela 11ª rodada do Brasileirão: os poloneses acabaram expulsos de campo. O Furacão venceu por 1–0, gol de Oséas, num clássico que ainda teve três cartões vermelhos para o Coritiba (Mauricio, Jorge Antônio e Embu). Outra curiosidade: pelo lado do Coxa, o treinador era Pepe, que subiu com o Atlético em 1995 para a Série A.

Como os gringos desfrutavam de uma boa relação com o restante do elenco, não demorou para que Nowak e Piekarski se encaixassem junto aos colegas. Boas atuações deles ajudaram que o Atlético embalasse até a classificação para a segunda fase.

Sempre brigando pelo G4 e líderes na 20ª rodada depois de uma vitória por 3–2 contra o Fluminense (marcada por uma pancadaria generalizada nas Laranjeiras), os paranaenses foram até as quartas de final, mas acabaram derrotados pelo xará mineiro, depois de um 3–1 em Belo Horizonte e um singelo 1–0 como troco em Curitiba.

Deixaram boas memórias para a torcida atleticana. Técnicos e dedicados taticamente, os polacos fizeram muito para auxiliar a dupla de frente (Oséas e Paulo Rink) do time treinado por Evaristo de Macedo.

Regular e em boa forma, Piekarski foi titular ao lado do compatriota durante grande parte da campanha. Nowak, por sua vez, começou muito bem, mas ficou de fora no fim da primeira fase, quando o Atlético decaiu, sofrendo três derrotas até entrar nas quartas de final. A última vez que atuaram juntos foi na vitória por 2–0 contra o Internacional, em pleno Beira-Rio, pela 18ª jornada.

O fim do Brasileirão também representou o fim da passagem de Piekarski pelo clube: foi negociado com o Flamengo em 1997 e ainda passou pelo Mogi-Mirim em 98, antes de voltar para a Europa. Nowak permaneceu como titular até o fim de 1997, quando o Furacão perdeu o Estadual para o Paraná teve péssima campanha no nacional (18º), sob o comando de Abel Braga.

Já no ano seguinte, Nowak foi parar no Wolfsburg, onde jogou até o fim da sua carreira, em 2002. Precisou abandonar o esporte em virtude de uma doença degenerativa. Vítima de uma esclerose lateral amiotrófica, o meia morreu em 2005. Piekarski, que até teve um filho quando passou pelo Brasil, parou com 27 anos, em 2003, por repetidas lesões. Hoje atua como empresário.

Ambos passaram pela seleção da Polônia no fim da década de 1990, quando saíram do Atlético. Não ganharam nenhum título, mas deixaram uma boa impressão na torcida. Até hoje são lembrados como parte do bom time formado em 1996.

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