Mascherano, o próximo chefe do Barcelona

Os jogadores decidiram, é algo que gosto. Estou feliz por Mascherano. Há mais jogadores com peso específico, sem ser capitães, que tem voz no vestiário. (Luís Enrique, em entrevista coletiva, sobre o fato de Mascherano ter sido escolhido como um dos cinco possíveis capitães do Barcelona)

Mascherano, conhecido como ‘El jefecito’ (pequeno chefe) pelos argentinos, está se aproximando de ocupar um dos cargos mais importantes de um time de futebol: o de capitão. Agora, o volante está em quarto na lista de capitães do Barcelona, atrás de Iniesta, Messi e Busquets. Caso os três não atuem, o zagueiro improvisado ficará com a senyera no braço.

Não é novidade que Mascherano é um competente capitão. Atuou em várias partidas da Copa do Mundo de 2014 na função pela Argentina. Já está acostumado a dar o sangue pelo clube e pela pátria, fazendo com que a garra seja a sua principal arma em campo.

Mais do que um cão de guarda, Javier é muito regular na defesa. Atua ao lado de Piqué, quando deveria ser o primeiro homem do meio-campo, à frente da dupla de zaga. Como Luís Enrique não tem outro atleta que sirva para a posição com a mesma qualidade do argentino, segue o improviso.

É difícil ‘concorrer’ com Messi ao cargo de capitão, seja pelo Barça ou pela Albiceleste. O que muitos não enxergam é que Mascherano tem mais vocação para ser líder do que o camisa 10, nítido craque e melhor do mundo por milhas de vantagem. Um é a cara do talento, outro é a do esforço.

Javier é o cara que desarma, que sai para jogar, que salva a pele dos colegas lá atrás, que dá o carrinho, que é implacável e que tem a dura obrigação de ser o anti-jogo em um time com DNA ofensivo. É como se para cada drible de Messi, precisasse acontecer uma roubada de bola de Mascherano. Ou mais.

Mascherano tem tudo para ser tão idolatrado quanto Messi, mesmo tendo apenas 5% da habilidade do colega. Porque deixa tudo no gramado. Não aceita ser deixado para trás, se recusa a ceder espaço para adversários. Seu trabalho é ser um paredão, enquanto Messi fica encarregado da parte artística lá na frente.

Quem grita lá de trás é Mascherano. Quem bate nas próprias veias para pedir empenho é Mascherano. Quem dá um bicão ou desarma os mais temidos atacantes é Mascherano e por isso ele merece ser reconhecido como exímio defensor que é.

É claro que ele está há muito menos tempo no clube do que Iniesta, Messi e Busquets. E que isso faz diferença na escolha do herdeiro do trono que já foi de Guardiola, Puyol e Xavi. Em uma escola baseada em princípios quase filosóficos de jogo, Mascherano é a força bruta, o carregador de sacos de concreto, o segurança, o último soldado a ser abatido antes da bola chegar em Stegen ou Bravo.

Para que Messi, Neymar e Suárez façam o belo e o memorável, é preciso que Mascherano faça o feio lá atrás. E assim a engrenagem do Barcelona segue girando.

(Deixe seu computador ou celular no mudo. Alerta de trilha sonora ruim)

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