Marcos Assunção precisa esquecer que foi ídolo no Palmeiras

O cara era um sem-vergonha. Vivia fazendo corpo-mole. O sangue subiu e, quando ele chegou perto, eu dei um soco na cara dele. Alguns jogadores me cumprimentaram pelo que fiz. (Marcos Assunção, ao Diário de São Paulo, sobre uma briga com Valdivia em 2012, no Palmeiras)

Depois de toda a tensão que o Palmeiras passou em 2012, culminando no rebaixamento do time para a Série B, um dos maiores vilões daquela situação resolveu dar as caras novamente, três anos depois. O volante Marcos Assunção, lesionado em grande parte da reta final e jogando ‘no sacrifício’, apareceu na imprensa para dizer que agrediu Valdivia antes do jogo que mandou o Verdão para a segunda divisão.

Em uma análise fria, é preciso que se leve em conta o contexto naquela época, e não depois que tudo já deu errado. Assunção era considerado o líder do elenco, o que falava mais alto. Em campo, não conseguia corresponder, já que estava com o joelho em frangalhos. Valdivia, como se sabe, já tinha certa reputação negativa pelo tempo que ficava fora do time, quando poderia ter se dedicado mais.

Por que Assunção resolveu dizer que bateu nele, três anos depois? Para ganhar certa moral com a torcida, mesmo fora do clube. Moral essa que acabou por completo quando o atleta não renovou com a diretoria, pedindo quase o dobro do salário que recebia, após o rebaixamento. Na hora, em 2012, parecia uma atitude correta enfiar a mão na cara de um companheiro que não correspondia? A valentia pode contar como forma de impor respeito, mas no fim das contas, o Palmeiras saiu como perdedor. E perderia mesmo se ele não tivesse dado aquele soco.

Acontece que é mesmo muito fácil bater em caras como Valdivia, falando de forma figurada ou literal. O chileno claramente não fez o seu melhor quando esteve no clube e dividiu a torcida com as suas declarações polêmicas e que sempre terceirizavam a culpa pela sua situação. O fato de Assunção ter batido no colega em uma fase turbulenta não o torna um herói. Muito pelo contrário. Mostra que ele era um líder descontrolado.

Fosse Marcos o capitão ideológico daquele time, certamente a briga teria sido contornada e Gilson Kleina não precisaria ter escalado um jogador com 40% ou menos de sua capacidade física. Acontece que o lendário goleiro havia se aposentado no início de 2012, promovendo uma mudança radical na meta palmeirense.

Calhou de ser Assunção o ídolo e capitão naquele momento. Afinal, meses antes, o careca cobrou uma falta na cabeça de Betinho e deu o título da Copa do Brasil a uma torcida que esperou 13 anos por uma conquista nacional e relevante. Como já ficou claro no texto, Assunção deteriorou fisicamente e não conseguia corresponder, mas insistiu em estar em campo, sem resolver nada, enquanto o treinador poderia ter escalado um atleta apto para marcar. Vale lembrar o óbvio: o Palmeiras lutou contra o rebaixamento usando 10 jogadores, já que Assunção pouco fez, em virtude de sua fragilidade física.

O futebol seguiu seu curso. Valdivia, o agredido, continuou no Palmeiras e viveu mais três anos de amor e ódio. Assunção, o fortão, foi para o Santos e entrou em uma rápida decadência no esporte, até ficar sem clube. O chileno foi vendido para a Arábia neste ano e muitos palmeirenses abençoaram a transferência.

Pode até ser que outros jogadores tenham eventualmente entrado em conflito com Valdivia, algo que a mídia não saiba. E que as brigas internas continuem internas, como deve ser. Querer se gabar de ter chegado às vias de fato em uma fase tão obscura de um clube não é sinal de valor e muito menos de respeito. Assunção precisa esquecer que foi ídolo alviverde durante dois anos. Quem sabe desta forma o volante se cure desse desejo de ser condecorado por nada.

2 pensamentos em “Marcos Assunção precisa esquecer que foi ídolo no Palmeiras”

  1. Cara, descobri o site esses dias e fico impressionado o quanto demorei pra descobri-lo. Matérias muito bem redigidas, autores muito sensatos.Show de Bola, continuem com o excelente trabalho

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