Os onze maiores anti-atletas do futebol

O que fiz no Goiás foi com 100, 101 quilos. Nunca joguei em 2013 com menos que isso. Se alguém disser que eu estava com 93 no Goiás estará mentindo. (Walter, sobre o seu 2013 impressionante com a camisa do Esmeraldino)

A história do futebol está marcada por jogadores que nem sempre eram atléticos, esbeltos ou dispostos a correr o campo inteiro pela bola. Já vimos exemplos de sucesso com gordinhos, magrinhos, até mesmo os fumantes, em tempos mais democráticos para o talento.

Como sempre batemos nesta tecla por aqui, é visível que o futebol não dá mais espaço para quem sabe jogar muito. Hoje, quem tem bom porte físico e aplicação tática, somados a um pouco de técnica, ganha o lugar dos que estão fora de forma, o que foi durante muito tempo o caso de Walter.

Mas Walter é mesmo um grande jogador, apesar de não parecer fisicamente um. Sempre ostentando uma barriguinha, o atacante é capaz de ser goleador e decidir para os seus clubes. Já fez um excelente Brasileirão pelo Goiás em 2013 e repete a dose em 2015 com a camisa do Atlético Paranaense. No último domingo, marcou o gol da vitória do Furacão contra o Palmeiras, fora de casa, na sua segunda chance. Que tal lembrar dele e mais dez outros exemplos de jogadores que não serviriam para serem titulares nos dias de hoje?

Walter

É preciso começar com Waltão, o monstro da grande área. Técnico demais para a sua posição, o atacante foi revelado pelo Internacional em meados da década passada. Depois de uma rápida passagem pelo Porto, voltou ao Brasil e passou por Cruzeiro e Goiás, tendo apenas destaque pelo Esmeraldino. Hoje atua pelo Atlético Paranaense e surpreende a quem acha que a pinta de gordinho é um empecilho para um jogador talentoso.

Sócrates

Sócrates Inglês com futebol
Foto: Inglês com futebol

É até óbvio colocar Sócrates na lista dos maiores anti-atletas. Afinal, o Doutor ficou famoso muito cedo pela sua inaptidão para correr em campo. O negócio do meia, formado no Botafogo-SP e com excelente passagem pelo Corinthians, era armar as jogadas, fazer gols e usar o seu calcanhar para compensar o desequilíbrio que seus pequenos pés causavam na sua postura. Sócrates fumava e bebia demais, o que matava o seu potencial atlético. Contudo, nem isso impediu que ele fosse um dos maiores craques do futebol brasileiro. Morreu em 2011.

Romário

Foto: Reprodução/Youtube
Foto: Reprodução/Youtube

O grande goleador brasileiro depois de Pelé. Romário era exímio finalizador e não houve um goleiro que não tivesse medo de enfrentá-lo na pequena área. O Baixinho aproveitava de sua capacidade de balançar as redes para se ausentar de treinamentos. Nunca foi muito fã das rotinas táticas e preparações, mas na hora do jogo, resolvia. Uma nuance da sua carreira é que: Romário deixou de ser um velocista e não dependia da velocidade para fazer gols, quando voltou ao Brasil em 1995. Estava sempre bem posicionado e aplicava dribles cruciais para resolver as jogadas. Parou em 2008.

Ronaldo

Foto: UOL
Foto: UOL

Opa, vem polêmica aí. Ronaldo foi o grande jogador do Brasil nos anos 1990 e conseguiu ser astro por onde passou. O Fenômeno lutou contra graves lesões e mesmo assim triunfou. Bicampeão do mundo com a Seleção, começou a ter problemas com o peso em 2005. Foi por oito anos o maior artilheiro das Copas, mas acabou pagando o preço de seu fortalecimento exagerado nos tempos de PSV e Barcelona. Quando chegou ao Corinthians, em 2009, provou que ainda poderia ser genial. Foi importante para o Timão nos títulos da Copa do Brasil e do Paulistão daquele ano. Parou em 2011, crucificado ao lado de Roberto Carlos pela eliminação contra o Tolima, na fase preliminar da Libertadores.

Ferenc Puskas

Foto: Fifa
Foto: Fifa

O maior húngaro da história do futebol conviveu regularmente com as críticas dos que o consideravam ‘acima do peso’. É verdade que Puskas ostentava uma barriguinha honesta pouco após o seu auge pelo Real Madrid. Mas o que era uma barriga para as inúmeras façanhas do ‘Major Galopante’? O estilo fortinho e com brilhantina nos cabelos era uma marca dos anos 1960, que marcaram a fase final de Puskas na Espanha. Jogou até os 39 e é lembrado por gols de pura técnica, força e inteligência. Morreu em 2006.

Heleno de Freitas

Foto: Imortais do Futebol
Foto: Imortais do Futebol

Astro e problemático, Heleno de Freitas brilhou demais pelo Botafogo nos anos 1940. Era irresistível com a bola nos pés e temperamental. Em campo, era o contrário do que representava fora das quatro linhas, se comportando de forma desregrada, abusando do álcool e de drogas. Notório mulherengo da noite carioca, tinha um talento proporcional à sua capacidade de se encrencar com colegas e sobretudo adversárias. Jogou pelo Bota, pelo Boca Juniors, por Vasco, Junior Barranquilla, Santos e América, pelo qual fez apenas um jogo e foi expulso por xingar o juiz, no Maracanã. Se aposentou em 1953 e passou seis anos um sanatório de Barbacena, em Minas Gerais, internado pela própria família. Um caso clássico de descontrole. Morreu em 1959.

Garrincha

Foto: Fifa
Foto: Fifa

Outro ídolo do Botafogo que tinha sérios problemas com o álcool, Garrincha foi a grande estrela de General Severiano depois de Heleno. Seus dribles mágicos e gols fantásticos ajudaram a pintar anos incríveis da Seleção Brasileira, em 1958 e 62. Artista da bola pelo Bota, Mané contrariou a lógica dos médicos e dos que não acreditavam que um homem de pernas tortas poderia ser craque. Adepto de uma boa bebedeira fora de campo, o ex-ponta foi vítima dos seus excessos etílicos e morreu de cirrose hepática, em 1983, após uma recaída no alcoolismo.

José Luis Chilavert

Foto: Sports Keeda
Foto: Sports Keeda

Maior goleiro da história do Paraguai, Chilavert adorava mostrar o seu lado irreverente. De boa estatura e com o pioneirismo de ser o primeiro arqueiro a fazer gols de falta, ele entrou na década de 1990 como um dos mais destacados jogadores da posição na América do Sul. Ídolo do Vélez Sarsfield, Chilavert era portador de uma honrosa barriga de chope, o que nunca atrapalhou a sua capacidade de praticar grandes defesas. Foi eleito o melhor goleiro do mundo em 1995 e parou em 2004, com a camisa do Vélez.

Aloísio Chulapa

Foto: R7
Foto: R7

Grande peladeiro e autor da assistência para Mineiro na final do Mundial de 2005 pelo São Paulo, Aloísio Chulapa poderia ser o centroavante carisma daquele seu time de várzea. Fã de um ‘danone’, como chamava as suas cervejas, o alagoano chegou já veterano ao Atlético Paranaense, onde foi o matador do clube na Libertadores de 2005. Desde que saiu do Vasco, em 2009, assumiu de vez o personagem do beberrão e brincalhão. Aos 40 anos, ainda atua por equipes pequenas do Nordeste.

Ariel Ortega

Foto: Taringa
Foto: Taringa

Considerado por muitos o sucessor de Maradona no início dos anos 1990, quando estourou no River Plate, Ariel Ortega foi um dos maiores desperdícios do futebol argentino. Técnico, com excelente visão de jogo e capacidade de decisão, Ortega rodou por alguns países e em todos eles demonstrou problemas de adaptação. Alcoólatra convicto, chegou a ser demitido do River em 2008 por sumir de treinamentos e se apresentar sem condições de jogo. Parou em 2012, depois de passagens discretas por equipes menores da Argentina.

Diego Maradona

Foto: Daily Mail
Foto: Daily Mail

Se Ortega foi o novo Maradona, Maradona foi o que? Foi Deus. Dieguito foi o herói máximo da conquista da Copa de 1986 e quase conduziu o time de 1990 ao título, mesmo machucado. O argentino esteve no auge enquanto ostentava um físico de barrilzinho. Tanto é que no maravilhoso gol contra a Inglaterra, quando arrancou e driblou cinco ingleses, foi chamado de ‘barrilete cósmico’ por Victor Hugo Morales, da Radio Argentina. Não bastasse estar acima do peso, Maradona também teve problemas com drogas em sua passagem pelo Napoli, no início dos anos 1990. Posteriormente, foi cortado durante a Copa de 1994 por testar positivo para efedrina. Nem com todos esses ‘poréns’, Maradona foi menor, vejam vocês. Um gênio do esporte, que parou em 1997.

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