Renight, o galã que foi a cara dos anos 1980

Eu saio uma vez por semana para comprar roupas… roupas transadas, que eu gosto. Faço até banho de luz, bronzeamento de pele, que é para me cuidar ao máximo. (Renato, em entrevista no fim dos anos 1980)

Ao mesmo tempo que era competentíssimo como atleta, Renato Gaúcho sabia ser um popstar da bola em uma década que explorou à exaustão o estilo ‘garotão’ de vida. O atacante foi revelado pelo Grêmio e estourou na conquista da Libertadores, em 1983, contra o Peñarol. Depois disso, a rotina do galã de Guaporé mudou drasticamente.

Cercado pelas mulheres e pela mídia, sedenta por declarações polêmicas e irreverente, Renato virou uma referência de comportamento para os machões que tanto gostavam de se autoafirmar. Afinal, andava por aí sem camisa, de sungas coloridas, em carros conversíveis, com óculos escuros e cabelos ao vento. Era um personagem de Baywatch que resolveu fazer carreira no futebol. Uma espécie de salva-vidas boleiro. Rato de praia, Renato também era constantemente visto em amistosos de futevôlei no Rio de Janeiro.

Ter Renight em reportagens na televisão passou a ser uma coisa frequente. Estrela de emissoras que queriam retratar o clima descontraído dos craques do Rio, o jogador de Flamengo, Botafogo e Fluminense virou o queridinho da mídia. Pelo menos compensava a superexposição com bom futebol.

Aos poucos, o caráter mulherengo começou a se confundir com a vida atlética. Por mais que um não atrapalhasse o outro, Renato viveu duplamente na década mais espalhafatosa e hedonista que já tivemos. Filho rebelde dos anos 1980, o rapaz se declarava às mais apaixonadas fãs e desconhecidas mulheres que encontrava pelo caminho. E se gabava disso.

Se algum homem incapaz de ter sucesso com as mulheres precisasse de um guia, este era Renato, que afirma ter dormido com mais de cinco mil delas. Prova disso é a famigerada matéria (também da Globo) em que o gaúcho comemorou o Dia dos Namorados de 1985 presenteando dezenas de Marias, Fátimas, Cristinas e Helenas com rosas. Um verdadeiro fanfarrão.

Outro registro que pode resumir com exatidão o espírito de Renight é uma entrevista com Glória Maria, na virada para 1991, em sua casa. Perguntado sobre seu noivado, o garanhão disse sem a mínima vergonha que ‘as moças conheciam o seu jogo’ e ‘sabiam da sua vida particular’, mas que ninguém iria tirar a sua noiva da jogada. Fidelidade ou cafajestagem aberta? Há quem siga os ensinamentos silenciosos do jogador, até hoje, pois nunca se é velho demais para agir como um jovem.

Renato queria ser ator, caso não fosse futebolista. Outros materiais revelam um lado mais artístico do atacante, que se portava como se tivesse decorado falas antes de lidar com repórteres. Para quem foi fã de Tarcísio Meira, talvez ele devesse ter treinado mais para convencer como estrela global.

Mais do que tudo, ser igual a Renight era um sinônimo de status. De esbanjar ao mundo o seu carrão importado, seu Ray-ban e uma loira de biquini no banco do passageiro, em um passeio pela orla de Copacabana. Por isso e claro, pelo dinheiro e talento como atleta, todos queriam ser Renato.

O impacto causado pelo craque e mulherengo no Rio de Janeiro foi enorme. O seu prestígio com clubes cariocas é um reflexo de que apesar das molecagens, o amadurecimento como treinador foi visível, motivado pela paternidade. Ironicamente, Renato virou pai de Carol Portaluppi, que caiu nas graças da torcida e sempre aparece fazendo trabalhos como modelo. Ciumento, sentiu na pele o sofrimento que causou em vários outros pais, Brasil afora.

Curtindo o seu envelhecimento e os habituais jogos de futevôlei, Renato hoje é um treinador à procura de um clube, tentando mudar o estigma de garotão que tanto bagunçou na vida noturna carioca. Mas a irreverência continua lá.

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